Luís Garcia lidera a coligação PSD/CDS/PPM na corrida à Câmara Municipal da Horta (CMH). Pôr fim a 24 anos de governação socialista para lançar o Faial numa nova fase do poder autárquico é a prioridade do social-democrata que quer fazer da Horta uma autarquia amiga do investimento privado e da criação de emprego.
Atenção especial às necessidades de âmbito social no concelho é outra das prioridades do candidato, que acusa a atual gestão socialista de falta de estratégia e de submissão ao Governo Regional.
O que o motivou a aceitar este desafio?
Tive o convite e entendi que, dada a minha experiência política e o conhecimento que tenho do concelho, poderia contribuir para um projeto muito necessário para o Faial, para dar um novo impulso no seu desenvolvimento. O desafio que coloquei a mim próprio foi o de construir uma alternativa ao atual poder na Câmara e acho que, pela equipa que consegui reunir e pelo projeto que estamos a desenvolver, temos uma alternativa sólida e credível para apresentar.
Porque decidiu formar uma coligação? Tendo em conta a expressão quase nula do PPM no Faial e o facto do CDS reunir pouco apoio na ilha, não acha que poderá estar a correr um risco, até porque os eleitores podem associar esta coligação à aliança CDS/PSD na República, que tem, de certa forma, “traumatizado” os portugueses?
Quando foi conhecido que seria eu a liderar uma candidatura do PSD, fui contactado por dirigentes do PPM e do CDS, que se disponibilizaram para apoiar a candidatura. O meu entendimento das autárquicas sempre foi apresentar aos faialenses alternativas abrangentes e inclusivas. Este é um projeto inclusivo, que, para além de partidos, tem muita gente independente. Todos os que se sentirem insatisfeitos com a CMH são bem vindos para a construção de um projeto que liberte a nossa autarquia deste poder que não tem dado os resultados que precisamos.
Relativamente à questão do Governo da República, de facto há essa carga menos positiva, mas não é isso que está em causa nestas eleições. O que está em causa é avaliar os resultados desta gestão socialista que já vai com 24 anos e avaliar também os projetos que são apresentados. Se as pessoas estão satisfeitas com este “faz que anda e não anda”; com este adiamento de projetos estruturantes, mandato após mandato, votarão na continuidade. Nós, por outro lado, apresentamos algo diferente, um projeto que visa trazer inovação à gestão da CMH e um novo impulso para o nosso desenvolvimento.
Quais são os principais eixos orientadores do seu projeto?
Temos orientado o nosso projeto em torno de cinco eixos principais: primeiro, queremos uma CMH diferente, que se assuma líder do nosso desenvolvimento e governo da ilha. Tudo o que aqui se passa, mesmo que não seja competência da CMH, ela tem de ajudar a resolver. Trata-se de uma nova atitude; uma nova perspetiva de condução dos assuntos camarários que é preciso trazer.
Um segundo eixo passa por uma aposta clara no desenvolvimento económico do concelho e na criação de condições para a criação de emprego. Temos uma população ativa muito ligada ao setor público, mas a tendência deste é emagrecer. Se precisamos de emprego para fixar os nossos jovens e ocupar as muitas pessoas que estão desempregadas é o setor privado que o vai mobilizar.
O terceiro eixo está relacionado com as políticas sociais. Num período difícil como o atual a prioridade máxima deve ser acudir àqueles que têm necessidades. Além disso, nas reuniões que temos feito com as instituições com responsabilidades nesta área, apercebemo-nos da necessidade de articulação das respostas sociais na ilha.
Outro eixo é o desenvolvimento equilibrado das 13 freguesias do Faial. Temos tido políticas que têm criado desequilíbrios que importa corrigir. As respostas sociais têm sido concentradas na cidade e arredores, bem como as políticas habitacionais, o que tira pessoas das freguesias mais rurais.
O último eixo está relacionado com a revitalização da cidade, quer do centro urbano quer da frente mar. Não é aceitável termos o orgulho de ter uma das mais belas baías do mundo mas depois não aproveitarmos esse potencial. Esta gestão camarária, por exemplo, destruiu espaços verdes na marginal para fazer parques de estacionamento. A nossa baixa está desertificada, o nosso mercado está abandonado… Tudo isso precisa de ser revitalizado dentro de uma estratégia global de redinamização da cidade.
Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 30.08.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário