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28
março

Dia Nacional do Dador de Sangue

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Publicado em Reportagem

No dia 27 de Março comemorou-se o Dia Nacional do Dador de Sangue. Esta celebração teve como propósito recordar e celebrar a atitude abnegatória de milhares de pessoas que, voluntariamente, dão sangue, num gesto capaz de salvar muitas vidas.

Se há anos atrás, os stocks estavam mais do que no verme­lho, hoje, estamos cada vez mais preparados para sermos auto-suficientes. 

 


Para Lina Alvernaz,  “esta é a terceira vez que dou sangue. Já algum tempo que pensava fazê-lo mas, penso que o que aconteceu comigo foi o que acontece com algumas pessoas, fui adiando. Entretanto, os psicólogos juntaram-se numa campanha desta natureza e a partir daí tenho vindo.” Lina conta que “a experiencia tem sido muito positiva. As pessoas são muito simpáticas. É um momento que passa rápido e sentimo-nos muito bem no final.”
Paula Rosa já se esqueceu de há quantos anos dá sangue. Conta-nos, enquanto o equipamento faz a recolha que começou a dar porque o marido já o fazia e porque “nunca sabemos se vamos chegar a precisar”. Quem lhe seguiu os passos, até porque confessa que não tem medo nenhum, foram os filhos e, mais recentemente, a nora. “Na minha casa toda a gente dá sangue. Nunca sabemos o dia de amanhã, e isto não custa nada”.

Já Lídia Martins começou a dar sangue por ocasião de doença da sua sogra, ainda em Lisboa e no IPO. A este semanário conta que “já há cerca de ano e meio que dou sangue aqui no Faial. Recentemente a minha mãe foi diagnosticada com uma doença cancerígena pelo que resolvi voltar a dar.”

Ajudar as pessoas é a sua grande motivação. “O sangue não se cria em mais lado nenhum sem ser no nosso corpo e já que eu sou saudável, gosto de poder ajudar”.

Foi com este espírito de abnegação que fomos encontrar estes e mais dadores na manhã e terça-feira no serviço de sangue do Hospital da Horta.

Ontem, quinta-feira, assinalou-se o Dia Mundial do Dador de Sangue e, em conversa com Filomena Maduro, responsável pelo Serviço de Sangue do Hospital da Horta, ficámos a saber que este serviço já está certificado e apto a fornecer unidades de sangue para as unidades de saúde da ilha do Pico e que, em breve, vai começar a fazer o mesmo em relação à ilha das Flores.

Conseguir disponibilizar sangue para outros hospitais e aumentar o número de dadores jovens é outro dos objetivos deste serviço que existe desde 1988 e que já tem mais de dois mil pessoas registadas.
Cada vez mais os portugueses estão mentalizados sobre a importância de se dar sangue. Isso mesmo demonstram os números do Instituto Português do Sangue (IPS) que revelam, ano após ano, um aumento no número de dádivas.

A grande maioria dos dadores dá sangue uma vez por ano, mas podem fazê-lo mais vezes. Os homens podem dar sangue até quatro vezes por ano, ou seja de três em três meses, enquanto as mulheres podem dar sangue até três vezes num ano, ou seja, de quatro em quatro meses. O ideal era que dessem a cada seis meses.
O sangue continua e continuará a ser necessário e essa necessidade só é colmatada pela doação voluntária que os dadores fazem.

Se é verdade que hoje a situação é boa em comparação com anos anteriores em que o valor das unidades armazenadas era criticamente baixo, hoje há um número que permite ter uma situação controlada. 
É precisamente por este inverter de situação que todos os dias são dias para agradecer aos dadores. São eles que contribuem para o aprovisionamento das unidades de sangue que irão permitir salvar vidas.
Uma situação que também merece a atenção é a participação cada vez maior das mulheres em todo o processo de doação de sangue.

Segundo Filomena Maduro, “as mulheres estão a ter um papel cada vez mais preponderante, o que não acontecia no ínicio.” 
Esta nova postura deve-se a um maior conhecimento por parte da sociedade em geral em relação ao conceito de se ser dador de sangue. Além desta mudança de mentalidade, também as brigadas móveis têm vindo a desempenhar um papel importante, desbravando muitas vezes terrenos mais fechados.

“Uma vez por mês fazemos uma brigada móvel para assegurar os nossos stocks de sangue e, quando necessário, chamamos os dadores ao serviço” – explica a responsável.

“Precisamos cativar os jovens a dar sangue. Em primeiro lugar porque são pessoas saudáveis, e depois porque tem uma longa vida pela frente para poderem dar sangue” – adianta Filomena Maduro.

Não é complicado ser dador de sangue. Os requisitos para se ser dador são simples e abrangem uma grande fatia da população portuguesa pois, basta ser maior de 18 anos ter preferencialmente menos de 65 anos e ser saudável, sem doenças que possam prejudicar a sanidade do sangue a ser doado.

Todo o processo da dádiva demora em média 30 minutos e não deve dar sangue em jejum. Poderá tomar uma refeição ligeira sem álcool e sem gorduras, como por exemplo uma sanduíche e um sumo. Se almoçar, deverá completar as três horas de digestão antes de efetuar a sua dádiva.

De resto, dar sangue é um puro acto de cidadania completamente voluntário. 

 




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