No próximo domingo, dia 2 de fevereiro, o Fayal Sport Club (FSC) assinala 105 anos de existência. O mais antigo clube açoriano, pilar importante da disseminação do futebol no arquipélago, divide o orgulho entre a sua história já mais que centenária e repleta de conquistas importantes e a sua capacidade de se renovar. A face visível dessa capacidade de renovação é a formação de atletas, que o atual presidente do clube entende ser o “grande alicerce” do FSC. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Celestino Lourenço, que falou também das dificuldades que os Verdes da Alagoa enfrentam: com os apoios cada vez mais escassos e a chegar cada vez mais tarde, fazer face a investimentos importantes é uma missão impossível. No topo das preocupações está neste momento o pavilhão, que, sem condições para acolher jogos e oferecendo até perigo a quem o utiliza, precisa urgentemente de ser reabilitado ou substituído.
A sala de troféus do FSC, no velhinho pavilhão, há muito que se tornou pequena para albergar a história da instituição. Ao centro, um (aparentemente) insignificante caneco de lata, baço e tosco, parece destoar das taças brilhantes e elegantes que o circundam. No entanto, é ele o expoente maior do alcance da história do mais antigo clube açoriano. O caneco é o primeiro troféu conquistado pelo clube, e já conta com mais de cem anos de existência.

A história de mais de um século é, sem dúvida, um dos motivos de orgulhos dos mais de 900 sócios dos Verdes da Alagoa. No entanto, nem só de história vive o clube. Com 250 atletas a praticar futebol e futsal e mais 100 na modalidade de basquetebol, o FSC é hoje um clube rejuvenescido, muito por força da aposta clara na formação. “Nos últimos anos o FSC tem trabalhado muito bem na formação e os resultados estão à vista: conseguimos arranjar bons técnicos, credenciados para tomar conta da formação, e com resultados muito positivos. Ganhámos todos os escalões de formação a nível local”, lembra o presidente do clube, destacando também o empenho do clube na formação de basquetebol e até em futsal, onde o escalão de infantis vai disputar esta época o Regional.
Celestino Lourenço faz questão de agradecer aos técnicos do clube, pela dedicação à formação, e também aos pais dos atletas, que têm colaborado com o FSC, vestindo a camisola da família Verde.
A pujança da formação na Alagoa não resolve, no entanto, as dificuldades quando é necessário formar a equipa senior, já que quando os atletas chegam à idade de atuar pela equipa principal muitos deles deixam a ilha para frequentar o ensino superior: “pelo menos 10 aletas transitavam da formação para a equipa senior esta época. No entanto todos eles foram estudar para fora. Temos essa dificuldade porque os bons atletas geralmente também são bons alunos e é muito difícil ficarem cá. Conseguimos arranjar um bom plantel, competitivo, mas da formação aproveitámos muito poucos”, explica o presidente.
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Maria Graça Silveira, primeira candidata do CDS-PP pelo Faial nas últimas legislativas, tem assumido um lugar de destaque no debate parlamentar regional. Apesar de não ter sido eleita pelo Faial, o facto do CDS ter elegido um deputado pelo Círculo de Compensação abriu-lhe as portas da Casa da Autonomia, onde Graça tem procurado ter um papel interventivo. Militante do CDS desde 2007, tem vindo a ganhar destaque na estrutura do partido a nível regional e não só, já que foi eleita para a Comissão Política Nacional (CPN) do partido no último congresso.
Com um percurso de vida claramente dedicado à Academia, Graça é licenciada em Engenharia Agro-Industrial pelo Instituto Superior de Agronomia, mestre em Ciência e Tecnologia dos Alimentos pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorada em Nutrition, Food technology and Biotechnology pela Wageningen University, na Holanda. Professora na Universidade dos Açores (UA) há vários anos, decidiu dedicar-se à política por entender que esta é uma forma nobre de serviço ao próximo, no entanto não esquece a sua bagagem académica e procura colocá-la ao serviço da sua intervenção política. Tribuna das Ilhas conversou com a deputada sobre o seu percurso no CDS e sobre a sua visão quanto a assuntos como a investigação científica e o setor agro-pecuário.
Encaro-o como um reconhecimento dos órgãos nacionais do partido em relação ao trabalho feito pelo CDS-PP/Açores, muito em particular do Dr. Paulo Portas que é e sempre foi muito próximo das estruturas regionais do partido, para além dum profundo conhecedor da realidade de todas as nossas ilhas. Mas é também com grande responsabilidade que passo a fazer parte da CPN de um partido que se encontra no Governo, muito em particular nesta altura em que é necessário adotar medidas difíceis, face à situação em que o país se encontra. Por outro lado, em todos os partidos existem dirigentes/militantes com visões centralistas e, portanto, sinto que tenho uma responsabilidade acrescida na afirmação da nossa autonomia.
Em 2005 fui convidada pela primeira vez a integrar uma lista do CDS-PP à Câmara de Angra do Heroísmo, convite que aceitei na condição de independente. Em 2007 quando Artur Lima se candidatou à liderança do CDS-PP/A, convidou-me para fazer parte da sua lista. Na altura fui apanhada de surpresa, até porque estava grávida, e, portanto, não me sentia com disponibilidade para assumir essa responsabilidade. O Artur, com a sua capacidade de persuasão, convenceu-me a aceitar o desafio, tendo sido eleita em Congresso para a Comissão Política Regional do CDS-PP/A. Por um lado, sempre me identifiquei com a direita e, em particular, com os valores da democracia Cristã e, por outro, ao contrário da opinião que se vulgarizou, acho que a política é a mais nobre forma de serviço ao outro, se pensarmos que o poder é um meio para mudar a vida das pessoas. No entanto, devo admitir que uma das coisas que receava na vida política era ter que comprometer valores em que acreditava em nome da disciplina partidária. Até hoje em nenhum momento senti, dentro do CDS, qualquer constrangimento quanto à minha liberdade de expressão. Aliás, o estilo de liderança do Artur Lima “assenta-me que nem uma luva”, é destemido, combativo, direto e leal. Penso que tudo isto levou a que eu me integrasse bem nesta equipa, e, em 2011, fui eleita presidente da Concelhia de Angra do Heroísmo do CDS-PP e também presidente do Conselho Económico e Social Regional.
