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07
março

Dia Internacional da Mulher comemorado na Horta

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Publicado em Reportagem

Assinala-se amanhã o Dia Internacional da Mulher. A data é comemorada mundialmente desde 1917. Tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial.

Por todo o mundo a data não é deixada em branco e aqui também será assinalada, desta feita com uma marcha pela igualdade a ter início às 10h30 no Parque da Alagoa e em que toda a comunidade está convidada a participar.

A iniciativa é da União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR, que tem como coordenadora aqui no Faial, Carla Mourão, com quem estivemos à conversa.

“Decidimos não fazer um colóquio mas sim algo aberto à comunidade e em que todos possam participar. O objetivo é dar visibilidade a este dia que, mais do que o Dia Internacional da Mulher, mais do que a defesa pela igualdade de género, importa também focar a não discriminação nas suas várias áreas.“ 

Em paralelo haverá na biblioteca uma mostra de livros relacionados com a temática feminina.

A intervenção da UMAR tem aumentado nos últimos anos. Carla Mourão disse à nossa reportagem que “nos anos de 2012/2013 registamos um aumento do número de mulheres que nos procuram, apesar das queixas apresentadas à Polícia terem diminuído”.

A responsável entende que a morosidade dos processos, e registe-se há processos de divorcio que demoram cerca de 5 anos a ser resolvidos, é o principal entrave à concretização da queixa por parte da vítima.

“O apresentar queixa não é algo que nós impomos às vítimas porque, quando nos procuram, muitas delas já estão no limite, são vítimas de violência há anos, décadas mesmo. Algumas vem com um espirito de “tudo ou nada”, outras já estão no limite e só querem encontrar paz” – refere a profissional que diz também que “estas mudanças não são fáceis”.

 Neste ano a UMAR já atendeu 5 casos novos, sendo que tem entre mãos 55 casos. Destes 55 casos, 13 são utentes da Casa Abrigo da UMAR.

A Casa Abrigo existe com o propósito de albergar as vitimas que, numa primeira fase, não tem meios para subsistir, quer financeiros, quer psicológicos. De acordo com Carla Mourão, “o ideal é permanecerem na casa até 6 meses e depois tentarem uma automatização. Nós tentamos, através de um plano de intervenção, arranjar-lhes trabalho, casa e muni-las de ferramentas emocionais que lhes permitam emanciparem-se”.

O sucesso destes casos passa pelas vítimas serem capazes de ganhar autonomia e organização. A taxa de sucesso é, no entanto, muito baixa porque há muitas vítimas que acabam por regressar ao agressor e voltam a entrar no mundo da violência doméstica.

Para além desta intervenção direta junto das vítimas, a UMAR tem levado a cabo uma série de palestras junto da comunidade escolar porque “as relações de namoro estão a transformar-se e os jovens vivem os afectos sobre a forma de violência, seja ela física ou psicológica.”

 

 

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