O pavilhão do Fayal Sport Club foi pequeno para receber todos os participantes no jantar comício que este sábado juntou os socialistas faialenses, na recta final para as eleições do dia 14. A sondagem da Eurosondagem para a SIC e para o Expresso, divulgada na passada semana, que aponta para uma vitória clara do PS, parece ter galvanizado o partido na ilha, criando grande mobilização à volta deste comício.
O primeiro discurso da noite esteve a cargo da cabeça-de-lista do PS/Faial. Ana Luís mostrou-se satisfeita pela casa cheia que encontrou, e garantiu que encontra nesta demonstração de apoio “força e coragem” para continuar a campanha.
Referindo-se às medidas de austeridade tomadas a nível nacional pelo Governo PSD/CDS-PP, Luís entende que a vitória do PS nos Açores é uma forma de “criar uma bolsa de resistência que dê esperança a este país”.
Falando da tentativa dos social-democratas açorianos de se demarcarem de Pedro Passos Coelho, a candidata socialista recordou que, há cerca de um ano, o PSD/Açores fazia campanha na Região ao lado do actual primeiro-ministro: “Enganaram-nos e continuam a iludir os açorianos”, referiu.
As críticas ao PSD/Açores personificaram-se na pessoa de Berta Cabral, com Ana Luís a criticar o facto da candidata laranja à presidência do Governo ter dito, no comício social-democrata no Faial, que preferia baixar o preço das passagens aéreas do que pagar subsídios de desemprego. Para Luís, trata-se de um sinal de que o PSD pretende aumentar a desigualdade social na Região. “Berta Cabral é uma via aberta para o aumento dos impostos nos Açores”, referiu.
As sondagens põem o PS no Governo mas a decisão faz-se nas urnas, por isso Ana Luís não perdeu a oportunidade de pedir votos no dia 14: “peço-vos que se mobilizem para o combate à abstenção e para dar o voto pelos Açores”, disse, frisando que o voto pela Região “só pode ser no PS”.
Luís voltou também a fazer a elencagem da obra socialista no Faial, discurso que tem, aliás, marcado a campanha do PS. Desta feita, no entanto, a candidata fez também algumas promessas, como a criação do novo perímetro de desenvolvimento agrário de Cedros e Salão, a construção do polivalente da Feteira, a criação de um Centro de Noite na zona Norte, a construção do novo matadouro, a segunda fase da obra do porto, o apoio à reconstrução das Igrejas, o novo quartel de bombeiros e o incentivo à criação de uma economia do mar, com o apoio ao Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores e com a criação, já anunciada, da Escola de Formação de Marítimos.
A terminar, Luís deixou uma última promessa: “não terminamos a nossa missão a 14 de Outubro. A nossa verdadeira missão começa aí”, disse.
Também o candidato socialista à presidência do Governo Regional pediu aos faialenses “uma grande vitória do PS” no dia 14. Vasco Cordeiro encarou a sala cheia que o recebeu como uma prova de que “o Faial está com o projecto do PS”.
Para o candidato rosa, o principal desafio da próxima legislatura é a criação de emprego. Para tal, defende uma aposta que vá além dos sectores tradicionais da economia. Nesse sentido, defende uma aposta clara no Mar, área onde o Faial deve ter “uma posição de vanguarda” a nível regional. Continuar a aposta no transporte marítimo é um dos objectivos de Vasco Cordeiro, que salientou o facto das ilhas do Triângulo irem em breve dispor de novos navios para o transporte de passageiros. Consolidar o transporte sazonal marítimo, revitalizar os estaleiros da Madalena, fomentar a pesca sustentável e apostar no turismo náutico são outras prioridades.
Vasco Cordeiro aponta três áreas onde pretende fazer dos Açores “referência nacional” nos próximos dez anos. São elas o turismo náutico, a exploração comercial dos recursos marinhos e o equilíbrio entre ambiente e exploração económica do mar.
Para Cordeiro “assumir o mar como desígnio regional impõe também ter consciência quanto à necessidade da sua defesa”. “É preciso tornar claro que os frutos desse recurso devem servir os açorianos”, referiu, garantindo que “o mar dos Açores não está a saque”.
Para desenvolver a posição de vanguarda do Faial na economia do mar, Vasco Cordeiro destaca o papel da Escola de Formação de Marítimos, dizendo que a mesma foi uma iniciativa sua enquanto secretário regional, tendo então frisado que devia ficar localizada no Faial.
A segunda fase da obra do porto também mereceu uma referência do candidato socialista, que aproveitou a ocasião para uma última promessa, nova nesta campanha eleitoral mas anteriormente já referida por diversas vezes: a criação de um Parque Tecnológico no Faial ligado ao Mar.
