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03
outubro

Mulheres faialenses cada vez mais conscientes sobre o cancro da mama

Escrito por  Alexandra Figueiredo
Publicado em Local

O programa de rastreio de cancro da mama esteve a decorrer na ilha do Faial de 12 de agosto a 30 de setembro. Esta é a 3.ª volta deste programa na ilha.Destinado a mulheres dos 45 aos 74 anos, este programa consiste na detetação precoce desta patologia oncológica, através da realização de mamografias gratuitas, a fim de reduzir a mortalidade.

 O Rastreio Organizado de Cancro da Mama nos Açores (ROCMA) foi criado no final de 2008 e teve o seu início em 2009 por iniciativa do Governo dos Açores em coordenação com Centro de Oncologia dos Açores.

No Faial, a Unidade Móvel esteve situada, ao longo do último dia, no Largo do Infante, onde recebeu mulheres de todas as freguesias.
O coordenador geral dos programas de rastreio, Raúl Rego, do Centro de Oncologia dos Açores, em declarações ao Tribuna das Ilhas, garantiu que o ROCMA está dotado com os melhores equipamentos a nível europeu. Tem dois mamógrafos extremamente recentes, cuja “radiação é reduzida em 40% daquilo que é habitual e tem muito mais qualidade de imagem”.
Os Açores têm duas unidades móveis, ambas oferecidas pela associação “Laço”, no valor de meio milhão de euros, “por simpatia ao programa ROCMA” referiu o coordenador. 
“Uma das unidades móveis foi lançada em agosto de 2010 na Horta, apresentando o 1.º equipamento de tecnologia de ponta da Europa” ressalvou o responsável. Cada Unidade Móvel dispõe de duas Técnicas de Diagnóstico e Terapêutica.
Raúl Rego assumiu que “o nosso objetivo é levar a caravana junto das pessoas, no entanto, as suas caraterísticas não permitem que se desloque de freguesia em freguesia, pois a logística tem de ser muito precisa” esclareceu.
No que diz respeito à adesão por parte das mulheres faialenses e açorianas, Rego, revela que “as mulheres dos centros urbanos aderem menos que as da periferia, notando-se que na faixa etária dos 45 aos 60 anos existe uma taxa de adesão bastante superior em relação às mulheres com idades entre 60 aos 74 anos”.
Na 1.ª volta (rastreio realizado de 2009 a 2010), a ilha do Faial, teve uma taxa de participação de 59%, e na  2.ª volta (de 2011 a 2012) essa taxa foi de 69.4%. Nesta 3.ª volta o objetivo é ultrapassar os 65%, o que será confirmado mais tarde.
Nesta 3.ª volta (rastreio de 2013 a 2014) foram convocadas cerca de 2800 mulheres.
Nos Açores, de 2009 a 2012, foram detetados na 1.ª volta 73 casos de cancro e na 2.ª 66.
Segundo Raúl Rego “a taxa de aferição baixou, o que é ótimo! Passou de 9.73%, na 1.ª volta, para 5.7% na 2.ª, por isso para esta 3.ª volta esperamos que ronde os 3.5%”.
Nos Açores, são detetados cerca de 130 casos de cancro da mama por ano, sendo que o número de mortes devido a este cancro ronda os 40 casos anuais. 
O objetivo do ROCMA é diminuir o número de mortes por cancro da mama na mulher, detetando precocemente a doença através da mamografia.
Todas as mulheres, com idades compreendidas entre os 45 e 74 anos, são convocadas, por carta, para fazer a mamografia, de dois em dois anos. Essa mamografia é estudada por dois radiologistas, em separado, e existindo incompatibilidade na leitura, entra em cena um 3.º médico que decide o resultado. No caso de existir alguma suspeita, a mulher é chamada para uma consulta clínica de aferição no Hospital, poucos dias depois.
No entanto, de todas as que apresentam alguma suspeita, em apenas metade é diagnosticado cancro. Desses diagnósticos a maioria dos cancros ainda é precoce o que representa uma elevada taxa de cura.
As mulheres para quem o resultado é o mais desagradável, Raúl Rego garante que “o Hospital da Horta tem equipas muito aptas e especializadas nesta área do cancro da mama, tanto na parte da aferição como na parte cirúrgica” realçando que estão nas mãos de grandes profissionais de saúde.
O ROCMA é implementado e coordenado pelo Centro de Oncologia dos Açores Prof. Doutor José Conde, de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, em parceria com os Centros de Saúde, Hospitais, a Secretaria Regional da Saúde, a Direção Regional da Saúde e a Saudaçor.
Os responsáveis recomendam a todas as mulheres que façam, pelo menos uma vez por mês, no banho, deitadas ou em frente ao espelho, o auto-exame da mama, na semana seguinte ao período menstrual. O processo de auto-exame é extremamente simples: coloca-se uma mão atrás da cabeça e, com a outra, apalpe a mama do lado oposto. Depois é só trocar as mãos e fazer o mesmo do lado oposto. Devem ser feitos movimentos verticais suaves, para cima e para baixo; movimentos circulares, de periferia ao mamilo; e movimentos verticais, vaivém da periferia ao mamilo. Se verificar alguma alteração a mulher deve procurar o seu médico.
 
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