A Atlantis Cup – Regata da Autonomia está prestes a rasgar as águas do arquipélago pela 24.ª vez. A edição de 2012 da mítica prova organizada pelo Clube Naval da Horta (CNH) arranca no domingo, dia 15, prevendo-se que os barcos comecem a chegar ao Faial na madrugada do dia 21. Este ano a prova conta com uma novidade no percurso: ao invés de zarpar de Santa Maria, a Atlantis Cup vai sair de São Miguel com destino à ilha do Sol de onde ruma à Terceira e depois ao Faial. No entanto, a grande novidade que 2012 trouxe à regata prende-se com a data da sua realização: a Atlantis Cup vai para o mar cerca de duas semanas antes da data habitual. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com António Pedro Oliveira, responsável pela secção de Vela de Cruzeiro do CNH, que nos falou sobre estas alterações.
Uma semana, 273 milhas náuticas e quatro ilhas, é o desafio que a Atlantis Cup coloca aos velejadores que nela vão participar. A regata, organizada pelo CNH, conta com as parceiras dos Clubes Navais de Ponta Delgada e Santa Maria e do Angra Iate Clube. Em 2011, contou com a participação de 13 veleiros, com Xcape, Desafinado e Ilha da Ventura a sagrarem-se vencedores nas respectivas classes.
Apesar das inscrições serem possíveis até ao dia da partida, de acordo com António Pedro Oliveira em 2012 são esperados menos barcos. Até agora, estão inscritos nove veleiros. A gradual redução do número de embarcações participantes faz com que as expectativas da organização também baixem. Em tempos de crise, participar na Atlantis Cup envolve bastantes gastos para as tripulações, além de que requer algum tempo.
Um dos objectivos da organização da Atlantis Cup é estendê-la ao grupo ocidental. A tarefa não será fácil, até porque implica estender a prova, pelo menos, por mais meia semana.
Pôr de pé a Atlantis Cup é uma tarefa que começa no início do ano e implica muito trabalho. Há uma série de providências a tomar, relacionadas com a angariação de patrocínios, a acomodação dos barcos nas marinas das ilhas que recebem a regata, a disponibilidade de todo o equipamento necessário, entre outras coisas.
Quanto aos patrocínios, António reconhece que são cada vez mais difíceis de conseguir. A Assembleia Regional dos Açores é a grande patrocinadora desta que é a Regata da Autonomia. Também a Direcção Regional do Turismo apoia a regata, bem como a Portos dos Açores, e o apoio dos restantes clubes navais é, de acordo com o responsável pela secção de Vela de Cruzeiro, essencial para a sua concretização. Entre os apoios, junta-se a Scarlati Artesanato, responsável pela execução dos troféus.
As autarquias eram, tradicionalmente, outros dos parceiros nesta organização, garantindo a realização dos jantares convívio em cada ilha. No ano passado, na Terceira, esse encargo acabou por cair sobre o CNH, com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo a recusar o apoio. Este ano foi a vez da Câmara Municipal de Vila do Porto. Tendo em conta que o clube ainda não obteve resposta da Câmara Municipal da Ponta Delgada, para já apenas a autarquia faialense garante este apoio, o que implica que o CNH tenha de abrir ainda mais os cordões à bolsa.
Depois de, em 2009, a Atlantis Cup ter estendido o seu percurso a Santa Maria, a regata passou a zarpar da ilha do Sol. Este ano, a organização decidiu inovar, e a prova vai partir de Ponta Delgada com destino a Santa Maria, pela primeira vez.
Tradicionalmente a Atlantis Cup chegava ao Faial no arranque da Semana do Mar. A ideia era fazer com que os barcos participantes na mítica prova ficassem pela Ilha Azul para integrar as regatas organizadas durante a festa.
No entanto, em 2012 a Atlantis Cup vai acontecer cerca de duas semanas antes do habitual. António Pedro Oliveira explica que o objectivo desta decisão foi garantir mais apoio ao Festival Náutico da Semana do Mar.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 13.07.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
A editora Companhia das ilhas nasceu em Maio de 2011, nas Lajes do Pico. Um ano depois, iniciou a sua actividade na edição de autores portugueses. Até agora, esta editora já lançou seis autores, dois deles açorianos.
Na colecção Transeatlântico, que compreende obras de ficção, poesia, teatro e ensaio de autores açorianos contemporâneos e livros de temáticas açorianas, bem como literatura do espaço lusófono e da Macaronésia, foram editados os livros Às vezes é um insecto que faz disparar o alarme, de Nuno Costa Santos, Tratados, de Mário T. Cabral e Estórias Açorianas, de Carlos Alberto Machado.
Na colecção Azulcobalto, que compreende obras inéditas de autores contemporâneos, foram editados Ficas a dever-me uma noite de arromba, de António Cabrita, Passageiros Clandestinos, de Fernando Machado Silva e Bela Dona e Outros Monólogos, de Pedro Eiras.
