O Plano Estratégico da ANA – Aeroportos de Portugal até 2017 não contempla a ampliação da pista do Aeroporto da Horta nem a construção de áreas de segurança, denominadas RESA, naquela infra-estrutura. A informação foi divulgada pelo secretário regional do Turismo e Transportes esta semana e motivou a reação da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH), que esta manhã, em conferência de imprensa, deu conta da sua preocupação em relação a este assunto, para o qual está a tentar sensibilizar não apenas os Executivos nacional e regional mas também a Vinci Airports, entidade proprietária da ANA.
Humberto Goulart lembra que a pista do Aeroporto da Horta é a única em Portugal que não cumpre com os standards previstos no Anexo XIV do Código Aeroportuário ICAO, definido pela Organização da Aviação Civil Internacional, por não dispor de áreas de segurança de fim de pista (RESA), “situação que se arrasta desde 1999”.
O presidente da CCIH lembra ainda que a ampliação da pista do Aeroporto da Horta é “um investimento estruturante para o desenvolvimento económico e turístico”, não só do Faial mas do Triângulo e de toda a Região.
Nesse sentido, os empresários pedem ao Governo Regional que pressione o Governo da República para a inclusão no Plano Estratégico da ANA destes investimentos. A CCIH já deu conta das suas preocupações não apenas aos dois Executivos mas também à Vinci Airports, que em setembro passado adquiriu a gestora portuguesa dos aeroportos.
Em conversa com os jornalistas, Carlos Morais, da Direção da CCIH, lembrou que a ausência de áreas de segurança de fim de pista condiciona a operação dos aviões maiores. Para o empresário, mais do que a ampliação da pista, que implicaria um crescimento de cerca de 500 metros, importa garantir a construção dessas áreas, que pressupõe um aumento de 90 metros para cada lado: “será uma obra de alguns milhões, mas a vida de uma pessoa não tem preço”, entende Carlos Morais, para quem esta lacuna pode abrir porta, no futuro, para que aviões de maior porte como os A319 e A320 deixem de voar para o Faial e, como consequência, a ilha deixe de ter ligações diretas com o continente, o que prejudicaria grandemente as atividades económicas, com destaque para o Turismo.