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09
outubro

Canyoning no Faial está a crescer

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Local

O canyoning é uma atividade desportiva e de lazer que conjuga a natureza com a aventura e que consiste na exploração progressiva de um rio ou ribeira, transpondo obstáculos verticais, através de diversas técnicas e  equipamentos, semelhantes aos utilizados no rapel. Este desporto surgiu no final da década de 70 na Europa, mais precisamente na França e na Espanha. Em Portugal foi na década de 80 que deu os primeiros passos. Apesar de ser uma atividade relativamente recente, mostra já um grande potencial de desenvolvimento desportivo, lúdico e turístico, que está a  atrair cada vez mais simpatizantes. No Faial esta modalidade já tem adeptos. Carlos Pinheiro é um dos praticantes do canyoning na ilha e falou ao Tribuna das Ilha das suas experiências

 Aventura, emoção e adrenalina são os adjetivos que melhor podem caraterizar o canyoning, uma modalidade que, através do contacto permanente com a natureza, consegue transmitir ao praticante uma sensação de total liberdade.

No Faial, a modalidade está em crescimento, é praticada nas ribeiras existentes e conta já com alguns adeptos.

Neste momento, existem na ilha oito ribeiras identificadas para a prática da modalidade, que registam quatro níveis diferentes de dificuldade. São elas a Ribeira do Abreu, a Ribeira da Corte (afluente da ribeira dos Flamengos), a Ribeira do Cabo (terminando na zona do Varadouro), a Ribeira do Serrado Novo (na Fajã da Praia do Norte), a Ribeira das Cabras, na costa noroeste e  a Ribeira de Santa Bárbara, na costa norte.

Carlos Pinheiro, fotógrafo de profissão, sempre gostou de praticar desporto e foi no canyoning que encontrou a sua ocupação para as tardes de inverno.

O praticante conta que o seu primeiro contacto com a modalidade foi em 2011, através de um amigo do continente.

Desde essa data que pratica regularmente esta atividade, nas ilhas do Faial, São Jorge e Flores. Já participou em várias formações, faltando-lhe apenas um nível para se tornar guia credenciado de canyoning.

Na Região estas formações têm sido promovidas pelo Turismo dos Açores em parceria com a Associação Desnível, creditada para o efeito.

Na opinião de Carlos Pinheiro e tendo em conta a sua experiência pessoal, “no Faial existem muitas pessoas interessadas em praticar esta modalidade”. O número de adeptos está em crescimento e há perspetivas no mercado turístico local, no entanto considera que a “ilha possui um mercado muito pequeno e esta é ainda uma atividade pouco divulgada”.

No ponto de vista do praticante, um fator condicionante à prática deste desporto de aventura prende-se com o facto de só haver água nas ribeiras durante o inverno. “Temos umas ribeiras engraçadas e simpáticas com alguns níveis de dificuldade, mas que de verão não têm água e é nesta altura que temos mais turistas”.

No Faial, embora a modalidade já se pratique há algum tempo, ainda não existe nenhuma empresa credenciada para a prática do canyoning. Segundo Carlos Pinheiro, “só o mercado local não apresenta condições suficientes e de sustentabilidade para abrir uma empresa especializada nesta área”, revela, salientando que, na sua opinião, a existir uma empresa com essas características, esta teria de abranger outras ilhas. “Temos a grande vantagem de estarmos no Triângulo e não sendo possível realizar a atividade aqui, temos sempre a opção de nos deslocamos à ilha de São Jorge. Com as condições de transporte que possuímos atualmente esta seria uma boa opção”, afirma.

Para Carlos Pinheiro, para a modalidade crescer na ilha, seria necessário conjugar esforços, juntamente com entidades governamentais que desenvolvessem sinergias ao nível da sua divulgação. A pratica do canyoning, sendo bem implementada, pode revelar-se mais um instrumento a explorar pelas empresas de Animação Turística ao nível do turismo, defende.

Como nas outras modalidades, são necessários equipamentos de segurança idênticos aos utilizados no rapel e ao nível vestuário é aconselhável o uso de fato, luvas e calçado de neopreme.

A prática de canyoning a um nível elementar é bastante acessível, no entanto não está isenta de riscos. Os perigos resultam essencialmente da dificuldade de evacuação e do risco de queda e entorses resultantes do facto do terreno ser muito irregular e escorregadio. Nos percursos mais difíceis, os perigos estão mais relacionados com a dificuldade técnica em montar os rapeis, descer por cascatas de grande caudal, a fadiga e a hipotermia.

O canyoning é uma modalidade que todos podem praticar, independentemente da idade, desde que possuam aptidão física.

Flores recebeu I Encontro Internacionalde Canyoning nos Açores

Decorreu de 28 de setembro a 3 de outubro de 2014, na ilha das Flores, o I Encontro Internacional de Canyoning nos Açores, organizado pelo Turismo dos Açores em parceria com a Associação Desnível. Este evento destinou-se à divulgação do potencial dos Açores para a prática do canyoning e constituiu uma oportunidade para troca de experiências com a comunidade internacional de praticantes.

Destinado essencialmente a praticantes em autonomia, o evento recebeu ainda praticantes não autónomos na modalidade no total de cerca 120 participantes de diversas nacionalidades, desde alemães, franceses, americanos, austríacos, espanhóis e gregos a participantes nacionais e regionais.

A localização dos Açores e o seu clima tornam algumas das nove ilhas lugares com ótimas condições para a prática desta atividade. Santa Maria, São Miguel, Terceira, São Jorge, Faial e Flores são as ilhas que apresentam mais condições para o desenvolvimento do canyoning, sendo esta a região do País com mais ribeiras equipadas. Nas mais de 100 ribeiras já equipadas é possível encontrar descidas para os de diferentes graus de dificuldade para praticantes com diferentes níveis de formação e de experiência, sendo que as ilhas das Flores e de São Jorge as que apresentam as ribeiras com desafios maiores para amantes desta atividade.

Lançado Guia de Canyoning dos Açores

No âmbito deste I Encontro Internacional de Canyoning nos Açores, foi lançado o Guia de Canyoning dos Açores em bilingue, no qual consta toda a informação sobre os mais de 100 locais onde se pode praticar canyoning nos Açores .

 O guia é da autoria de Francisco Silva, coordenador da seção de canyoning da Associação Desnível, em conjunto com Maria do Céu Almeida e Paulo Pacheco (um dos primeiros canyonistas da região e coordenador da seção açoriana da Desnível).

 

 

 

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