Além destes livros, a Companhia das Ilhas editou já Corpos, de Carlos Alberto Machado-
De acordo com nota enviada às redacções, a Companhia das Ilhas já editou também dois cadernos de postais, um dedicado à antiga baleação e outro às Festas do Espírito Santo. Publicou também dois QuickNotes, dedicados aos mesmos temas, que se tratam dos primeiros produtos de merchandising cultural e turístico, uma das componentes desta editora.
Aguarda-se para o final deste mês a publicação de outro caderno de postais, desta feita dedicado à vila das Lajes.
As edições da Companhia das Ilhas são “de pequeno formato, reduzido número de páginas, papéis de qualidade, capas duplas e um grafismo apurado e de qualidade”.
A editora tem por opção a prática de baixos preços, já que pretende dar a conhecer ao público “bons livros, com textos originais, e uma grande diversidade de autores, géneros e temas, mas, ao mesmo tempo, não colocar barreiras aos leitores com preços proibitivos”. “É possível oferecer produtos de grande qualidade a preços acessíveis”, defendem.
Os livros da Companhia das Ilhas podem ser adquiridos na sua loja online (www.companhiadasilhasloja.wordpress.com), em pontos de venda nas ilhas do Pico, Faial, Terceira e São Miguel e ainda nos sítios online wook.pt, fnac.pt e sitiodolivro.pt.
As edições desta editora estarão presentes na Feira do Livro do Cais de Agosto, em São Roque do Pico, entre 23 de Julho e 3 de Agosto.
No início desta semana a Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, da Horta, recebeu a segunda edição do fórum “Conhecer o Mar dos Açores”, numa organização conjunta do Governo Regional e da Universidade dos Açores (UA), que juntou cientistas e decisores políticos numa reflexão sobre as potencialidades do oceano que circunda as ilhas.
Em análise estiveram temas como a biodiversidade e os habitats marinhos, as pescas, o ordenamento e gestão do espaço marítimo, a oceanografia, a meteorologia, as alterações climáticas, a biotecnologia, a cultura científica e a sensibilização, a exploração de minerais, a observação turística de cetáceos ou o mergulho com tubarões.
Das potencialidades em análise, destaque para as questões da biotecnologia, onde a busca de conhecimento tem trazido resultados entusiasmantes e com potencial de gerar um manancial não apenas de saber científico mas também de rentabilização económica.
A investigadora Marta Machado, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, deu a conhecer as potencialidades de alguns organismos dos ambientes hidrotermais açorianos para a criação de novos fármacos antiparasitários, com capacidades, por exemplo, para combater a malária. No entanto, não é necessário descer às fontes hidrotermais para encontrar o potencial biotecnológico do mar dos Açores. De acordo com Maria do Carmo Barreto, da UA, existem macro-algas na costa açoriana, mesmo à mão de semear, com potencial farmacológico. A UA tem vindo a procurar esse potencial desde 2006, e já encontrou compostos com potencial de serem utilizados no tratamento do cancro, como pesticidas biológicos ou antioxidantes especialmente poderosos. Recentemente, a UA identificou dois compostos completamente novos para a ciência mundial. Para a investigadora é importante salvaguardar todo este potencial, e chamou a atenção para a importância de preservar as zonas costeiras das Região, evitando a sua humanização em demasia, para evitar a delapidação destas populações de algas.
Outro dos temas em análise quando se falou da biotecnologia foi o avanço nas ferramentas genéticas e de cultivo larval de cracas, com o investigador Mirko De Girolamo a falar do trabalho que tem desenvolvido no Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da UA.
Quem o garante é Raul Bettencourt, investigador do DOP, que trabalhou na primeira caracterização mundial do genoma do mexilhão das fontes hidrotermais e na criação da primeira base de dados mundial sobre a genética desta espécie. O estudo de alguns organismos que habitam as fontes hidrotermais na proximidade dos Açores tem permitido a descoberta de enzimas com potencial de serem utilizadas “na indústria farmacêutica, na biomedicina, no processamento do papel, no desenvolvimento de novos detergentes, nas defesas imunitárias”, entre outras coisas.
Estas “super enzimas”, chamemos-lhes assim, existem devido à adaptação dos organismos que as produzem a ambientes extremos, “onde a vida é possível graças a uma química completamente diferente”. “ Nós já conseguimos isolar e caracterizar algumas dessas enzimas, e é possível depois aplicá-las em processos onde a obtenção de determinados produtos, como o etanol, por exemplo, é mais rápida e menos dispendiosa”, explica Raul.
Nesta fase, os investigadores do DOP estão a retirar a informação genética destes organismos, contando para isso com a colaboração do Parque Biotecnológico Biocant. Este é o primeiro parque de biotecnologia em Portugal, criado através de um arrojado investimento por parte da Câmara Municipal de Cantanhede e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. A investigação açoriana neste campo conta também com a colaboração de grupos estrangeiros. “A Noruega, por exemplo, está muito interessada nos Açores e em constituir parcerias comerciais connosco”, refere.