O momento mais emotivo da noite, que fez levantar o Fayal Sport, foi quando Genuíno Madruga, mandatário da lista do PS/Faial, entregou a Vasco Cordeiro a bandeira dos Açores que levou a bordo do seu veleiro Hemingway na sua última viagem à volta do mundo, dizendo esperar que a mesma possa ser “o símbolo da vitória do PS” no próximo domingo.

Os candidatos do PSD/Faial às eleições legislativas regionais estiveram hoje reunidos com as associações do sector das pescas. A lista laranja ouviu os representantes da Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores (APEDA) e da Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA), para se inteirar sobre a realidade do sector. No final da reunião, Mário Pinho salientou a importância de ouvir estas associações, cujos desembarques representam “mais de 90% da pesca comercial dos Açores”.
Lembrando que os pescadores também são empresários, Mário Pinho referiu que as preocupações destes são comuns à de toda a classe empresarial. Para fazer face às dificuldades do sector da pesca, o candidato entende, no entanto, que há que definir prioridades. Para Mário Pinho, antes de se pensarem em infra-estruturas ou na comercialização, é necessário “reforçar como prioridades a sustentabilidade dos recursos biológicos e a rentabilidade das empresas de pesca”.
“A sustentabilidade tem sido mais um slogan publicitário do que um objectivo”, entende. Para mudar esta situação, o investigador considera que é essencial o factor comunicação. Nesse aspecto, entende que o fim da Semana das Pescas “criou um vazio” no que à comunicação no sector diz respeito. Por isso, o PSD propõe a criação de “um fórum técnico e prático, de apresentação e discussão de resultados, com objectivos definidos de curto, médio e longo prazo”. Ciente de que “esses objectivos não se cumprem sem que os parceiros tenham capacidade para participar nesse fórum”, Mário Pinho entende que é necessário “reforçar a capacidade técnica das associações”. O candidato laranja defende ainda um reforço nos “aspectos da investigação para suporte e apoio à decisão e à exploração”.
O acto de amamentar, mais do que de natureza fisiológica, tem uma grande componente emocional. A visão de uma mãe a dar de mamar ao seu filho apela aos sentimentos, e a prova disso é o facto da amamentação ser fonte de inspiração para vários artistas, como é o caso do génio da pintura Pablo Picasso, que usou a sua arte para retractar este momento em que, segundo se diz, se reforça aquele que porventura será o mais forte elo das relações humanas: a ligação entre mãe e filho.
Para assinalar a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que se celebra esta semana, o pediatra espanhol José Paricio esteve no Faial no passado domingo, para falar de amamentação a um grupo de mães e pais faialenses. No encontro, que decorreu na Junta de Freguesia da Conceição, o médico chamou a atenção para as vantagens da amamentação, frisando a necessidade desta ser reaprendida como uma cultura que faz parte do universo feminino.
José Paricio é actualmente o chefe de pediatria do Hospital Marina Alta, em Alicante, Espanha. Este é, desde 1999, acreditado pela UNICEF como “hospital amigo das crianças”. Entusiasta do aleitamento materno, este pediatra não tem dúvidas de que os bebés amamentados pelas mães são mais saudáveis. “Além disso, amamentar é muito bonito”. “Os homens têm inveja ao ver como as mães e os bebés se relacionam durante a amamentação”, diz, em tom de brincadeira. “É algo que nós, pais, nunca poderemos fazer”, acrescenta.
O médico lembra que, “até há cerca de pouco mais de cem anos, as crianças apenas podiam sobreviver se fossem amamentadas com leite de mulher”. Paricio recorda a existência das amas-de-leite, que amamentavam os bebés cujas mães não podiam ou não queriam dar de mamar”. Inicialmente, explica, não se percebia por que razão os bebés não sobreviviam se não fossem alimentados com leite humano. Mais tarde, no entanto, descobriu-se que “existe uma diferença na quantidade de sais e proteínas dos leites”. “No reino animal, os mamíferos, como os gatos, crescem muito depressa. Por isso necessitam que o leite da sua mãe tenha muitas proteínas. O mesmo acontece com o leite de vaca. Por isso, quando se dava leite de vaca aos bebés estes não o podiam digerir e os seus rins falhavam. O leite de vaca tem 3 vezes mais proteínas e sal do que o leite de mulher”, explica.
Paricio explica que “cada mamífero fabrica o leite de que necessita”, pelo que o leite humano tem todas as proteínas, açucares, gorduras, vitaminas e água na dose certa para o bebé. Além disso, tem coisas que o leite adaptado não tem, como anticorpos e glóbulos brancos. Por isso, protege o bebé de doenças e infecções como otites, alergias, bronquiolites ou meningites.
Com o desenvolvimento da química, foram-se fazendo experiências, como a dissolução do leite de vaca com água. Foram então surgindo leites semelhantes ao leite de mulher, e os bebés começaram, pela primeira vez, a ser amamentados com outra coisa que não o leite da mãe.
