No próximo dia 20 de julho, pelas 18h30, é inaugurada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores a exposição do Parlamento da Galiza - “54 Páxinas das Nosas Letras”.
Esta exposição resulta da celebração anual do Dia das Letras Galegas, fundada em 1963, que se realiza a 17 de maio e é organizado pelo Parlamento da Galiza e pela Real Academia Galega, instituição fundada em 1906 para preservar o idioma galego.
Esta celebração tem como objetivo homenagear personalidades que se destacaram pela sua criação literária em galego ou simplesmente pela defesa da língua galega. Em cada ano é dedicado a uma personalidade diferente, escolhida pela Real Academia Galega.
Os dois idiomas oficiais de Galiza são o castelhano - a língua oficial da Espanha - e o galego. O galego é reconhecido como a língua própria de Galiza e tem com o português o mesmo tronco comum, o galaico-português ou galego-português. Este era o idioma falado durante a Idade Média nas regiões de Portugal e Galiza.
O galego passou vários séculos sem cultivo literário, relegado à condição de um dialeto falado e sem qualquer norma ou gramática normativa. No século XIX, com o Romantismo, houve uma redescoberta das raízes nacionais e com ela o renascimento literário galego. Como impulsionadores deste movimento destacam-se os autores açorianos Antero de Quental e Teófilo Braga. No entanto, durante o regime de Franco as nacionalidades periféricas foram reprimidas e com isso também o culto das suas línguas.
Com a autonomia das regiões históricas espanholas, procurou-se padronizar o galego. Em 1982, a Real Academia Galega e o Instituto de Lingua Galega aprovaram e publicaram um documento conjunto que pretendeu unificar a ortografia e a morfologia: Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego. Actualmente, procura-se intensificar o uso do galego que é utilizado tanto nos meios de comunicação da Galiza como no ensino primário, secundário e universitário.
O galego é a língua mais próxima ao português, possui 85% de inteligibilidade com o português, no entanto, é fácil observar muitas diferenças entre ambas e que se encontram na fonética, na morfologia, na sintaxe, na ortografia e no léxico. A “Lei Valentim Paz-Andrade” aprovada em 14 de março de 2014, é uma lei do Parlamento da Galiza e trata-se de um instrumento normativo que visa estreitar os laços da Galiza e da variedade galega da língua portuguesa com o resto de variedades da língua portuguesa e os países em que ela é oficial. O aproveitamento do português é visto naquela região como uma forma de potenciar a utilização do galego, dada a sua proximidade, facilidade de compreensão e tronco comum de origem, em termos linguísticos.
Foi neste sentido, que as duas regiões autónomas representadas pelo Parlamento da Galiza e pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores concertaram esforços para trazer esta exposição aos Açores. A exposição apresenta uma coleção pertencente ao Parlamento da Galiza, compreendendo 54 quadros que representam as caricaturas das personalidades literárias galegas homenageadas, desenhadas pelo ilustrador Siro López e materializadas pelo escultor Ferreiro Badía.
Além da exposição, o Parlamento da Galiza e a Real Academia Galega vão apresentar duas edições que refletem a estreita relação entre alguns escritores galegos, representados na exposição, e os ilustres escritores açorianos Antero de Quental e Teófilo Braga.
Este evento conta com a presença da Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, bem como do Presidente do Parlamento da Galiza que estará acompanhado pelo Presidente da Real Academia Galega, pelo Presidente do Conselho da Cultura Galega e pelo Secretário-Geral da Política Linguística.