Um estudo publicado no início do mês na revista Nature Communications revela que as jamantas mergulham regularmente a profundidades batiais, ao contrário do que se pensava.
De acordo com informação disponibilizada no site do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, até hoje considerava-se a jamanta como um habitante de águas superficiais, todavia, esse dado foi contrariado na sequência de uma investigação resultante de uma colaboração entre investigadores do grupo de biotelemetria do IMAR – Universidade dos Açores e do Woods Hole Oceanographic Institution (EUA).
A equipa usou marcas de satélite para documentar as migrações de 15 jamantas entre o arquipélago dos Açores e a zona oceânica subtropical ao largo da costa noroeste de Africa, durante vários meses.
Os dados revelaram mergulhos frequentes até profundidades de quase 2 km – entre os maiores alguma vez medidos para um animal marinho - onde as temperaturas da água atingem os 3°C. Durante o dia, as jamantas passam mais tempo à superfície exactamente antes e logo após os mergulhos profundos, presumivelmente para aquecerem ao sol, o que lhes permite efectuar mergulhos mais longos.
Para além de oferecer uma explicação para a existência do elaborado sistema de conservação de calor nas jamantas, este comportamento vertical revela um elo importante entre as camadas superficiais e as mais profundas do oceano.