O secretário regional da Saúde esteve na passada sexta-feira no Centro de Saúde da Horta para visitar a valência de medicina dentária com que aquela unidade de Saúde foi recentemente dotada. Luís Cabral salientou que a entrada em funcionamento deste serviço significa “o culminar da rede de medicina oral” na Região, passando a haver em todas as unidades de saúde de ilha “médicos de medicina dentária para fazer principalmente o atendimento às populações de maior risco, como grávidas, crianças, idosos e população mais carenciada”.
Elogiando o trabalho do coordenador do programa de saúde oral, Ricardo Cabral, que montou esta rede ao longo dos últimos 14 anos, o governante disse ter como objetivo “aumentar a qualidade dos serviços tanto a nível de rastreio como de tratamentos”.
O serviço de Medicina Dentária do Centro de Saúde da Horta conta com dois médicos da especialidade. Questionado sobre as razões que levaram à contratação de dois clínicos em vez de um, Luís Cabral disse que “é difícil manter serviços a funcionar de forma regular apenas com um funcionário tendo em conta que este tem os seus períodos de férias e também se poderá ausentar em situações de formação”. “O que se pretende é aumentar a capacidade de resposta por isso previu-se dois dentistas. Além disso queremos uma utilização o mais racional e sustentável possível dos equipamentos nos quais investimos. Uma única cadeira dentária permite termos dois turnos de medicina dentária a funcionar de forma complementada”, acrescentou.
No entanto, os dois dentistas do Centro de Saúde da Horta têm-se dedicado não apenas às consultas mas também à fiscalização dos reembolsos aos utentes que fazem tratamentos em Medicina Dentária do setor privado. Em várias situações estes utentes depararam-se com condições pouco convencionais nessas verificações dos tratamentos de que foram alvo, como terem de ser observados numa cadeira regular e não na cadeira dentária e ainda terem de ser eles próprios a afastar com o dedo a bochecha para que o dentista pudesse fazer a sua observação. Questionado sobre estas situações, Luís Cabral disse nunca ter tido delas conhecimento e garantiu que, de momento, essa fiscalização é feita nas devidas condições.
Sobre este trabalho de fiscalização, o governante disse não se tratar da principal atividade dos dentistas do Centro de Saúde, sendo a prioridade as consultas a utentes. “As fiscalizações são um subproduto da atividade desses médicos”, garantiu, acrescentando quer as mesmas serão “pontuais, acontecendo principalmente em situações em que se identifique estar a haver um abuso”. A este respeito, Cabral disse que os reembolsos no âmbito da medicina dentária estavam a ser “utilizados de forma abusiva”. “Os reembolsos na Unidade de Saúde do Faial andavam à volta de 30 mil euros por mês. Com este controlo apertado conseguimos reduzir esse valor para 7 mil euros por mês”, referiu.
Obras do Bloco C do Hospital da Horta concluídas em janeiro
Nesta passagem pelo Faial o secretário regional da Saúde aproveitou para visitar as obras em curso no Hospital da Horta, de forma a inteirar-se das alterações sugeridas pelo novo concelho de administração, bem como verificar se estas implicariam uma alteração dos prazos de conclusão: “constatei que todas as alterações que foram solicitadas consubstanciam uma melhoria para a população e não irão atrasar as obras por isso prevê-se que esta infra-estrutura possa estar ao serviço da população que este hospital serve no primeiro trimestre de 2014, provavelmente já em janeiro”, referiu.
Sobre as especialidades que estarão à disposição dos utentes do hospital, Luís Cabral reiterou o manutenção das atuais e disse existirem “boas perspetivas” para renovar àquelas nas quais os médicos responsáveis estão à beira de se aposentarem. Nesse sentido, salientou o esforço do Governo para criar “um programa de complementaridade regional” onde em algumas especialidades o mesmo médico possa servir mais que um hospital da região. “Ortopedia e Nefrologia são exemplos de especialidades onde se prevê uma contratação de médicos partilhada entre hospitais”, disse, garantindo que “todas as especialidades em que situações de urgência justificam a permanência de um médico no Hospital serão garantidas pelo Serviço Regional de Saúde”.