O secretário regional do Turismo e Transportes apresentou esta manhã, na Assembleia Regional, o Plano Integrado de Transportes (PIT) dos Açores, projeto do atual Executivo que visa articular transportes marítimos aéreos e terrestres, com vista à otimização dos recursos disponíveis.
Vítor Fraga trouxe ao hemiciclo uma descrição do plano semelhante à que já fez em apresentações públicas em algumas ilhas da Região, no entanto os partidos da oposição não ficaram satisfeitos com as informações trazidas pelo governante.
Aníbal Pires, do PCP, entende que o hemiciclo já deveria ter tido acesso ao documento integral do PIT, posição partilhada por Zuraida Soares, do BE, e por Artur Lima, para quem este plano não passa de “um conjunto de intenções” que já têm 17 anos. O líder do CDS-PP não vê “nenhum proposta viável” no PIT, lembrando, por exemplo, que continua a não ser possível para alguns açorianos sair e regressar à sua ilha no mesmo dia.
O deputado do PPM citou declarações do socialista Lizuarte Machado para fazer ver ao Governo que não se justifica a aquisição dos dois ferries previstos no PIT para o transporte inter-ilhas. Paulo Estevão entende que a taxa de ocupação dos ferries não justifica o investimento.
Também o social-democrata Jorge Macedo considera que os dois novos barcos serão “elefantes brancos” cuja manutenção será extremamente onerosa para a Região. O deputado lembra também que os aviões a operar na Região têm uma taxa de ocupação que ronda os 50% e que os barcos adquiridos para o Triângulo ainda não operam. Jorge Macedo pediu a Vítor Fraga que enumerasse datas para a entrada em funcionamento de algumas medidas previstas no PIT, como o balcão único ou o bilhete intermodal, e lembrou o governante que os açorianos “querem saber quando vão ter passagens mais baratas” para fora da Região. Sobre esta questão, o deputado entende que o Governo Regional quer “pôr as culpas” pelo atraso na revisão das obrigações de serviço público no Governo da República, quando, na verdade, se sente confortável com esta situação “para que a SATA não tenha de se incomodar com concorrência”.
O facto de Vítor Fraga ter recentemente referido o hub da Praia da Vitória como um projeto independente do PIT é, para Macedo, um sinal de que “nem o PIT vai ser concretizado, nem o hub vai ver a luz do dia”.