O primeiro domingo de Semana do Mar coincide com o cortejo náutico em honra de Nossa Senhora da Guia. Este é um dos principais momentos religiosos do ano no Faial, e marca a homenagem dos homens do mar à sua protectora.
Este ano não foi excepção e, na tarde de domingo, muitos foram os fiéis que se deslocaram até à ermida do Monte da Guia para a missa, seguida de procissão até ao areal de Porto Pim. Na praia, muitos banhistas aproveitavam o calor de Agosto, num dia em que puderam ver a baía repleta de barcos, todos engalanados para o cortejo náutico.
Na areia, foi feita a tradicional cerimónia de bênção dos botes baleiros, com os cabos das embarcações e serem passados à volta das mãos da imagem. Depois, esta embarcou para o cortejo náutico que, apesar do “mar picado”, reuniu muitos barcos, como já é habitual.
O desembarque da imagem deu-se na Marina da Horta, seguindo-se cortejo pedestre até ao Largo do Infante, onde foi proferido o sermão, tendo depois a procissão continuado até à Igreja das Angústias.
A fé dos homens do mar na Senhora da Guia é muito grande, por isso este momento se reveste de especial emoção e solenidade. O facto do Monte da Guia, onde está a ermida em honra da santa, ser uma referência visual para muitos quando partem para a pesca e quando regressam, faz com que o sentimento seja sempre especial ao passarem por ali. A continuada participação em massa, tanto no mar como em terra, faz prever que esta tradição se continue a cumprir com o mesmo fervor por muitos anos.






A baía da Horta, de águas calmas e límpidas, protegidas pela Espalamaca e pelo Monte da Guia, e ornamentada pelo casario que se posiciona de frente para o mar como que a saudar os que chegam, convida, apenas pelo aspecto, qualquer velejador a entrar. A este aspecto apetecível junte-se a sua posição estratégica a meio do Atlântico Norte e o facto de ser um porto protegido. Estão assim reunidas as razões que fazem desta pequena cidade um dos nomes mais conhecidos dos velejadores em todo o mundo. A pequena Horta é gigante no mundo náutico. Essa expressão comprova-se quando a ilha é escalada por regatas oceânicas, como é o caso da Les Sables/Les Açores/Les Sables, que liga o Faial à França de dois em dois anos desde 2006. Disputada por embarcações de 6,5 metros (os chamados “mini’s”), é a “rampa de lançamento” para muitos velejadores que fazem carreira internacional. A edição de 2012 largou da cidade de Sables d’Olonne no dia 29 e hoje, dia 7, espera-se que ao final da tarde a primeira embarcação chegue à Horta.
A primeira edição da Les Sables/Les Açores/Les Sables remonta a 2006. Desde então, a regata repetiu-se sempre, de dois em dois anos celebrando agora a sua 4.ª edição.
Armando Castro, responsável pela Marina da Horta, recorda que, após o fim de uma regata que ligava os Açores à cidade francesa de Vannes, em 1994, surgiu a vontade de criar outro evento náutico que ligasse o Faial à França. A cidade de Sables d’Olonne, situada na costa sudoeste da França, em pleno golfo da Biscaia, surgiu como um parceiro de excelência por ser “mítica em termos de vela internacional”. É de Sables, recorde-se, que parte a Vendée Globe, famosa regata de circum-navegação em solitário sem escalas ou assistência.
Criaram-se então as sinergias necessárias entre os responsáveis franceses a açorianos. A Les Sables/Horta/Les Sables é organizada pelo Clube Naval da Horta (CNH), Governo Regional dos Açores, autarquia faialense e Portos dos Açores, entre outras entidades que colaboram. Na França, a organização cabe ao clube Sports Nautiques Sablais, ao Institut Sports Océan e à Câmara de Sables d’Olonne. A estes juntam-se alguns patrocinadores privados.
Entre Sables d’Olonne e a Horta estão 1270 milhas náuticas, que os participantes nesta regata oceânica percorrem em duas etapas, primeiro com destino ao Faial e depois no regresso à França. A duração de cada etapa depende muito do vento, podendo demorar 5 dias ou duas semanas. Os velejadores saíram da França no dia 29 e devem chegar ao Faial durante a Semana do Mar, estando a partida da Horta para a segunda etapa agendada para o dia 14 de Agosto.
Esta regata disputa-se em solitário, com barcos da classe de 6,5 metros, os chamados mini’s, que ganharam a alcunha de “máquinas de lavar”, pois, pelas suas reduzidas dimensões, quando navegam no meio do oceano as ondas passam-lhes frequentemente por cima.
