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11
abril

Davide Marcos eleito Presidente do Sporting Clube da Horta - Equilibrar financeiramente o Clube é a principal prioridade

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Reportagem

Fundado a 28 de maio de 1923 o Sporting Club da Horta (SCH) foi em tempos um histórico do futebol na Região. Grandioso e eclético, muitas vezes arrecadou o título de campeão distrital e algumas vezes subiu às competições nacionais.

Nos últimos anos a sua grande aposta tem sido na equipa sénior de andebol, que tem representado os Açores no Campeonato Nacional da primeira divisão, com bons resultados.

À beira de completar 91 anos, o SCH elegeu no  passado mês de março um novo presidente da Direção. Em conversa com o Tribuna das Ilhas, Davide Marcos falou dos seus projetos para os próximos dois anos. Pôr a atual sede no nome do clube, revitalizar o clube  introduzindo mais  modalidades como o futsal, melhorar a formação do Andebol são os seus objetivos, no entanto  a prioridade passa por equilibrar financeiramente o clube.

 

À beira da tomada de posse da nova Direção, agendada para 30 de abril, Davide Marcos tem já uma ideia clara do que pretende para o SCH. Como explicou ao Tribuna das Ilhas, esta não é a sua primeira passagem pelo clube: “sou sócio do SCH há alguns anos e um amante do andebol. Fui atleta do clube, praticante de três modalidades. O SCH foi o único clube onde pratiquei desporto para além do desporto escolar, bem como o Clube Naval”, revela.  Entre 2001 e 2005 foi diretor financeiro dos homens da Eduardo Bulcão, cargo que ocupa desde abril de 2012 e que acumulará com as funções de presidente. Davide Marcos foi também um dos mentores dos atuais Estatutos do SCH, no período de sete anos em que esteve afastado dos órgãos sociais do clube, entre julho de 2005 e abril de 2012.

O presidente revela que o facto de conhecer bem a realidade do clube e estar ciente das suas dificuldades foram os fatores que pesaram na sua decisão de se candidatar. “A minha intenção foi sempre servir nas funções que me estavam incumbidas. Infelizmente, por dificuldades no clube, chegou a hora de avançar para a presidência. As dificuldades são acentuadas e, depois de uma conversa com a minha família e com alguns sócios, achei que poderia dar mais um contributo ao clube assumindo a presidência”, revelou.

A Situação financeira é preocupante

David Marcos assume este cargo consciente das dificuldades que tem pela frente. A situação financeira do clube é, segundo revelou, complicada: “sem ser uma situação grave - ao contrário de outros clubes da Região -, é preocupante porque estando a equipa sénior de andebol na primeira divisão com sucesso e com algum retorno para a Ilha e Região, pode condicionar o objectivo de manter o andebol ao mais alto nível nacional.”

Para o presidente, a situação de aperto que o clube vive resulta de erros do passado, onde não foram cumpridos corretamente os orçamentos, em parte segundo me foi transmitido, também por culpa de promessas não cumpridas, arrastando o SCH para dificuldades financeiras."

Por outro lado, a sua experiência profissional, leva-o a perceber que “quanto mais é financiado o clube, mais adia a resolução dos seus problemas. Houve muito dinheiro que veio das entidades regionais que foi investido nas equipas principais de andebol do SCH, mas parte dele também deveria também,  ter sido investido em ativos do clube”, afirma. 

A participação nas competições europeias de andebol terá também pesado nesta realidade: “em 2006/2007 houve um descalabro financeiro, perdeu-se o equilíbrio de curto prazo e de facto tem sido difícil equilibrar, isto apesar do clube poder contar sempre com bons financiamentos por parte da entidade bancária financiadora”, confessou.

Neste momento, revela o presidente, o clube encontra-se em franca recuperação financeira, no entanto, alerta, “o trabalho está longe de estar terminado. Eu e a minha equipa começamos a ficar satisfeitos, mas não estamos encantados”, salienta.

