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22
agosto

A celebrar 5 anos - Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos anseia pelo Museu

Escrito por  Jessica Pinto Vargas
Publicado em Local

O Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos, um movimento criado há cinco por antigos cabografistas, com o objetivo de preservar o espólio e a memória do tempo dos cabos submarinos na Horta, elaboraram um Plano Museológico para a Trinity House.

O Grupo está indignado com a falta de empenho por parte das entidades governativas competentes em preservar este património, por isso é sua intenção apresentar o documento ao Governo Regional, durante o 6.º colóquio “Património do Cabo Submarino da ilha do Faial”, que decorre hoje no Auditório da Biblioteca Pública João José da Graça

A história dos Cabos Submarinos na Horta começa, quando em 1893 é amarrado o 1.º cabo na praia da Conceição. Com ele chegaram companhias cabografistas de nacionalidades americana, inglesa e alemã e os seus trabalhadores.

Cá se instalaram, construindo casas e edifícios emblemáticos que ainda hoje dignificam a cidade da Horta. Por cá ficaram até ao fecho das estações em 1969.

Desta sua permanência resultou uma influência na nossa sociedade não só a nível social, como cultural e desportivo.

Em 1928 já estavam concentrados na Horta quinze cabos telegráficos submarinos ligados à América, Europa e África. Assim, e durante 70 anos, o Faial tornou-se no maior centro de comunicações de cabos submarinos no mundo, unindo e globalizando informações variadas, muitas de elevada importância, como foi exemplo as Guerras Mundiais.

Esta história dos Cabos têm-se revelado de grande importância pelo facto de ter tornado a Horta no elo de comunicações a nível mundial. No entanto, o seu reconhecimento é recente.

Foi em 2009, com a “descoberta” de um conjunto de materiais e equipamentos guardados há dezenas de anos, e recuperado por um grupo pessoas, entre eles, alguns antigos cabo-grafistas, que se percebeu que esta época da história não podia ser deixada de lado.

Para este grupo era urgente que esta parte da história fosse conhecida e reconhecida por todos. Foi assim que teve início o sonho, a criação do Museu do Cabo Submarino, sonho esse que até hoje se mantem.

Com o intuito de recuperar e dar a conhecer o património dos cabos submarinos, o Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos (GAHCS) iniciou um movimento cívico com o objectivo de mostrar às entidades e à sociedade em geral a importância de todo este espólio e de fazer surtir a vontade de preservar aquilo que permitiu, noutro tempo, que a nossa cidade tivesse grande importância a nível mundial.

Desde então muito se tem vindo a fazer, desde estudos, colóquios, exposições, publicação de obras, recuperação de equipamentos, entre outros.

No entanto, segundo este grupo o principal está ainda por fazer, ou seja, imortalizar a época que colocou os Açores no mapa mundial das comunicações.

No entender deste grupo, a criação do museu, ou núcleo de museu, não só daria a conhecer os equipamentos tecnológicos daquela época, como mostraria a evolução das comunicações até hoje, partindo daquele ponto fulcral que foi a instalação dos cabos submarinos na cidade da Horta em 1893.

A intenção dos Amigos dos Cabos Submarinos não é que este museu seja um espaço estático mas sim dinâmico, mostrando aquilo que foi a base da nossa tecnologia atual e a sua respetiva evolução ao longo dos anos para que não se pense que a era dos cabos submarinos acabou, mas sim continua a existir, basta olhar para rede de cabos submarinos existente no atlântico.

Outro dos aspetos importantes que viria a ser mostrado no museu é todo o espólio imóvel, deixado pelas companhias, que hoje estão transformadas em estâncias  e secretarias, como é exemplo o Werstern Union (atual Fayal Resort Hotel), o Cedars House (hoje residência oficial do presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores), a Fredónia (Creche e Infantário “O Castelinho”) ou o Waldorf (antiga casa do director da companhia inglesa onde funciona a Delegação de Desportos da Ilha do Faial).

A localização do museu, por sua vez, seria no “operating room” da Trinity House, onde se situa o ginásio da Escola Básica Integrada António José de Ávila.

Estas ideias foram apresentadas em conferência de imprensa, realizada na manhã de terça-feira, na Waldorf, que contou com a presença dos membros do Grupo de Amigos dos Cabos Submarinos.

Na ocasião estes elementos fizeram questão de fazer um balanço do que já foi feito até agora e criticaram a postura das entidades governativas para com este assunto, que acusaram de falta de empenho.

A este respeito o GACS levantou ainda várias questões relativas à criação deste museu, nomeadamente, o tempo de demora, tanto a nível do reconhecimento daquele património histórico, como a nível da atuação, por parte das entidades governativas e o facto de a criação do museu ter vindo a ser alvo de discussão na ALRAA e de terem sido feitas promessas ainda não compridas.

No entanto, o GAHCS considera que o percurso feito ao longo dos últimos 5 anos é positivo.

Realçando a importância dos cabos submarinos do Faial, lembraram que este assunto foi objeto de crítica científica na tese de doutoramento de Carlos Lobão, um dos membro do Grupo dos Amigos dos Cabos Submarinos.

Em agenda ficou a apresentação do plano museológico para a Trinity House, pelo Grupo de Amigos dos Cabos Submarinos ao Governo no decorrer 6.º colóquio “Património do Cabo Submarino da Ilha do Faial”.

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