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13
agosto

Maria Gaspar edita “Nas Asas do Corvo” e “Amor na Baía Azul”

Escrito por  Tatiana Meirinho
Publicado em Entrevistas

Maria Gaspar, escritora faialense, publicou o seu segundo livro “ Nas Asas do Corvo “ no passado mês de maio. Residente em Fátima, Portugal continental, a escritora inspira as suas histórias nas belas ilhas açorianas. 

Maria Gaspar é o heterónimo utilizado por Nádia Sousa para apresentar as suas obras.

 
Como surgiu o gosto pela escrita?
Desde pequenina que tive sorte com as minhas professoras. Na primária, a professora Noélia já nos incentivava à leitura numa altura em que não havia planos nacionais de leitura, nem se falava muito na importância da mesma. No quinto ano tive como professora de português a Srª Felicidade Neves que fez o primeiro elogio a um texto escrito por mim. Neste seguimento, emprestou-me o romance "o meu pé de laranja lima". Foi o primeiro romance que li e apaixonei-me pelas aventuras daquele rapazinho irrequieto e engraçado. A partir daí desenvolvi primeiro o gosto pela leitura e só depois a vontade de transmitir aos outros aquilo que recebo no aconchego de um bom romance paginado.
 
O romance é o seu género predilecto, porquê?
Gosto de livros, literatura, escritos de uma forma geral. Sou apaixonada pela poesia de Fernando Pessoa. Mas é realmente num bom romance que encontro maior satisfação. Quando olho uma pessoa sozinha com um livro nunca vejo uma pessoa solitária. Um leitor sorri, ri, chora, rói as unhas, sofre de ansiedade e por vezes até sente a mágoa, a paixão, ou mesmo a dor dos personagens durante o desenrolar de uma história. E é nos romances que eu encontro este estímulo que me suscita sentimentos. Fala-se muito em liberdade…Existem frases lindas a promover o sentimento de liberdade... Mas é quando estou presa num bom romance que sinto maior liberdade. É enredada numa boa história que sinto que tudo me é permitido. Num livro posso amar desenfreadamente, odiar de morte, ser invejosa ou calorosa. Posso permitir-me a sentimentos e devaneios pouco nobres sem críticas ou preconceitos. Tal como posso integrar actos grandiosos e generosos. Num livro tudo é permitido e num romance tudo é sentido.
 
Já tem dois livros editados, e pelo menos mais dois escritos, para quando a edição em papel?
Se dependesse de mim já estariam todos editados! Mas já dizia a minha avó " a pressa é inimiga da alma". O primeiro livro que editei, tinha pouca experiência e muita pressa. Queria muito ver editado o meu romance que tem como cenário de fundo a minha ilha. Precipitei-me e consegui que o romance "Amar na Baía Azul" ficasse disponível apenas na internet e de forma muito restrita. Também não consegui um bom preço de venda ao público (22€). Com um pouco mais de calma já consegui um melhor contrato para o segundo romance "Nas Asas do Corvo" que fica disponível em Portugal nas lojas FNAC, BERTRAND, no Brasil nas Livrarias Saraiva e on-line nos sites mais conhecidos. Consegui também um bom preço de venda ao público (14€). Para os outros livros já tenho propostas que ainda não me agradam completamente. Vou com calma e a partir de agora vou sem pressa.
 
Como surgiu a possibilidade de editar os livros?
Eu sou muito desorganizada e a forma que encontrei para me organizar na escrita foi através do meu blogue lendomariagaspar.blogspot.com/. Comecei a publicar capítulo a capítulo dos meus livros e os leitores começaram a surgir e algumas propostas de edição também. No entanto, estipulei o não pagamento da minha parte para edição de livros, porque já o fazia de forma satisfatória e gratuita no blogue. Assim a Corpos Editora apresentou-me a primeira proposta sem representar qualquer custo de edição para mim e assim publiquei o primeiro romance. Quando comecei a procurar propostas de edição para os outros livros queria para além da exigência de não haver custos suportados por mim que o preço de venda ao público fosse mais baixo. E neste seguimento o chiado editor apresentou-me a proposta ideal. O preço do livro é de 14€ e fica disponível nos lugares que já mencionei. Agora vou continuar a procurar as melhores formas de publicação para os outros livros.
 
Qual a sua fonte de inspiração?
Eu gostava muito de ter uma resposta muito pomposa e bonita para esta pergunta. Mas a verdade é que encontro inspiração nas coisas mais corriqueiras que possam imaginar. Quando não estou a ler gosto de observar desconhecidos e pelo olhar, semblante ou atitude imaginar uma vida à volta dessas pessoas. Por vezes faz-se um clique e “voilá”... Encontro uma boa personagem. Foi mais ou menos assim que encontrei a minha Vanda, a personagem principal do novo romance. Sentada num café reparei numa menina mulher com um rosto muito bonito, mas fechado. Tinha um olhar triste, mas a postura de uma rainha e durante vinte minutos imaginei uma vida que a tivesse conduzido àquela atitude educada, mas fria, uma vida que lhe tivesse transformado um cumprimento caloroso num meio sorriso gentilmente forçado. E tinha a minha Vanda criada. Depois foi só trabalhá-la. Quando menos espero encontro qualquer coisa que me fica enterrada na memória até soltá-la na escrita.
 
Escreve muito sobre as ilhas, e todos os seus livros se passam numa das ilhas do nosso arquipélago?
A saudade é um forte estimulante! E as saudades que tenho da minha terra criaram esta necessidade de contacto constante e permanente. O sentimento que tenho pelas minhas ilhas é o mais fácil de transmitir nos meus romances. O primeiro romance publicado "Amar na Baía Azul" tem como cenário a ilha do Faial. O segundo romance publicado "Nas Asas do Corvo" tem como cenário a ilha do Corvo. O terceiro romance Na Base da Montanha tem como cenário a ilha do Pico e este último romance que ainda estou escrever, apesar de ter como cenário principal Lisboa e Tomar, tem sempre uma ligação ao longo da história com a ilha do Faial. A verdade é que gosto muito de exibir os Açores e eu tenho a sorte de poder descrever de forma conhecedora um dos lugares mais bonitos do planeta.
 
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