O ser humano tem sido vítima de um sistema criminoso que tem como objetivo, não só destruir vidas mas principalmente ganhar muito dinheiro, falamos das drogas. As drogas têm sido um mal que criou raízes profundas na nossa sociedade e como tal a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) decidiu que a VI SEMANA DOS DIREITOS seria dedicada a este tema.
Vitor Reis, presidente da CPCJ, em entrevista ao Tribuna das ilhas realçou a importância de iniciativas como esta, com as quais se consegue chegar mais ao público, principalmente às crianças, que neste caso, são o seu público alvo.
Explicou que “o que interessa é que estas iniciativas chamem a atenção da comunidade no seu todo, não só para os direitos mas também para os deveres de todos e das crianças”.
“A CPCJ reúne esforços no sentido de não acabarem com este tipo de iniciativas, nomeadamente, a Semana dos Direitos, porque também é uma forma das crianças interagirem com o resto da comunidade, dando-lhes oportunidade, por exemplo, de irem ao Parlamento Regional, e aí, dizerem o que lhes vai na alma” - referiu o presidente.
A escolha deste tema foi feita no seio de uma equipa que é constituída por elementos da Instituição e surgiu, sobretudo, porque no início de 2013 o Faial se encontrava numa fase de alto consumo das ditas “drogas legais”. “O consumo destas substâncias era fácil e abusivo, e o “leque” de drogas legais vasto, no entanto contêm elementos muito nocivos, tendo mesmo no ano passado levado meia dúzia de crianças às urgências da nossa ilha”, o responsável pela CPCJ sublinha “esta meia dúzia de casos, foram os que tivemos conhecimento, acredito que tenham acontecido muitos mais”.
Questionado sobre o porquê do grande enfoque na comunidade escolar, Vitor Reis explicou, que se deve à “necessidade de preparar e alertar as crianças e os jovens para o futuro que já está aí próximo. As famílias não estão despertas o suficiente para este tipo de problemática: drogas, álcool, tabaco e café, são todos vícios que nos podem causar dependência, tudo produtos que os jovens adquirem facilmente, consomem com a maior das normalidades e a tendência é banalizar este tipo de consumo, como por exemplo, a canábis, não está liberalizada mas é quase como se estivesse, porque hoje em dia, é consumida com a maior das facilidades e por aí, na rua, na escola; e por muito que diversas entidades se esforcem para acabar com os consumos e com os tráficos, há sempre novas formas de adquirir e há sempre novas formas de consumir”, relatou o responsável.
Em relação ao elevado consumo de drogas por parte dos jovens, Reis insiste que “isto não é só por culpa das entidades, mas também pelo nosso meio habitacional, se por exemplo, vemos um vizinho que é menor a consumir, se calhar viramos costas e vamos tratar do nosso jardim e nem nos preocupamos com isso. As pessoas, infelizmente, ainda não têm esta cultura de denunciar, porque depois poderão haver represálias, é provável também que seja culpa das entidades que deveriam proteger as testemunhas mas não o fazem. Daí também este “deixa andar que o problema é dele” reiterou o presidente da CPCJ.
Confrontado com este problema, afirmou ao nosso jornal “não quero assustar as pessoas, mas, neste momento, cerca de 50% da população estudantil consome drogas. A CPCJ todos os dias tenta combater esta percentagem em parceria com as escolas, que têm sido um apoio impressionante. Tentamos sensibilizar todos os dias jovens, principalmente entre os 10 e os 12 anos, e sobretudo aqueles que achamos que poderão transmitir um alerta para os que estão a iniciar os consumos”.
Quanto à receptividade dos jovens em relação a esta iniciativa, Vitor Reis afirmou ter sido muito boa, das melhores a que já teve oportunidade de assistir, provavelmente pelo tema, que continua a chamar bastante a atenção, “os jovens também querem saber o porquê deste problema, porque é que as pessoas consomem, porque é que existe tanta coisa e porque é que não se acaba com isto… este entusiasmo é bom, porque mostra que os jovens estão despertos para esta problemática, não querem usar estas iniciativas como “truque” para depois consumir, percebem que isto é um problema sério e, de alguma maneira, acabam por passar a mensagem, aos que se interessam pela negativa por este tema, de que esta não é uma boa escolha” esclareceu o responsável.
Vitor Reis considerou que esta foi uma intervenção um pouco precoce, mas que teve de ser implementada, pois considera imperativo mudar ideias e atitudes, sublinhando que “muitas das vezes não sabemos como responder a certos casos e necessitamos de 2/3 dias de análise do caso, para perceber qual será a melhor forma de intervir, porque cada caso é um caso”.
No entanto, a ideia a reter é que esta geração mostra-se bastante preocupada com as toxicodependências, querem estar informados e o mais importante é que entidades como a CPCJ lhes passem o maior número de informação.
Vitor Reis, insiste “há toxicodependência dentro das escolas, há consumos, há prostituição infantil no Faial! Não podemos esconder isto da comunidade, porque a comunidade é que nos ajuda na resolução destas dificuldades, a nós instituições (PSP, CPCJ, Tribunal, Ação Social), e se a comunidade não estiver desperta para o assunto isto não vai parar, e como é óbvio, é preciso informar a comunidade faialense para que esta possa intervir de forma ativa na extinção destas situações”.