“Este Orçamento não responde às pessoas que sofrem, nem à economia da Região” porque é apenas a “continuação das políticas, das prioridades e das acções que o Governo Regional tem defendido até aqui, as mesmas que, em vez de abrandarem o caos social, o têm aumentado”, afirmou a deputada do Bloco de Esquerda, que irá votar contra o documento proposto pelo Governo.
O Bloco de Esquerda considera que “são precisas acções imediatas que combatam, de forma rápida, o desemprego. Para isso, urge um plano sério e bem orçamentado de Reabilitação Urbana de espaços públicos e reabilitação urbana privada. Contudo, para além da propaganda, em campanha eleitoral, neste Orçamento, nada vimos”.
Se é verdade que não está ao alcance do Governo Regional impedir a tragédia imposta pelo Governo da República, é preciso exigir ao Governo Regional que cumpra o que prometeu nas últimas eleições regionais: “ser uma barreira às políticas nefastas do governo da República”. Algo que não tem acontecido.
Perante a actual situação de emergência social que se vive nos Açores, o Bloco de Esquerda apresentou uma série de propostas com o principal objectivo de dinamizar o mercado interno e combater o desemprego, nomeadamente, o aumento do salário mínimo regional em 10 euros e o aumento de 15 euros das pensões inferiores ao salário mínimo, a criação de um Plano de Reabilitação Urbana mais abrangente e acessível, e a criação do Rendimento Social dos Açores para apoiar quem, por via da crise, é lançado no desemprego sem acesso a qualquer apoio social. Infelizmente, nenhuma destas propostas recebeu a manifestação de apoio por parte da maioria socialista.
Lamentavelmente, o governo que diz não ter dinheiro para aplicar medidas anticíclicas sérias, é o mesmo governo que coloca 31 milhões de euros no Orçamento para pagar parcerias público-privadas, e ainda se recusa a aceitar a proposta do BE para constituição de uma comissão técnica independente para analisar e renegociar estas parcerias com o sector privado.
Em matéria de negócios pouco claros a deputada do BE realça ainda outras situações: “a saga das derrapagens nas obras públicas, forma de transferencia de dinheiros públicos sem controle para bolsos privados, o pouco claro negócio da ASTA e o ainda mais complicado negócio das energias renováveis”.
“Com os Socialistas, para os poderosos há sempre dinheiro”, concluiu Zuraida Soares.