No passado fim-de-semana a freguesia da Praia do Norte recebeu a cerimónia de ordenação e a missa nova do franciscano Bruno Peixoto. Com 29 anos, Bruno não esquece a freguesia que o viu nascer, e esta correspondeu ao carinho do religioso comparecendo em força às cerimónias que marcaram mais um passo na sua vida de devoção a Deus.
A ordenação do frei Bruno Peixoto aconteceu no sábado, tendo sido presidida pelo bispo franciscano D. António Montes Moreira. A solenidade contou ainda com a presença do padre Vítor Melícias, ministro provincial dos franciscanos em Portugal.
Depois de ordenado sacerdote, Bruno Peixoto celebrou a sua missa nova no domingo, na igreja da Praia do Norte, que se encheu por completo para festejar a ocasião.
Estas celebrações trouxeram ao Faial vários representantes da ordem franciscana, não apenas portugueses mas também vindos de outros países, como a Itália.
O ciclista da Ribeirinha Activa Pedro Correia sagrou-se no passado domingo vencedor da terceira prova da I Taça Regional Cartão Interjovem, em Downhill, que se realizou em São Caetano do Pico.
O faialense foi o mais rápido dos 18 ciclistas em competição, tendo terminado a prova em cerca de 1h48 minutos, pouco mais de um minuto à frente do segundo classificado, João Machado, da equipa CC/Specialized. Em terceiro ficou João Freitas, da equipa Stone Riders/NC. Esta vitória empurrou Pedro Correia para a liderança da classificação geral desta Taça, composta por seis provas.
Recorde-se que a próxima etapa da competição acontece no Faial, mais propriamente na freguesia da Ribeirinha, no dia 5 de Agosto.
A primeira candidata do CDS-PP pelo círculo eleitoral do Faial visitou hoje a Associação de Agricultores da ilha e reuniu com a sua Direcção, com o intuito de se inteirar da realidade do sector.
À saída, Graça Silveira salientou o crescimento da produção de carne no Faial, em grande parte pelo facto de muitos produtores abdicarem do sector leiteiro para se dedicarem a este sector, e defendeu uma sala de desmancha para o novo matadouro que se prevê para a ilha.
Esta “mudança da produção de leite para carne, com abates na ordem dos 80 a 100 animais por semana, de uma forma continuada e não sazonal, ao contrário de outras ilhas” é, para a candidata, razão mais que suficiente para justificar esta necessidade.
A candidata do CDS-PP lembra que o Faial conta já com vários produtores IGP, todavia o matadouro da ilha não tem abatido carne com essa classificação. Ao invés, o gado é exportado vivo o que, como refere, implica a desvalorização dos animais na chegada ao destino, após a viagem de barco. “Segundo pude constatar, não existem questões higieno-sanitárias que impeçam o abate de carne IGP no nosso matadouro, mas o caderno de encargos não permite que carcaças de animais IGP fiquem em conjunto com outras carcaças”, explica.
Graça Silveira criticou também a actual política de transportes, que dificulta grandemente a exportação de gado em carcaça do Faial: “neste momento, para haver a exportação em carcaça, os contentores têm de ir a São Miguel antes de irem à sala de desmancha do Pico, o que demora 15 dias”, exemplifica.
Também a fileira do leite na ilha merece, para Graça Silveira, uma séria ponderação. Lembrando que a fábrica da Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial tem actualmente uma laboração de 60% e que os custos de produção, como as rações, são cada vez mais caros, a engenheira agro-alimentar entende que é necessário encontrar soluções que permitam mais produção e a menor custo, valorizando desta forma a aposta na pastagem.
Quem o diz é Ricardo Serrão Santos, pró-reitor da Universidade dos Açores (UA) para a Integração dos Assuntos do Mar. Serrão Santos, responsável pela coordenação de toda a investigação marinha realizada nos departamentos daquela instituição, falava na sessão de abertura do fórum Conhecer o Mar dos Açores, que decorre hoje e amanhã na Biblioteca Pública da Horta.
O primeiro fórum Conhecer o Mar dos Açores realizou-se em Janeiro de 2011. De acordo com Serrão Santos, de então a esta parte muita coisa aconteceu, principalmente no que diz respeito às Universidades e à investigação científica, que, por via da conjuntura económica de crise, assistiram à redução dos financiamentos, à dificuldade no acesso às bolsas, entre outras coisas.