O percurso não é, pois, tarefa fácil. Por isso, esta regata serve muitas vezes de teste à “fibra” dos velejadores que começam nesta classe a sua carreira desportiva.
Como explica Armando Castro, “quase todos os velejadores que andam no topo da vela internacional passaram pela classe dos 6,5 metros”. “A carreira de um velejador de alta competição em vela oceânica começa na vela ligeira. Depois passam aos 6,5 metros, em que permanecem uma ou duas épocas. Então escolhem entre a classe dos Fígaros, altamente competitiva, onde tempos, por exemplo, o Francisco Lobato, que já passou pela Horta nesta regata, e a classe dos 40 pés. Após essa etapa tentam chegar ao topo, à classe de embarcações de 60 pés. Actualmente está a aparecer uma nova classe com alguma força, que são os multicascos de 50 pés”, esclarece.
Nesta edição da Les Sables/Les Açores/Les Sables participam 39 embarcações cujos skippers tiveram de mostrar estar aptos para o desafio. De acordo com Denis Hugues, director de prova, é requerido aos participantes que façam mil milhas náuticas em solitário e 800 em cenário de regata antes de participarem nesta prova. Hugues lembra também que, nesta classe, “os velejadores não têm meios de comunicação a bordo”, o que implica que fiquem “alheados do mundo” durante o percurso.

Para os vários envolvidos, não há dúvidas de que a grande vantagem da realização deste evento é o seu poder promocional. Armando Castro explica que esta se trata de uma regata “extremamente mediática”, que proporciona uma “promoção excepcional não apenas ao porto da Horta mas à cidade e mesmo a todo o arquipélago”.
Também Fernando Menezes, presidente do CNH, destaca a projecção que a regata dá à Horta, principalmente por terras francesas: “em Sables d’Olonne vive-se isto muito intensamente. Vamos pelas ruas e encontramos grandes cartazes com fotografias da Horta, do canal Faial/Pico… É belíssimo, e uma muito boa divulgação da nossa terra”, refere.
Para o presidente da autarquia faialense, a Les Sables/Les Açores/Les Sables é, acima de tudo, um “evento é estratégico, em primeiro lugar porque tem grande projecção internacional e coloca-nos no centro dos eventos que se fazem em Portugal no mundo da vela”.
Segundo João Castro, a realização desta regata com regularidade “marcou a viragem no nosso posicionamento na área náutica”, exponenciando ao máximo a promoção da Horta no mundo da vela. “Hoje em dia, se formos aos portos do Mediterrâneo e falarmos em Horta, toda a gente sabe onde é que fica. No mundo da náutica ‘Horta’ é uma palavra conhecida mundialmente. Isso tem um valor promocional extraordinário, difícil de contabilizar”, refere.
No entanto, explica o edil, esta regata cumpre não apenas a vocação náutica da cidade, mas também a sua vocação cosmopolita, pela criação que permite estabelecer com a cidade francesa. “Nós somos uma cidade cosmopolita, mas essa designação não acontece por acaso. Aconteceu pelo nosso percurso histórico mas hoje permanece porque mantemos contactos com outras cidades do mundo. Esses contactos têm de ser alimentados e promovidos. A cidade de Sables é um parceiro privilegiado, com quem já temos uma relação de amizade e uma geminação informal no contexto náutico”, diz.
A boa relação entre a Horta e Les Sables é destacada pelo presidente do Sports Nautiques Sablais, Bernard Devy, ao Tribuna das Ilhas. Para Devy, “o que começou como uma ‘amizade na vela’ conduziu as duas cidades e conhecerem-se a apreciarem-se mutuamente”. “Se Les Sables é um famoso porto de partida para marinheiros, a Horta é única porque é um ponto de paragem no meio do Oceano Atlântico. Um porto onde podemos escolher parar por prazer, e demorarmo-nos mais uns dias, ou onde os barcos podem ser forçados a procurar abrigo e ajuda. A Horta tem uma reputação mundial por ajudar e receber pessoas e é por isso que a cidade e as suas pessoas são tão únicas”, refere.
João Castro destaca também a importância de olhar para a náutica como factor de galvanização económica pelo facto desta poder ajudar a contrariar o calcanhar de Aquiles do turismo faialense: a sazonalidade. O autarca lembra que as embarcações começam a chegar em Março, com os grandes navios a motor, seguindo-se depois outros segmentos do mundo náutico nos meses seguintes.
A promoção da Horta náutica não será difícil, já que se faz praticamente sozinha. Dennis Hugues classifica a cidade faialense como “uma das passagens obrigatórias de qualquer marinheiro que atravesse o Atlântico” e destaca a hospitalidade dos ilhéus como “muito calorosa”.