Atingir estabilidade financeira com recurso a outras receitas 

Davide Marcos entende que os subsídios recebidos ao longo dos anos pelo clube não têm sido devidamente geridos e por isso não permitiram retorno económico desejado. O novo presidente quer inverter esta situação, gerindo o clube com menos dependência de subsídios, o que naturalmente será mais difícil no contexto económico atual. “A palavra investimento no caso do SCH, nem sequer deveria ser equacionada, mas infelizmente a situação faz com que o clube tenha que pensar nela como forma de gerir os riscos, tentando alcançar mais unidades geradoras de caixa alternativas que poderão ser essenciais para a alavancagem do clube que  tem sido sempre feita por via do credito bancário e dos apoios regionais”, afirma. 

Para Davide Marcos este tipo de gestão é comum: “o que aconteceu a todos os clubes de alguma forma, por via do crédito – bancário, foi que  todos nós nos endividamos - estado,  famílias portuguesas,  empresas -  mas isto acabou. O paradigma existente na sociedade é sabermos viver com menos dinheiro”, considera. Marcos recusa desculpabilizar a atual situação do SCH com os cortes nos apoios: “vamos continuar a ter apoio do Governo Regional; a culpa não é das entidades, pois fizeram o seu papel e as verbas foram entrando. O clube tinha a obrigação de ter os orçamentos por época equilibrados”. Considerando mesmo que “ao longo dos anos os clubes tem confundido financiamento corrente com subsídios e apoios ao investimento e à formação das equipas e os sucessivos governos não fizeram nada para ultrapassar isto, nem para explicar aos dirigentes o que é ser auto-suficiente”. 

No entender de Marcos “o desperdício de recursos como tem acontecido no passado nunca deveria ter acontecido como aconteceu numa parte do sector público da região, onde se insere o desporto, porque quem pôe o dinheiro nos clubes, nas empresas deveria estar presente também na gestão.  No caso do Sporting neste aspeto só temos um caminho: melhorar e não desperdiçar recursos, e, de alguma forma,  ajudar os sucessivos governos de uma forma indirecta”, defende.

Hoje, reforça, o problema do SCH não é “o passivo do dia-a-dia, mas sim o passivo estrutural; o acumulado”, por isso não vai entrar em devaneios na preparação da próxima época desportiva. “É óbvio que queremos fazer uma equipa competitiva, porque temos responsabilidades e obrigações com o Governo Regional e com as entidades que nos apoiam mas, no desporto a gestão até pode ser muito qualificada mas se a bola não entra, não funciona. Nos últimos dois anos conseguimos o sexto lugar no campeonato, o que foi inédito. Nesta época, o campeonato ainda está a decorrer e já temos garantida a mesma posição”, lembra.

O novo presidente está satisfeito com os resultado do clube no que ao andebol diz respeito, mas já transmitiu aos seus colegas de direção e é sua intenção transmitir aos sócios “que dificilmente, dadas as restrições de orçamento e financeiras, vamos formar uma equipa equivalente à deste ano”.

Se as condições financeiras sofrerem a evolução desejada, Davide Marcos prevê que no seu segundo ano de mandato possa dar um presente aos sócios e apostar numa equipa de andebol mais competitiva. “Só o faremos se as verbas se proporcionarem, e dois anos é pouco tempo para tanta coisa que há a fazer”, avisa, alertando para o facto do passivo estrutural do SCH não ser recuperável em dois anos.

Gerir o dia-a-dia do clube neste cenário não tem sido fácil, e Davide Marcos destaca o papel do  principal parceiro bancário (CEMAH) nesta tarefa, com quem espera continuar a contar. Com o SCH “quase em regime de Troika”, como refere Marcos, há que encontrar fontes de receita alternativa, até porque os apoios têm diminuído e o clube não sabe sequer para já qual será o seu valor em 2015. O presidente tem já algumas ideias dessas fontes de receita mas prefere não divulgar nesta fase.

 

Leia mais na Edição Impressa do Tribuna das Ilhas de 11 de abril de 2014

 

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