Apesar estas dificuldades, o pró-reitor da UA salienta que a investigação científica reveste-se de cada vez mais importância. No cenário de “emergência global” em que o planeta se encontra, devido às sérias ameaças ambientais, assiste-se a uma “redução drástica da biodiversidade”. Para Serrão Santos, apesar dos Açores representarem apenas um minúsculo resquício da população mundial, não podem demitir-se de responsabilidades na busca por uma solução de sustentabilidade.
Tendo em conta a importância que o mar assume na vida dos ilhéus, é por via da investigação científica marinha que a Região mais tem contribuído para um melhor conhecimento do nosso planeta. De todas as Regiões Ultraperiféricas (RUPs), os Açores são aquela que mais se dedica à produção na área da ciência marinha. De toda a produção científica regional, 40% diz respeito ao Mar, percentagem maior que em qualquer outra RUP.
Para o investigador, numa altura em que Portugal regressa ao Mar, no sentido em que o volta a encarar como catalisador económico, um dos desafios é encontrar o equilíbrio entre a exploração dos recursos e a sua sustentabilidade. Para tal, Serrão Santos destaca o contributo da investigação e defende que é necessário continuar a investir, formando recursos humanos e dotando os cientistas de equipamentos e infra-estruturas adequados.
Lembrando que Portugal é “um dos países mais produtivos a nível mundial” no que à investigação marinha diz respeito, em grande parte graças ao trabalho da UA, Ricardo Serrão Santos destacou a importância da comunicação entre o mundo académico e o poder político para a criação de políticas públicas adequadas na área do Mar. Nesse sentido, congratulou-se com a relação entre o Governo dos Açores e a UA. Entre outras coisas, destacou o facto da universidade açoriana ser a única no país de dispõe de um navio de investigação, neste caso propriedade do Executivo Regional.
Sobre a realização deste fórum, Serrão Santos destacou a sua importância para a já referida desejável aproximação entre a investigação e as políticas públicas.
Também o secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos salientou a importância que o mar assume nas políticas públicas açorianas, defendendo a manutenção da aposta no conhecimento, no planeamento e no ordenamento espacial no que ao mar diz respeito.
No que diz respeito ao conhecimento, José Contente salientou os apoios governamentais à investigação científica, referindo que, das 60 bolsas de doutoramento concedidas pelo Governo Regional, 30 se destinam aos assuntos do mar.
Destacando a importância de uma visão concertada entre os governantes e a comunidade científica, Contente defende uma postura “pró-activa” na defesa dos recursos marítimos açorianos, salientando a necessidade de proteger o mar dos Açores “dos novos piratas e corsários do Atlântico”. “Temos que estar irmanados no espírito de que os Açores devem estar, mais uma vez, em primeiro”, disse. Contente entende que, ao nível institucional nacional, só após a criação da estrutura de missão para a extensão da plataforma continental, em 2005, é que se passou a dar maior atenção aos assuntos do mar, ao passo que os Açores este “sempre foi encarado como um laboratório natural vital para a economia do conhecimento”.
Ao longo dos dois dias deste seminário está prevista a passagem de vários investigadores pela Biblioteca pública da Horta. Em destaque estarão temas como a biodiversidade, as pescas, o ordenamento e a gestão do espaço marítimo, as alterações climáticas ou a biotecnologia.
O balanço da última edição do Encontro do Mundo Rural deu o mote a uma conversa com o presidente da Associação de Agricultores da Ilha do Faial (AAIF) sobre a saúde do sector agrícola faialense. António Ávila falou ao Tribuna das Ilhas dos desafios no sector do leite e da carne e da aposta na diversificação agrícola.
Apesar do mau tempo que marcou o último Encontro do Mundo Rural, que decorreu no passado fim-de-semana, na Quinta de São Lourenço, os agricultores fazem um balanço positivo do certame.
