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17
outubro

Submersível Lula 1000 descobre maravilhas do mar profundo

Escrito por  Alexandra Figueiredo
Publicado em Local

 A Fundação Rebikoff-Niggeler sediada na Horta tem como principal objetivo proceder à documentação do mar profundo, construindo dois submarinos para o efeito. 

O  Lula 1000, constitui um dos dez submersíveis científicos do mundo que descem à profundidade de 1000 metros. O LULA1000 tem capacidade para três tripulantes e está a ser usado em projetos de 
documentação e pesquisa de espécies do mar profundo, no Arquipélago dos Açores.As descobertas que tem protagonizado ao longo dos anos denunciam a importância de uma gestão sustentável da plataforma continental Portuguesa e dos seus recursos marinhos.
Desde 2012 que a equipa da Fundação Rebikoff-Niggeler (FRN) tem mergulhado com o submersível LULA1000, o único do género que mergulha em Portugal, em múltiplos habitats do mar profundo dos Açores desvendando e mapeando ambientes marinhos até então desconhecidos. 
Um dos principais objetivos da Fundação passa pela  caraterização das comunidades marinhas das encostas das ilhas e montes submarinos da região.
No ano passado, a tripulação do LULA1000 descobriu um recife de corais no Mont´Ana (canal Pico-Faial), cujo aspeto é semelhante a um recife tropical atendendo à sua estrutura tridimensional de carbonato de cálcio e forte coloração amarela. Este habitat é o primeiro deste género a ser identificado no mar dos Açores e tem sido, desde então, objeto de estudo pelo o LULA1000 por parte de várias equipas de investigação, mas também de monitorização por parte da Fundação. 
“Com este esforço pretende-se conhecer melhor este ecossistema marinho vulnerável e fornecer ao Governo dos Açores informação detalhada para a promoção de medidas de conservação adequadas” revela a Fundação. 
Mais recentemente foi identificada uma “zona de maternidade” de uma espécie de raia de profundidade considerada ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) numa área rica em biótopos vulneráveis de esponjas e corais. 
Esta descoberta torna-se importante uma vez que as raias são espécies vulneráveis à pesca devido ao seu grande porte, crescimento lento, e idade de primeira maturação tardia e ainda porque das mais de 250 espécies distribuídas por todo o mundo, “apenas seis foram encontradas até ao momento nos Açores”.  
Kirsten Jakobsen refere que: “em centenas de mergulhos que já efetuámos, nunca tínhamos de facto observado um local como este” chamando a atenção para a extraordinária abundância de cápsulas ovígeras por metro quadrado no local, que despertou o interesse de especialistas internacionais.
Kirsten reforça ainda a importância desta descoberta quando se sabe tão pouco sobre os fatores que influenciam os padrões de distribuição destes elasmobrânquios e quais são os seus habitats preferenciais ao longo da vida. “Acreditamos que estes novos dados serão bastante úteis para políticas de gestão e recuperação deste recurso pesqueiro com vista à conservação das populações existentes no Nordeste Atlântico”.
As observações efetuadas durante os mergulhos do LULA1000 coincidem com resultados já publicados internacionalmente e alertam para o facto de algumas das comunidades de corais mapeadas apresentarem sinais claros de danos físicos causados pela pesca com palangre de fundo. 
A Fundação tem contado com a colaboração da especialista em corais de profundidade Andreia Braga Henriques.
Entretanto, as missões realizadas nestes últimos meses têm contado com a participação de equipas de reportagem e produção de diversas estações televisivas que procuram a Fundação e os Açores com o objetivo de recolher imagens marinhas únicas e de elevada resolução para disseminação ao grande público através de documentários de ‘Natureza e Vida Animal Selvagem’. 
As novas descobertas contribuem com informação geo-referenciada para o apoio de políticas de gestão e conservação de habitats no nordeste Atlântico, no âmbito de um protocolo de cooperação lavrado com a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia em 2011. 
A Fundação tem ainda trabalhado em conjunto com a  Universidade dos Açores – Centro do IMAR e Departamento de Oceanografia e Pescas, que através da estrutura de exploração do mar profundo existente na Fundação tem acedido a zonas pouco conhecidas, ou até mesmo inexploradas, desenvolvendo os mais variados trabalhos científicos, por vezes completando a informação obtida com o LULA1000 com outros dados recolhidos na região durante outras missões oceanográficas.
 
LULA 1000
De acordo com informação disponibilizada na sua página de internet, o LULA1000 tem capacidade para transportar até três pessoas a uma profundidade de 1000 metros, sendo um dos dez veículos tripulados no mundo inteiro com estas capacidades. 
Desde o início da sua operação, realizou 50 mergulhos nos Açores, nomeadamente ao largo das ilhas do Faial, Pico e São Jorge. O LULA1000 é operado pela FRN, instituição de Utilidade Pública sediada na ilha do Faial desde 1994.
O LULA1000 tem-se assim revelado um instrumento de grande utilidade para a região na documentação e estudo da biodiversidade e habitats marinhos vulneráveis que ocorrem até esta profundidade. As suas potencialidades de recolha de vídeo contínuo, parâmetros ambientais, som e amostras geológicas e biológicas constituem algumas das mais-valias deste submarino equipado com tecnologia de ponta e desenvolvido em Portugal com a colaboração de empresas alemãs ligadas a este setor. 
A fundação tem desempenhado um papel essencial na valorização e projeção internacional da biodiversidade marinha dos Açores, e tem sido por isso reconhecida e também objecto de investimento por parte do Governo dos Açores no quadro da política regional para a fileira do mar, nomeadamente no que respeita ao projeto LULA1000.
 
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