Foi anunciada a 19 de dezembro, durante o jantar de Natal dos Bombeiros Voluntários da Ilha dos Faial, a escolha de Nuno Henriques como novo Comandante dos bombeiros da Horta .
O bombeiro de 36 anos, e há 22 anos alistado nesta cooperação, foi nomeado pela Proteção Civil e Bombeiros dos Açores. Tribuna das Ilhas foi falar com Nuno Henriques para conhecer melhor o seu percurso e perceber quais as espectativas de trabalho durante o seu tempo à frente a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ilha do Faial (AHBVF).
O que o levou a tornar-se bombeiro?
Primeiro, o meu pai já era bombeiro desde 1985, e logo ai nasceu o “bichinho”. Depois comecei a andar aqui com ele e despertou-me o gosto por esta atividade, a adrenalina, as sirenes. Naquela idade foi isso que me chamou a atenção. Depois, com o tempo e com o amadurecimento, vai-se tomando gosto pelas atividades e as partes mais técnicas e tudo o que está relacionado com esta atividade.
Qual a sua especialidade de atuação em situações de emergência?
Eu tenho várias áreas de formação. Sou formador de salvamento em grande ângulo, ou seja salvamentos em altura e sou também formador de Salvamento e Desencarce-ramento.
Além disso tenho formação em combate a incêndios em hidrocarbonetos, ou seja na especialidade para parque petrolíferos; formação NRBQ Nuclear, Radiológico, Biológico e Químico; formação na área de emergência médica; formação na área de formação civil, formação a combate a incêndios de aeronaves. Um bocadinho de tudo.
Quanto tempo tem a sua Comissão de Serviços?
São Comissões de Serviços de cinco anos que podem ser ou não renovadas por mais cinco anos. É-nos entregue uma carta de Missão, com objetivos que tenho de cumprir. Se não os cumprir é sinal que não fiz bem o meu trabalho.
A nível pessoal, quais são os seus principais objetivos para este período?
Durante este cinco anos além de manter o que já está bem feito quero direcionar-me para a formação interna e formação externa.
Também é objetivo oferecer formação externa às diversas entidades, para o nome dos bombeiros aparecer em atividades de Proteção Civil, nomeadamente com as Juntas de Freguesia, junto da população. Quero aproximar mais os bombeiros da população, escola, centros de dia e idosos. É um dos objetivo.
Outros dos objetivos é aumentar o nível de formação, a nível Açores os Serviços de Proteção Civil têm um bom centro de formação, uma panóplia de bons formadores. Levar equipas do nosso corpo de Bombeiros a outro tipo de experiência, nomeadamente aos fogos florestais, de forma a termos contactos com uma realidade diferente. Não é que vamos ter fogos florestais daquela dimensão aqui, mas é pela diferença e por ser um bom treino para conhecermos e interagirmos as nossas congéneres e germinadas associações.
Outro dos meus objetivos é já para o próximo ano acabar a recruta que está a decorrer, a formação inicial de Bombeiros que lhes falta só fazer as suas provas e iniciar outra. E mais uma novidade no corpo de bombeiros, será inserir os infantes e os cadetes, ou seja miúdos entre os 6 e os 14 anos e dos 14 aos 17.
Os infantes numa atividade mais pedagógica, na prevenção de incêndios, criar atividades para despertar desde cedo o gosto pelos Bombeiros, trazê-los para a nossa casa. Os cadetes, porque é numa idade em que ainda não estamos muito direcionados para outras atividades. O que acontece é que os Bombeiros quando entram já muito tarde, na idade de 18 anos, vão estudar e quando vem dos estudos já não querem seguir para Bombeiros, se calhar assim conseguimos criar aquele gosto. Eles vão estudar da mesma maneira mas quando voltam tem sempre o gosto pela casa e pretendem cá continuar.
A reativação da nossa charanga de bombeiros, com instrumentos para as nossas paradas e nossos desfiles. É um dos objetivos do comando e da minha pessoa.
Outro dos grande objetivos que temos também, e já estamos aliás a trabalhar nele, é acrescentar as valência do corpo de Bombeiros. Um grupo para a área marítima, quer ao nível do plano de água, como os nadadores salvadores, quer na parte subaquático, os mergulhadores. Essa parte e que precisamos de mais algum trabalho para desenvolver a formação dos nossos homens, mas é uma valência na qual já estamos a trabalhar e queremos que ela crie raízes dentro dos Bombeiros.
Depois, o que for surgindo. Estamos aqui para desafios, para propostas e cá estaremos para corresponder.
A nível de corpo ativo, os homens de que dispõe são suficientes para dar resposta às necessidades da população? Que outras são
as principais necessidades?
Se eu disser que os meios são suficiente estou a mentir. Temos neste momentos os meios indispensáveis. Naturalmente queremos sempre mais, em termos de meios humanos e como já referi queremos aumentar o nosso afetivo, até abarcando várias faixas etárias para que à medida que os mais velhos vão saindo os mais novos já tenham experiência e know-how da atividade, não ficando assim os Bombeiros com um vazio em termos de efetivos. Em termos de viatura há algumas necessidades, as nossas viaturas já são muito antigas principalmente na parte de combate a incêndios. Mas quero sublinhar que estamos preparados e o parque auto que temos está preparado para corresponder às diferentes situações com que nos podemos deparar nas situações aqui na ilha.
Claro que se sofrermos um terramoto os meios serão sempre escassos, mas isso é o normal. Faz parte da nossa formação, nós temos o know how e sabemos que serão escassos. Por isso, em caso de catástrofes pedimos ajuda e uma das coisas boas que temos cá é o estarmos próximos de outras ilhas o que é também importante e rapidamente se transportam meios do Pico de São Jorge, ou mesmo de outras ilhas por via aérea para o Faial para nos ajudarem em qualquer eventualidade.
Estamos satisfeitos e contentes porque o Governo prevê para o próximo ano uma nova ambulância para o nosso corpo de bombeiros, o que é ótimo. E lá está, a esperança e fé no nosso qualquer de que já se fala mais e melhor nele, já não é apenas uma diálogo já começa a se ver onde vai ficar, já se estão a preparar os terrenos e vai-nos dar uma melhor operacionalidade e mais espaço para formação e já está previsto no Plano e Orçamento do Governo e na Câmara. O nome quartel aponta-se para a zona industrial de Santa Bárbara, já tem documentos oficiais do governo e da Câmara , mas depois serão eles a divulgar o lugar exato.
Há sempre também necessidade de equipamentos de proteção individual. Nós preferimos ter os homens devidamente equipadas do que ter os homens muito bonitos nas nossas formaturas, uma das faltas que temos é realmente no fardamento. Os casacos são pouco. Privilegiamos sempre a parte da segurança dos nossos homens.
Leia a reportagem completa na Edição impressa do Tribuna das Ilhas de 2 de janeiro de 2015