Para este entendido na matéria, a crescente projecção da Horta quando se fala de vela tem, no entanto, responsáveis: “a Horta é cada vez mais conhecida na Europa e isso deve-se ao dinamismo do seu presidente da Câmara e das autoridades portuárias, bem como ao Armando Castro”, diz.
As condições geográficas privilegiadas da Horta deram-lhe o potencial para ser uma referência do mundo náutico, no entanto a sua população encarregou-se do resto. A hospitalidade com que os faialenses recebem quem chega por mar é especial, tal como é especial a sua relação com o oceano.
São estas características que tornam possível receber nesta altura, com uma marina sobrelotada, 39 barcos extra. Armando Castro reconhece que “só com muito esforço” dos profissionais que trabalham na marina é possível acomodar estes visitantes. A este esforço, acrescenta, junta-se a boa vontade dos utentes locais, que disponibilizam os seus lugares na marina.
Este espírito náutico nota-se também no CNH. A agremiação náutica faialense, que nesta altura anda atarefada com a Semana do Mar, consegue sempre mobilizar todos os esforços necessários para dar apoio a uma regata com esta dimensão. De acordo com Fernando Menezes, “a chegada de uma regata como esta implica uma logística muito grande. Temos de ter homens no mar, dia e noite, e há todo um programa que é preciso cumprir”, explica. Por isso, os muitos voluntários que se congregam à volta desta regata, alguns levando as suas próprias embarcações para o mar para apoiar o evento, são parte fundamental no seu sucesso.
De entre os vários envolvidos no CNH, são os jovens praticantes de vela ligeira quem vê com mais entusiasmo a chegada dos velejadores que se estão a lançar em carreiras internacionais. Conscientes de que poderão estar perante os futuros “Messis” ou “Ronaldos” do seu desporto favorito, os jovens velejadores do CNH não faltam à chamada quando chega a regata. “Os nossos miúdos vivem isto com muito entusiasmo. Também vão para o mar, acompanham, têm essa curiosidade de observar os barcos… É muito bom para eles, e devemos estimular isso, fazer com que os miúdos nos acompanhem para despoletar neles o gosto por andar à vela, que é muitíssimo salutar”, explica o presidente do CNH.
Para Armando Castro, é importante que toda a população faialense tome consciência da importância que a náutica deve ter para a ilha. “É importante passar a mensagem à nossa população de que isto é um evento extraordinário, dos maiores do país no âmbito da vela internacional. Leva o nome da Horta e dos Açores bem longe. E é esse o nosso principal objectivo”, refere.
Armando assegura também que eventos como este movimentam muitas pessoas na economia local, não apenas os velejadores que cá chegam mas também as suas famílias, que frequentemente voam para o Faial para acompanhar os aventureiros enquanto cá permanecem. Hotéis, unidades de turismo rural, restaurantes e empresas de aluguer de viaturas ganham com isto, mas não só, se tivermos em conta que todos os iates que param no Faial no meio de uma travessia oceânica têm de aqui abastecer-se para o resto da viagem.
Sobre estes velejadores em concreto, Armando lembra a dureza da viagem que enfrentam, referindo que, em França, “são acolhidos com um carinho extraordinário”. Por isso, pede às pessoas que se envolvam o mais possível com este evento: “venham à marina, ter um contacto com eles, congratulá-los pela sua chegada… Isso é importante para eles e é uma mensagem que vão levar de regresso a todos os seus amigos e pessoas envolvidas neste tipo de eventos, o que é extremamente importante para a ilha. A nossa cidade é virada para o mar por isso temos de despertar na nossa população o gosto por estas modalidades”, refere.
Esta reportagem integra a revista Especial Semana do Mar do Tribuna das Ilhas, de distribuição gratuita
A ideia foi deixada este domingo, na abertura oficial da Expomar, mostra que reúne empresas e entidades com actividades ligadas ao mar, patente ao público durante a Semana do Mar na Marina da Horta.
De acordo com o presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, este certame é uma “oportunidade” para os empresários ligados ao mar promoverem os seus produtos e serviços, especialmente bem-vinda no actual cenário de dificuldades.
Humberto Goulart lembrou que “a condição marítima ancestral” do Faial, bem como a sua condição geográfica privilegiada, fomentam a criação de negócios relacionados com a exploração dos recursos marinhos. Para o patrão dos empresários, outro factor que contribui para que o Faial seja o local por excelência para dinamizar este tipo de negócios é o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, sedeado na ilha. Por todas estas razões, Humberto Goulart diz esperar que surja na Horta um “novo pólo económico voltado para o Mar”.