O surgimento de uma indústria farmacêutica de leite em pó fez com que os interesses económicos despoletassem uma campanha de valorização desse produto, em detrimento do leite materno. Esta situação, aliada a outros factores, fez com que se tivesse perdido, durante algum tempo, a cultura da amamentação. Paricio explica que o conceito de aleitamento materno não pode ser entendido apenas como um instinto: “o bebé sabe mamar por instinto, porque nasce preparado para tal. A mãe, apesar de ter alguns reflexos relacionados com o instinto, tem de saber como se sentar, como colocar o bebé, e outras coisas. Isso é a cultura da amamentação, que antes passava de mulher para mulher. Mas as mães da geração de 60, 70 ou 80 não deram peito por isso não podem ajudar as suas filhas”, diz.
O esmorecimento da cultura da amamentação entre as mulheres fez com que a responsabilidade da sua revitalização recaísse sobre médicos e enfermeiros. No entanto e de acordo com o pediatra, estes também nem sempre estiveram preparados para esclarecer as jovens mães, tendo até veiculado, ainda que de forma não intencional, algumas informações erradas, “como a necessidade de dar peito a cada 3 horas”. Hoje, sabe-se que o ideal é, por norma, dar de mamar quando o bebé quiser.
Paricio congratula-se pelo facto de, nos últimos anos, ter aparecido “um grupo de mães dispostas a recuperar a cultura do aleitamento materno”, que têm contado com o apoio dos médicos e enfermeiros entusiastas da amamentação. No entanto, o pediatra entende que “o aleitamento materno só estará verdadeiramente a salvo quando sair do universo da medicina para passar a fazer novamente parte do universo da mulher”.
No âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros organiza no dia 4 de Outubro, no auditório da Biblioteca Pública da Horta, a conferência “Compreendendo o Passado – Planeando o Futuro”, onde serão abordados vários temas relacionados com a amamentação. Esta iniciativa é aberta a todas as pessoas interessadas no tema.
Hoje, 1 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial do Idoso. Para comemorar a data, o Hospital da Horta associou-se à Escola Básica da Vista Alegre, organizando um convívio inter-geracional que juntou os idosos internados no serviço de medicina aos alunos do segundo ano do referido estabelecimento de ensino.
Os mais novos foram os protagonistas da festa, que começou com uma canção sobre o coração. De seguida, as crianças mostraram uma dança e finalmente ofereceram uma lembrança a cada um dos idosos, que aplaudiram com gosto o pequeno espectáculo por elas montado. No final, crianças e idosos partilharam um lanche.

De acordo com António Goulart, director clínico do Hospital da Horta, esta iniciativa, que partiu da equipa que trabalha no serviço de medicina, visa “juntar os mais fragilizados pela doença e pela idade, neste momento internados, com uma turma de crianças, que vem emprestar a sua alegria e comunicabilidade”. “A parte anímica e psicológica dos doentes é estimulada com esta interacção, com esta demonstração de afectos”, explica o responsável, referindo que “as crianças são um veículo de energia e de alegria, e isso contribui para o bem-estar das pessoas”. “Muitas destas pessoas vivem períodos de solidão e de ansiedade”, lembra, frisando que a interacção com os mais jovens é comprovadamente um factor positivo para estes doentes.

Com capacidade para 32 utentes, o serviço de Medicina do Hospital da Horta tem neste momento cerca de duas dezenas de doentes.
Os candidatos do PSD/Faial às eleições legislativas regionais estiveram esta manhã reunidos com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Horta, para se inteirarem da actividade desta instituição. No final da visita, Carlos Ferreira enalteceu “o excelente trabalho da CPCJ da Horta na protecção das crianças e jovens e na promoção dos seus direitos na ilha do Faial”.
De acordo com o candidato, “esta visita serviu para reforçar o alerta para a degradação das condições sociais nos Açores ao longo dos últimos anos”. Para Carlos Ferreira, os 16 anos de governação socialista nos Açores não permitiram criar um futuro de coesão social e a prova disso é o facto dos Açores apresentarem neste momento “a mais alta taxa de desemprego de sempre” que é, inclusive, superior à média nacional.
Quanto a medidas concretas no campo social, Carlos Ferreira destaca a proposta de implementação de um plano social de salvaguarda nos Açores. Para tal, o PSD pretende retirar 21 milhões de euros às despesas com cargos políticos, canalizando essa verba para os apoios sociais, “nomeadamente para o aumento de 20% do complemento regional de pensão, do complemento regional do abono de família e do apoio à aquisição de medicamentos. “Esta medida, acompanhada da criação de um subsídio de insularidade de 5% do salário para os trabalhadores do sector privado, que consta do programa de Governo de Berta Cabral, serão, especialmente nesta fase difícil, instrumentos importantes para a melhoria das condições de vida dos faialenses e dos açorianos”.