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06
setembro

Autárquicas 2013 – José Leonardo Silva: “Não estamos na altura de experimentalismos”

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Publicado em Entrevistas

José Leonardo Silva lidera a candidatura do PS à Câmara Municipal da Horta (CMH), depois de, durante quatro nos, ter estado na vice-presidência do município. Em tempo de crise entende que a autarquia precisa de gente experiente para construir um projeto assente na atenção às pessoas, com enfoque na ação social, mas também no desenvolvimento económico do concelho, com especial atenção ao desenvolvimento das freguesias.

Continuar a reabilitação da rede de águas e viária do concelho, investir no mercado municipal e transformar a frente mar da cidade numa verdadeira sala de visitas são alguns dos seus objetivos.


O que o motivou a aceitar este desafio?

Comecei por onde muitos não querem começar. Todos gostam de ser grandes mas não gostam de ser pequeninos e ir crescendo. Eu fui crescendo. Candidatei-me a uma junta de freguesia que não era do PS, ganhámos e fomos crescendo. Agora o desafio foi-me lançado, não apenas pelo PS mas por muitas pessoas independentes que me viam na rua e me motivavam. Ponderei com a minha família, que me deu total apoio, e decidi avançar, percebendo que este é um dos maiores desafios da minha vida.

Pouco depois de ter sido eleito para a junta de freguesia veio o sismo de 1998 e as dificuldades que surgiram naquele momento são semelhantes às atuais. Estava tudo destruído nos Flamengos e eu não virei as costas. Arregacei mangas e fomos em frente. No momento deste desafio, estamos também em grandes dificuldades. Muitos fogem nestas alturas mas eu quero dar o meu contributo, sabendo que é difícil, que não há dinheiro, mas existe projeto e existem pessoas.

 

De que forma a sua experiência enquanto presidente de junta o ajudou nas suas funções de vice-presidente da CMH e o pode ajudar se for eleito para a presidência da autarquia?

Quem inicia um processo pela base tem de certeza mais sucesso do que quem começa pelo topo. A minha experiência de autarca dá-me know-how para ultrapassar as dificuldades. É fundamental nesta altura ter alguém com experiência. Não estamos na altura de experimentalismos. Na República isso deu o que deu. Estamos na altura de ter pessoas com experiência, com garra e que não têm medo de enfrentar as dificuldades mas também não as ignoram.

 

Quais são os principais eixos orientadores do seu projeto?

O nosso projeto tem três linhas orientadoras: a componente social, a componente económica e as freguesias.

Na área social, temos de perceber que hoje se vive um novo ciclo. Antes existiam quase apenas desempregados crónicos, dependentes do Fundo de Desemprego e do Rendimento Social de Inserção. Hoje temos um novo tipo de desempregados. São pessoas que nunca viveram com subsídios do Estado e querem dar o seu contributo para receber algo em troca. Estas pessoas precisam de ajuda e quero criar um pacto com elas. Para isso temos projetos como o Novos Desafios e as hortas comunitárias, já em desenvolvimento. Este último é importante pela parte pedagógica, pois é fundamental virarmo-nos para a terra. Com a criação de emprego no setor primário podemos dar um contributo importante na área social. Temos também de ter em conta que este novo tipo de desempregados não faz pedidos à CMH nem ao Governo Regional. Há pessoas que podem estar agora em dificuldade mas não gostam de pedir ajuda. Por isso quero um Faial inclusivo, onde as pessoas se ajudam umas às outras.

Os Novos Desafios são importantes porque não se trata apenas de dar algo a quem precisa. Dar o peixe à pessoa não resulta. Temos de ensiná-la a pescar.

A componente económica é fundamental. Só conseguimos sair desta crise se formos capazes de crescer economicamente. Já apresentei várias propostas sobre o parque empresarial, onde temos de criar dinamismo. Daremos grande enfoque à reabilitação urbana e queremos criar o Gabinete do Investidor em parceria com a Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH). Queremos aumentar a celeridade dos processos na CMH. Não se podem criar dificuldades a quem quer investir.

No setor primário, para além do que já disse, há outras coisas a fazer. Temos de dar atenção à nossa Cooperativa Agrícola de Laticínios e dar enfoque à produção local.

Vamos fazer tudo para que o setor privado possa dar a resposta que neste momento o Estado não pode dar. Percebemos que o Estado vai emagrecer e portanto teremos de apoiar a iniciativa privada.

O Turismo também é uma área fundamental e aí temos excelentes condições para progredir. O município deve trabalhar para potenciar as geminações. Temos de trazer para o Faial as segundas e terceiras gerações de emigrantes. Também as regatas internacionais nos podem ajudar neste setor. Os nossos galardões na área do iatismo e o facto de sermos uma das mais belas baías do mundo são aspetos a potenciar ainda mais.

Em relação às freguesias, a CMH tem sido estimulante. Conseguimos potenciar muitos postos de trabalho, diretos e indirectos. Faremos uma aposta contínua no desenvolvimento equilibrado do Faial e os protocolos de delegação de competências são fundamentais para isso.

O desenvolvimento em todas as áreas passa pela gestão municipal. Esta não pode ser feita no pressuposto de que quando não há dinheiro vai-se ao banco buscar. Temos de fazer uma gestão equilibrada. Para isso temos de canalizar todo o dinheiro que tivermos para o investimento, cortando o mais possível nas despesas correntes. Se não tivermos disponibilidades financeiras teremos grandes dificuldades em fazer investimentos reprodutivos na rede de águas, na rede viária, entre outros. 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 06.09.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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