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15
janeiro

Deputados unânimes em considerar filarmónicas como escolas cívicas

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em Regional
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O Governo dos Açores investiu, em média, nos últimos 10 anos cerca de meio milhão de euros anualmente em apoios às filarmónicas, revelou  o Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura.

Luiz Fagundes Duarte, que falava no debate de um projeto de diploma sobre o apoio às atividades desenvolvidas pelas filarmónicas no arquipélago, frisou que se pretende com estes apoios “valorizar e promover” estas instituições recreativas “de caráter popular, provavelmente mais antigas, mais permanentes e mais intervenientes na vida cultural e social” das ilhas açorianas, sobretudo nos meios rurais.

“As nossas filarmónicas, muitas delas surgidas em meados do século XIX, foram durante muito tempo verdadeiras escolas cívicas, onde, a pretexto da música e além dela, se ensinavam também as primeiras letras a jovens que não tinham acesso à escola e onde se cultivavam os valores da democracia”, salientou Luiz Fagundes Duarte.

O Secretário Regional destacou, por outro lado, a capacidade das filarmónicas açorianas captarem nos dias de hoje a adesão dos jovens, a maior parte dos quais em idade escolar, considerando que, por isso mesmo, “devem ser apoiadas e valorizadas”.

O reconhecimento da valia destas instituições no contexto sociocultural açoriano tem-se verificado no apoio dado pelos sucessivos governos à aquisição de instrumentos e fardamento, na construção ou melhoramento das sedes, no funcionamento das escolas de música e na formação dos músicos e regentes, referiu.

No entanto, acrescentou Luiz Fagundes Duarte, qualquer relação do Governo com as filarmónicas, bem como com os restantes agentes culturais, deve “basear-se no princípio do respeito pela independência”, que considerou ser “condição necessária para que haja liberdade de criação e de atuação”.

Estes apoios deverão estar sujeitos a “um conjunto de condições diferenciadoras que valorizem o mérito, incentivem a criatividade, promovam o dinamismo e convidem à interatividade, de modo a que as filarmónicas que melhor trabalhem se sintam valorizadas e recompensadas e que aquelas que se encontram em piores condições se sintam motivadas para se melhorarem”, afirmou.

 

Neste sentido, o Governo Regional, que apoiou a iniciativa parlamentar hoje aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa de apoio às filarmónicas, tem em discussão pública um conjunto de propostas “mais sistémicas e abrangentes” que se dirigem a todos o organismos de vocação popular, frisou Luiz Fagundes Duarte.

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