Numa iniciativa do Núcleo do Faial do SOS Amamentação, decorreu no passado dia 7 de junho, uma palestra intitulada “Nascer bem, o melhor princípio”.
Esta palestra contou com uma intervenção pelo enfermeiro António Ferreira (Enfermeiro Especialista de Saúde Materna e Obstetrícia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Maternidade Dr. Daniel de Matos e formador na área do Aleitamento Materno).
Seguiu-se uma mesa redonda com debate versando temas como “Humanização do nascimento no caminho da personalização dos cuidados à dupla mãe-bebé”.
De acordo com a organização este evento teve como objetivos promover o conhecimento e discussão de temas como “a individualização, respeito e personalização de cuidados à mulher nos diferentes ciclos da vida gestacional; o nascimento como um evento seguro, promovendo competências e saberes em conciliação com ambiente favorável e consciencialização materna; a tomada de decisão nos cuidados dirigidos às grávidas assente nas evidências científicas; o empoderamento feminino, o resgate do nascimento e o início favorável da amamentação”, junto dos cidadãos e entidades.
Na palestra de sábado, que contou com a presença de várias grávidas, António Ferreira frisou a importância da humanização do parto. No entender deste responsável, “humanizar o parto é dar voz às mulheres, uma vez que os novos procedimentos na obstetrícia transformaram o parto em algo medicado, automatizado e isso fez com que a “tal beleza” relacionada com este momento acabasse por se desvanecer”.
António Ferreira entende que “os procedimentos padrão que foram adoptados muitas vezes não são os mais adequados a todas as mulheres. Neste momento são os profissionais que impõem as regras às grávidas e, apesar de ser sempre necessário um acompanhamento profissional, é preciso ter em linha de conta que o que para A pode ser importante, para B pode não ter qualquer relevância. Cada caso é um caso”.
Atendendo a que nos Açores ainda não é pratica comum o parto domiciliário, António Ferreira diz que “uma das formas das mulheres grávidas tornarem o seu parto mais humanizado é fazerem um plano de parto onde expõem à equipa médica que as acompanha, as suas necessidades. Este plano deverá ser discutido por ambas as partes, por forma a assegurar que questões como a saúde da mãe e da criança não são de alguma forma condicionadas ou postas em causa”, e adianta que “este plano de parto deve acima de tudo, salvaguardar que no final de todo o processo, a mulher tenha uma imagem boa do parto e não traumatizante”.
Ana Braia, enfermeira chefe do serviço de obstetrícia do Hospital da Horta, revelou aos presentes que o serviço de obstetrícia já tem colocado em prática os planos de parto que lhes é apresentado.