De acordo com António Ávila, as exposições de gado bovino contaram com um aumento de cerca de 40 animais em relação ao ano passado. Para além das raças de leite, do Ramo Grande e de animais cruzados, que somaram 97 animais, a organização decidiu este ano criar um espaço para as raças puras, onde marcaram presença 40 animais, das raças Limousine, Angus, Charolesa e Fleckvieh (Simmental). Segundo o presidente da AAIF, a introdução das raças puras no certame vem no seguimento do “grande investimento” que os produtores têm feito nestes animais, sobretudo no que diz respeito à raça Limusine, que actualmente reúne o maior número de exemplares puros na ilha.
As condições meteorológicas tornaram a vida da organização “muito difícil”, bem como a dos produtores, pois a preparação dos animais para os concursos foi mais complicada. “Todo o programa se concretizou mas não tivemos a adesão esperada”, explica António Ávila, apesar de se congratular com o facto dos produtores terem comparecido em força. Apesar da chuva ter afectado a componente social da festa, a “elevada qualidade dos animais expostos” é, por si só, sinal de que o Encontro foi positivo.
António Ávila reconhece que, actualmente, há “uma aposta enorme” no sector da carne, especialmente no que diz respeito às raças puras. O facto dos apoios à importação actualmente se destinarem apenas aos animais de excelência dentro das raças puras tem contribuído para que os produtores procurem valorizar as suas explorações nessa área, trazendo animais de grande qualidade genética.
O sinal de qualidade da carne faialense é importante, pois a grande maioria é exportada. Anualmente, saem do Faial 5 mil animais, enquanto que apenas mil se destinam ao consumo local. Nesse sentido, António Ávila está satisfeito com um cenário de estabilização da produção em termos de quantidade mas incremento na qualidade. A importação de animais é, entende, um bom contributo para este cenário, assim como a inseminação artificial.
Ávila reconhece que muitos produtores de leite optaram por passar a produzir carne, no entanto entende que desta equação não se pode tirar a conclusão de que o sector da carne é mais relevante para a nossa economia que o do leite. Para o líder dos agricultores, são áreas de acção muito diferentes: “a carne tem muito mais produtores, mas na sua maioria com pequenas explorações. Já as pequenas explorações de leite têm tendência a desaparecer, para ficarmos com explorações de pequena e média exploração”, explica.
Segundo explica o presidente da AAIF, a existência de explorações com parcelas de terreno pequenas e dispersas é mais propícia à produção de carne do que de leite. A dispersão das pastagens e o facto destas serem pequenas e não permitirem concentrar todos os animais no mesmo local dificulta o maneio da exploração e a ordenha. Por isso, António Ávila entende que a solução para o sector do leite passa pelo emparcelamento, para que se criem mais explorações de média e grande dimensão. “Neste momento é preciso agilizar o processo burocrático a nível de compra e troca de terras. Não é pensável a legalização de um terreno ser mais cara do que o próprio terreno”, alerta.
Para Ávila, é importante também aumentar o preço pago por litro ao produtor.
No que diz respeito à floricultura, com destaque para a produção de próteas, António Ávila destaca o crescimento dos últimos seis anos, com “um aumento significativo na produção que ainda não se reflectiu em números porque existem muitas áreas que agora é que vão começar a produzir”. Em 2012 foram exportadas 159 mil hastes de flores, que permitiram rendimentos de 48 mil euros, números que deixam a AAIF satisfeita.
Quanto à horticultura, António Ávila está satisfeito com o surgimento de novos produtores. No entanto, deixa um alerta: “o meu receio é que se não houver coordenação e planificação nas produções nós tenhamos determinados produtos em excesso e falta de outros”. Nesse sentido, explica que o objectivo da AAIF passa por “juntar as pessoas e planificar a produção” para satisfazer as necessidades de consumo na ilha em todos os produtos.
A Central Hortofrutícola e Florícola do Faial, cujo projecto foi recentemente apresentado, será, de acordo com Ávila, um importante contributo para a comercialização, no que diz respeito à embalagem e apresentação dos produtos. Apesar do financiamento da Central “não estar a 100% garantido”, o líder dos agricultores está optimista, até porque, como frisa, “há empenho do Governo Regional”. “A nossa intenção é adjudicar a obra o mais depressa possível”, explica, revelando que neste momento o projecto aguarda aprovação na Câmara Municipal da Horta e foram já pedidos alguns orçamentos.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.06.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário