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15
janeiro

“Qualquer médico pode prescrever as sessões de fisioterapia”

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em Local
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Os médicos da Unidade de Saúde de Ilha do Faial não estão a prescrever requisições para os tratamentos de fisioterapia após ordem superior. 

Isso tem feito com que vários utentes se tenham dirigido ao Tribuna das Ilhas a reportar a situação que assume dimensões preocupantes na medida em que põe em causa tratamentos essenciais ao bem estar dessas mesmas pessoas. 

A queixa já chegou mesmo à Direcção Regional de Saúde por parte de alguns utentes que tentaram, por conta própria, aferir a verdade sobre este facto. 

O secretário regional da Saúde, Luís Filipe Cabral confirmou ao Tribuna das Ilhas, à margem dos trabalhos da sessão plenária que decorrem na Horta durante esta semana que “a prescrição de actos de fisioterapia, até ao estabelecimento das convenções, mantêm-se tal como está. Qualquer médico pode prescrever as sessões de fisioterapia” - esclareceu Luís Filipe Cabral que anunciou que o Hospital da Horta têm desde o mês passado um médico especialista em medicina física e reabilitação, “que dará assim uma melhor resposta à população”. 

A verdade é que esta contra-informação está a prejudicar os Centros de Fisioterapia do Faial. 

Rui Goulart, fisioterapeuta e proprietário do centro de fisioterapia HortaFisio disse à nossa reportagem que o seu centro teve uma redução de cerca de 25% de utentes desde que esta medida foi implementada pela Unidade de Saúde de Ilha do Faial. 

“Há uma contra-informação que é preciso esclarecer. Alguns dos meus doentes deixaram de aparecer porque não têm requisição e outros, aqueles que têm possibilidades, estão a optar por tratamentos privados” - afirma. 

“A verdade é que a convenção foi publicada, todavia nunca funcionou muito bem, isto é, cada Unidade de Saúde utilizou os seus procedimentos e tivémos, inclusivamente, de entrar em contato com a Unidade de Saúde mensalmente, com o intuito de perceber como proceder” - remata. 

Tribuna das Ilhas falou ainda com Márcio Alberto, fisioterapeuta e sócio-gerente da Click Saúde e Bem Estar - Centro de Fisioterapia que nos disse também na sua empresa se verificou uma diminuição significativa dos utentes.

Este profissional é de opinião de que a informação não é clara e os doentes estão mal informados e a verdade é que esta convenção nunca funcionou. 

Para Márcio Alberto esta contra-informação faz com que vários utentes optem por realizar sessões totalmente privadas, não podendo realizar todas as sessões necessárias, o que compromete os resultados dos tratamentos, bem como os resultados financeiros que uma empresa emergente nesta área está à espera.

Recorde-se que a 22 de março passado este semanário trazia à estampa uma grande reportagem intitulada “Convenções da DRSaúde estrangulam fisioterapeutas” a propósito da aprovação e publicação em jornal oficial de 15 de Fevereiro de 2013 (Despacho n.º 289/2013) do regime de convenções para a prestação de cuidados de saúde na área da medicina física e reabilitação na Região Autónoma dos Açores.

Esta convenção visa regular o relacionamento entre o Serviço Regional de Saúde (SRS) e as entidades privadas registadas e que prossigam actividades de medicina física e reabilitação, mediante adesão, sendo que só é permitida a prestação de cuidados de saúde em entidades objeto de convenção que, entretanto, abrange as sessões realizadas nas entidades aderentes.

De acordo com o despacho, para aderir à convenção, que tem a duração de um ano, as entidades devem, para além de facultar os dados normais, apresentar uma “declaração do director cliníco com especialidade de fisiatria, em como se responsabiliza pela atividade clinica desenvolvida”.

Uma das grandes mudanças da legislação anteriormente em vigor está relacionada com a Cláusula 9.ª que versa o acesso dos utentes aos cuidados de saúde previstos na presente convenção, que, de acordo com o documento, “faz-se mediante requisição emitida por entidade pública ou privada de saúde e devem ser efetuadas pelos médicos da especialidade de medicina física e de reabilitação”, ou seja, pelo Fisiatra.

No caso das ilhas em as unidades de saúde não dispõem de fisiatra nos seus quadros de pessoal, e seguindo as directivas da convenção, “podem os médicos de medicina física e de reabilitação enviar as requisições por e-mail ou fax, após consulta telefónica ou telemedicina”.

 

 

 

 

 

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