O presidente da Câmara Municipal da Horta entende que ainda há muito a fazer para concretizar no Faial uma verdadeira economia do mar. João Castro alerta, no entanto, para o facto dessa ser uma tarefa que compete aos faialenses: “temos de o fazer, e não esperar que alguém o venha fazer por nós”, referiu.
Também o secretário regional do Ambiente e do Mar diz que, apesar da economia do mar estar a ganhar cada vez mais destaque, a Região continua longe de transformar o aproveitamento do seu potencial marítimo “numa realidade palpável”. Álamo Meneses frisou, no entanto, que o Faial é o sítio dos Açores “mais perto desse objectivo”, apesar de, também aqui haver um longo caminho a percorrer para que o mar possa gerar mais emprego e riqueza.
O governante reconheceu que “este percurso tem que ser enquadrado pelos podere públicos”, já que nesta área há grandes responsabilidades quer do Governo da República quer do Governo Regional, mas frisou que grande parte da tarefa caberá aos empresários
A Expomar, que este ano vai na sua sétima edição, conta com 17 stands e pode ser visitada na Marina da Horta, espaço que partilha com a Feira Regional de Artesanato. Ambas as mostras estão patentes ao público todos os dias até domingo, entre as 19h00 e as 24h00.
Na sua 37.ª edição, a Semana do Mar já encontrou o seu modelo. É a Festa do Mar, centrada num dos maiores festivais náuticos do país e complementada com animação em terra onde marcam presença a gastronomia, o folclore, os concertos, as exposições, entre outras coisas. Em fase de maturidade, à festa dos faialenses já não são esperadas muitas mudanças. A cidade da Horta, essa sim, está a mudar. Com o novo molhe norte do porto recém-inaugurado e o projecto de requalificação da frente de mar em andamento, Tribuna das Ilhas foi tentar saber como é que as mudanças na cidade podem influenciar a Semana do Mar.
As intervenções na frente marítima da Horta estão a mudar a cidade. O novo terminal marítimo de passageiros no lado norte da baía já é uma realidade e aguardam-se as intervenções na zona sul, bem como a reabilitação da frente marítima daquela que é cidade mar dos Açores.
Neste cenário, o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) entende que a Semana do Mar também poderá sofrer alterações na sua distribuição espacial. No entanto, ressalva, isso não deverá acontecer em breve, já que o desafio de mudar a Semana do Mar passa por fazê-lo “sem partir a festa”. “A Semana do Mar vale muito pelo facto de se ter criado um espaço central onde as pessoas convivem. Podia espalhar-se mais pela cidade, mas essa experiência noutros locais não resultou”, entende João Castro. Para o autarca, um dos grandes trunfos da Semana do Mar é o facto de se estender do Clube Naval, onde se desenrola a componente náutica, até ao palco principal, na Avenida, sem barreiras nem “espaços mortos”. “Não será fácil deslocalizar a Semana do Mar e, a fazê-lo, há que deslocalizá-la num todo”, diz.
João Castro lembra que já foram feitos alguns “ensaios” para deslocalizar parte da festa, que não tiveram o resultado esperado, como é caso da componente nocturna no parque da Alagoa: “do ponto de vista financeiro não foi um sucesso e também se percebeu que a actividade nocturna na Alagoa não era compatível com o campismo e com a actividade que durante o dia ali se desenvolve, pois não nos podemos esquecer de que aquele é o parque da cidade”.
João Castro entende, no entanto, que a actual solução para a Semana do Mar “é boa”, e lembra que poderão ser encontrados novos espaços para complementar a festa, adjacentes à zona onde actualmente se desenvolve, como afutura Escola Básica e Integrada, após as obras.
Para João Castro, da mesma forma que as mudanças na cidade podem contribuir para melhorar a Semana do Mar, também a festa dos faialenses pode inspirar uma nova Horta. “O mar só é uma oportunidade se as pessoas nele se envolverem e a Semana do Mar é o pretexto por excelência para esse envolvimento”, explica.
Segundo o edil, um dos desafios que a Horta enfrenta nesta altura é fazer com que a agregação dos faialenses em torno do mar que se verifica na primeira semana de Agosto se estenda por todo o ano.
Em tempos de crise, a Semana do Mar organiza-se com a palavra “contenção” na consciência. A edição de 2012 custa cerca de 250 mil euros, 120 mil dos quais directamente investimentos pelo município. João Castro não tem dúvidas de que os benefícios que a Semana do Mar traz para a economia da ilha compensam em muito o investimento.
