Uma papeleira, uma cabina telefónica ou um mupi no passeio podem parecer apenas elementos que habitualmente se encontram na paisagem citadina. No entanto, para os cidadãos portadores de deficiências que impliquem, por exemplo, utilizar uma cadeira de rodas, esses elementos podem transformar-se em verdadeiras “minas terrestres” que transforam uma simples deslocação pelas ruas da Horta numa prova de fogo. Consciente de que este tipo de obstáculos prolifera por toda a cidade, a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) tem dado uma ajuda na identificação das barreiras arquitectónicas, propondo até, em alguns casos, soluções para os problemas. O trabalho é feito há anos mas tarda em trazer resultados como explica o presidente da Associação, José Fialho.
A integração dos cidadãos portadores de deficiência na sociedade tem sido uma luta diária da APADIF desde a sua constituição. Os esforços desta associação têm dado frutos, no entanto em alguns domínios a batalha tem sido inglória. As barreiras simbólicas provocadas pela falta de informação e consciencialização da sociedade têm sido ultrapassadas, mas as barreiras físicas continuam a dificultar o dia-a-dia dos cidadãos invisuais ou portadores de deficiências motoras, e até dos idosos, faixa etária com a qual a APADIF também se tem preocupado nos últimos anos.
Desde 2006 que a legislação portuguesa define com clareza uma série de exigências para tornar os espaços e edifícios públicos acessíveis a todas as pessoas. Na prática, no entanto, continua a ser fácil encontrar espaços que não obedecem às regras.
Na cidade da Horta, não é preciso percorrer muitos metros para esbarrar com barreiras arquitectónicas que muitas vezes impossibilitam os cidadãos com deficiência de realizar as suas tarefas do dia a dia. Algumas são consequência da arquitectura da cidade, concebida numa altura em que estas preocupações não existiam, e por isso são difíceis de resolver: falamos, por exemplo, das ruas em calçada ou dos passeios deformados por ação das raízes das árvores. No entanto, existem outras que se resolveriam com pequenas intervenções, como árvores demasiado frondosas cuja copa é demasiado baixo (como acontece na rampa de São Francisco), mupis e vasos de flores colocados no meio dos passeios, passadeiras às quais é difícil aceder ou papeleiras “invisíveis” ao toque da bengala de um invisual.
Há cerca de dois anos, a APADIF e a PSP da Horta decidiram efetuar um levantamento das principais barreiras arquitectónicas da cidade. Foram identificadas 18, num dossier com registos fotográficos que foi encaminhado para a Câmara Municipal da Horta (CMH). Um ano depois, José Fialho ficou surpreendido quando, numa reunião na Urbhorta, soube que aquela entidade nunca tinha tido conhecimento desse trabalho, o que fez com que a APADIF decidisse voltar a remetê-lo, agora para a empresa municipal. “A partir daí, pouco ou nada se fez”, lamenta o responsável.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.11.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário