A Comissão de Inquérito ao Transporte Marítimo nos Açores continua a gerar polémica. Depois da oposição ter acusado o PS de inviabilizar a constituição da Comissão por não aceitar a indicação do PSD para a presidência da mesma, os socialistas reagiram em conferência de imprensa na tarde de ontem, à margem da sessão plenária de março, a decorrer na Horta.
Miguel Costa garantiu que "nunca, em momento algum," esteve em causa, por parte do PS, a constituição da referida comissão. “O PS teve o cuidado de falar antecipadamente com o PSD para encontrar uma solução conjunta” dando a garantia de que “votaria favoravelmente qualquer um dos outros três deputados que fosse indicado para a comissão do PSD”, explicou o vice-presidente do grupo parlamentar do PS.
No entender do deputado da maioria, “o direito ao voto é fundamental num estado democrático”, daí continuar a defender que “a indicação do PSD não pode em momento algum ser encarada como uma imposição”.
O deputado do PS criticou o líder do PSD acusando de constantemente criar polémicas a cada sessão plenária. “A sã convivência parlamentar não se apregoa; pratica-se e não tem o PSD nesta matéria dado certamente um grande contributo, pois o deputado, presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas a cada plenário agarra-se à criação de incidentes parlamentares”.
Para os socialistas, o facto do PSD não aceitar o argumento do PS de que deverá ser um deputado do Triângulo a presidir à Comissão representa uma tentativa dos social-democratas de se agarrarem a questões "acessórias" por "falta de alternativa política para ajudar os Açores e os açorianos”.
Costa aproveitou ainda para reclamar a paternidade socialista do atual regime de inquérito parlamentar na ALRAA, entendendo que este dá "um amplo poder aos partidos minoritários com poderes de proponente bem mais alargados”.
Recorde-se os líderes do PSD, CDS-PP, PCP, BE e PPM nos Açores já tinham, também em conferência de imprensa, acusado o PS de criar este impasse, rejeitando qualquer possibilidade de indicar outro nome para a presidência da Comissão, que não o do deputado graciosense João Bruto da Costa.
Continua, desta forma, o braço de ferro entre oposição e maioria, sem solução à vista.