Por outras paragens na Região, o figurino das festas evoluiu para concertos pagos. Pegando neste exemplo, perguntámos ao presidente da CMH se essa possibilidade é considerada para a Semana do Mar, como uma forma de ajudar a festa a financiar-se a ela própria. João Castro entende que, no futuro, os concertos pagos acabarão por ser implementados, no entanto a actual localização da festa não permite infra-estruturar a zona do palco principal para tal. Além disso, entende, “neste período de crise a probabilidade dos concertos pagos serem um sucesso é menor”. “Devemos aguardar por melhores tempos e oportunidades para equacionar essa questão”, diz.
No grupo de trabalho, no entanto, já se debatem algumas localizações possíveis para criar uma zona de concertos pagos. Espaços como o estádio do Fayal Sport, o parque da Alagoa, a Avenida Machado Serpa, a escola Básica e Integrada, a zona de Porto Pim ou o Largo Manuel de Arriaga são hipóteses a estudar.
Os Deolinda, banda portuguesa que até já passou pela Semana do Mar, escreveram uma canção que conta a divertida história ficcionada sobre a problemática colocação de um mastro num qualquer município, que gerou a discórdia entre a população, com alguns a concordarem com o empreendimento e outros a torcerem o nariz. Esta canção bem poderia ser a banda sonora daquela que é sempre a questão mais controversa da Semana do Mar: a localização do palco principal.
A saída do palco da Marina, há alguns anos, para passar a estar localizado na Avenida, provocou uma chuva de críticas, e hoje ainda muitos faialenses suspiram pela anterior localização.
Confrontado com esta situação, o presidente da CMH reconhece que, do ponto de vista do espectador, a Marina era a melhor localização, no entanto “colocava problemas na logística de suporte ao palco”, além de que ficava mais longe das tasquinhas que, segundo o edil, beneficiam da proximidade do palco.
João Castro aponta ainda outra razão para a saída da marina: a introdução da Expomar no figurino da festa. “Queríamos uma localização para a Expomar o mais próximo possível do mar”, diz, lembrando que o certame envolve visita a embarcações e actividades com embarques e desembarques.
O corte do trânsito durante duas semanas na Avenida causa alguns constrangimentos à população, no entanto João Castro lembra que tal não se deve apenas ao palco, mas principalmente à Feira Gastronómica: “fazemos uma das melhores feiras gastronómicas do país, com um número de restaurantes não muito significativo mas de boa qualidade, e com um enquadramento notável, permitido pela Avenida 25 de Abril”, diz.
Como já é tradição, a Semana do Mar arrancou oficialmente no domingo, com o desfile de bandas filarmónicas nas ruas da cidade e com o cortejo dos participantes no festival náutico desde o Clube Naval da Horta (CNH) até ao Largo do Infante, onde o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) deu as boas vindas à maior festa do Faial.
João Castro começou por centrar o seu discurso no Mar, lembrando que o mesmo constitui uma oportunidade cada vez maior, que importa “conhecer, preservar e potenciar”. Nesse sentido, o autarca alertou para o facto da Semana do Mar ser uma “extrapolação” da identidade marítima do Faial e da “apetência” natural que a ilha tem para aproveitar as oportunidades do Mar.
Sobre o programa da Semana do Mar 2012, João Castro explicou que o objectivo passou por “incluir as diferentes idades” bem como “aproveitar os recursos e o potencial” da cidade. Neste âmbito, o destaque foi para o programa náutico, preparado pelo CNH, para os grupos regionais e locais que se apresentarão nos palcos da cidade ao longo destes dias de festa e para a presença da carne e do peixe dos Açores na Feira Gastronómica.
O autarca reservou parte do seu discurso aos elogios ao novo terminal marítimo de passageiros, inaugurado no final de Julho. Classificando o empreendimento como uma “obra notável” que “irá transformar o transporte marítimo de passageiros no Triângulo”, João Castro quis cumprimentar o Governo Regional pela sua execução. No entanto, os maiores elogios do edil couberam a Fernando Nascimento, presidente da Portos dos Açores, que, para João Castro, conduziu esta obra “de forma exemplar”.
João Castro deixou também palavras de apreço ao velejador francês Yves Le Blevec, que está na Horta, de onde irá partir para tentar estabelecer o recorde de maior número de milhas percorridas em 24 horas.
A terminar, o autarca lembrou que a Horta está à beira de ser, oficialmente, membro do clube das mais belas baías do mundo, entronização que deverá acontecer em Setembro.
À intervenção do presidente da CMH seguiu-se a interpretação da marcha oficial da Semana do Mar, este ano na voz de Cristina Pinheiro.