Os trabalhos desenvolvidos têm, de acordo com Raul, demonstrado que há potencial económico na exploração destes recursos: “estamos a um passo de produzir estes produtos de forma sintética”, explica. Esse passo, entende, é importante para provar aos investidores que estamos a trabalhar com produtos comercializáveis, cujo potencial permite pensar “em criação de empresas, de planos de negócio e atracção de investimentos”. “A simples informação genética, apesar de nos informar de que existe o potencial, não é suficiente para atrair investimento. Temos de mostrar aos investidores que isto funciona, partindo para a produção”, refere.
Enquanto o conhecimento científico não se transforma em rendimento económico, há que garantir que o trabalho dos investigadores prossegue. A actual conjuntura económica tem sido especialmente nociva para o meio académico, com a UA a ser alvo de cortes de financiamento que preocupam este investigador: “vários projectos da UA ficaram paralisados pelo facto do financiamento a eles destinado ter sido utilizado para outros fins. Muita da investigação que é necessário desenvolver parou. Eu próprio deixarei de ter um contrato de investigação a partir do próximo ano. Infelizmente, neste cenário há a possibilidade do trabalho desenvolvido ficar a meio”, explica.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 13.07.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
Amanhã, dia 13, e sábado, dia 14, a Quinta de São Lourenço recebe a terceira edição do festival de música PUNKADA!FEST, este ano com destaque para os tributos a grandes nomes do rock e para a divulgação das bandas faialenses.
Assim, sexta-feira, a partir das 23h30, sobe ao palco Tributos Rock a banda One Vision, de tributo aos Queen. Portugueses, existem desde 2006 e recriam todos os êxitos da banda de Freddy Mercury. Aos One Vision seguem-se os DJ’s Capotes e Versus. No palco Faial Rock, actuam a partir das 22h00 os Carbono 14, seguidos dos Black Square, ambos bandas faialenses.
No sábado, pelo palco Faial Rock passam os Kontrastes, com actuação prevista para as 22h00. Às 23h00 as atenções voltam-se para o palco Tributos Rock, com a actuação dos DÁ/CÁ, banda de tributo aos AC/DC. A eles seguem-se os Punkada!, banda faialense de tributo aos Rammstein. Depois os DJ’s tomam conta do palco, com o faialense Double Gee a aquecer o ambiente para a responsável pelo encerramento deste festival: a DJ Yen Sung, uma das primeiras mulheres DJs em Portugal, residente na discoteca Lux, que se distingue pelo seu gosto eclético e pela apurada capacidade de ler a pista.
Após a declaração de insolvência da Teófilo S.A., em Março passado, as tentativas de manter a empresa aberta saíram goradas. Depois de 76 anos no mercado faialense, o Teófilo vai mesmo fechar as portas. Dos 38 trabalhadores, 26 foram despedidos na passada segunda-feira, sendo que os restantes 12 se mantêm em funções apenas até Setembro, na tentativa de vender o stock de que a empresa ainda dispõe.
Em Março, altura em que foi declarada a insolvência da empresa pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, Carlos Goulart, presidente do Conselho de Administração da Teófilo S.A., explicou ao Tribuna das Ilhas que a grande quebra de vendas tinha motivado o pedido de insolvência, numa tentativa de reabilitar a empresa. Na ocasião, o empresário mostrou-se optimista em conseguir manter as portas abertas, no entanto acabou por confirmar-se o pior cenário.
De acordo com Maria José Escobar, do Sindicato de Empregados de Escritório e Caixeiros, do qual são associados quatro destes trabalhadores, este é um “processo mal conduzido desde o início”. A sindicalista alerta para a dimensão do problema, frisando que, no cenário actual, será muito difícil para a maior parte destas pessoas encontrar outro emprego. Por essa razão, explica, o ambiente que se vive entre os trabalhadores é de grande tensão e preocupação até porque, como ressalva, a administração da empresa lhes passou uma mensagem de optimismo e esperança que era, afinal, injustificada. Maria José acusa o presidente do Conselho de Administração da Teófilo S.A de não ter esclarecido devidamente os trabalhadores quando foi declarada a insolvência da empresa. A sindicalista entende também que os três trabalhadores da ilha do Pico foram descriminados neste processo: “enquanto eram feitas reuniões com os trabalhadores do Faial, os do Pico continuavam sem saber de nada”, refere.
Maria José explica que o próximo passo é garantir a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente as indemnizações a que, de acordo com a sindicalista, os mesmos têm direito. Nesse sentido, foram já iniciados os procedimentos legais recomendados.
Chega assim ao fim a vida de uma das maiores empresas faialenses, cujo contributo para a economia local foi reconhecido em 2011, pela Câmara Municipal da Horta, que a distinguiu com uma medalha de mérito por ocasião das comemorações do aniversário da cidade. No actual cenário de dificuldades, a chegada ao desemprego de cerca de 40 pessoas assume grande preponderância numa economia pequena como a do Faial, esperando-se que, apesar da crise, seja possível ao tecido empresarial absorver parte destes trabalhadores.