Ao voltar aos Açores após o meu doutoramento na Holanda, consciente das nossas mais-valias (na sua maioria completamente desaproveitadas), vinha cheia de projetos que acreditava poderem contribuir para o desenvolvimento da Região. No entanto, rapidamente percebi que a aproximação do poder político à comunidade científica raramente acontece, resumindo-se a uma propaganda eleitoralista sem consequências práticas. Portanto esta minha passagem pela ALRAA deu-me a oportunidade de discutir assuntos que são determinantes para o desenvolvimento regional. Nisto sinto-me completamente alinhada com a atuação do CDS-PP, que sempre foi a da crítica construtiva apresentando alternativas credíveis que melhor sirvam os açorianos e os Açores. Além disso, devo admitir que gosto de facto do debate parlamentar e, neste sentido, estar num partido com três deputados tem a vantagem de poder intervir com frequência e de poder intervir como acho que devo fazer, pois nunca senti que tinha uma agenda de interesses partidários a cumprir.
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As obras de ampliação do Hospital da Horta, cuja data prevista de conclusão apontava para sexta-feira, 31 de janeiro, pararam há cerca de duas semanas. A razão para a suspensão dos trabalhos ordenada pelo construtor, reside, segundo este, em pagamentos em atraso. Ora, segundo a administração do Hospital, todos os pagamentos devidos ao consórcio Way2B, responsável pela obra, estão em dia.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração, o construtor alega estar em falta o pagamento de 1,5 milhões de euros, relativos a trabalho extra na obra. Ora, segundo João Morais, 500 mil euros destas verbas dizem respeito a faturas “que não foram visadas pela fiscalização” e que, não tendo seguido os procedimentos ilegais exigidos, não podem ser pagas. Quanto à restante verba, cerca de 1 milhão de euros, João Morais reconhece que se devem a trabalhos que inicialmente não estavam previstos para esta altura, mas que foram necessários para assegurar o funcionamento do hospital. No entanto, frisa, o prazo de pagamento para estes valores foi fixado nos meses de fevereiro e março.
Além disso, a administração do Hospital da Horta recebeu uma ordem de penhora do tribunal, no sentido de reter algumas quantias que devia pagar à Way2B para, ao invés, pagar a um dos subempreiteiros contratados pelo consórcio, a quem este terá pagamentos em atraso.
De acordo com João Morais, o gabinete jurídico do Hospital está a analisar esta situação, para perceber se a suspensão da obra é ou não legítima. Caso se confirme a legitimidade desta decisão do construtor, o número de dias de paragem é acrescentado ao prazo de conclusão da obra, que devia terminar dia 31. Se a suspensão da obra não for legítima, o construtor poderá ter de pagar uma multa por cada dia de atraso, no valor de 16.500 euros.
O presidente do Conselho de Administração do Hospital garante que esta situação não terá implicações num eventual atraso da próxima fase da obra, que implica a construção do edifício da consulta externa e que a Carta Regional das Obras Públicas calendariza para o segundo semestre de 2015.
No passado dia 7 de janeiro passou um ano sobre o encerramento oficial da Estação Radionaval da Horta. Na altura, a decisão da Marinha causou grande consternação na ilha, com muitas vozes a considerarem este mais um exemplo do “esvaziamento” a que o Faial tem assistido.
Um ano depois, no entanto, a Marinha mantém um contingente de quatro militares na Estação Radionaval, apesar da capacidade de transmissão estar a ser efetuada a partir do Centro de Comunicações dos Açores, localizado em Santana, na Ribeira Grande (São Miguel), desde abril de 2013.
De acordo com fonte da Marinha, decorre, paralelamente ao projeto de modernização das estações radionavais, a edificação do sistema de comunicações de suporte à busca e salvamento, denominado Global Maritime Distress and Safety System (GMDSS), estimando-se que as novas infraestruturas deste sistema fiquem concluídas no decorrer de 2014. Este sistema tem por objetivo apoiar a Marinha no cumprimento da sua responsabilidade nacional e internacional da salvaguarda da vida humana no mar, particularmente no que diz respeito à busca e salvamento marítimo.
No âmbito deste projeto, “prevê-se a instalação de pequenos locais de transmissão e receção, nas bandas rádio MF (Medium Frequency) e VHF (Very High Frequency) em várias ilhas do arquipélago, de forma a aumentar a cobertura da rede GMDSS e desta forma, assegurar uma rede de busca e salvamento marítimo ajustada à dimensão do mar do arquipélago dos Açores. Esta rede será controlada, gerida e mantida a partir do Centro de Comunicações dos Açores e operada pelo Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada”, explicou ao Tribuna das Ilhas o tenente Silva Graça, oficial de Relações Públicas do Comando da Zona Marítima dos Açores. É no âmbito dos trabalhos de instalação deste sistema que a Marinha mantém na Horta um contingente de quatro militares, que será reduzido para três “a breve trecho”, e que permanecerá no Faial até à conclusão do projeto GMDSS.
Surgida a 30 de julho de 1928, com a criação de um Posto Radiotelegráfico, a Radionaval da Horta tornou-se Estação Radionaval principal em 1977. Por ela passaram centenas de militares ao serviço da Marinha Portuguesa.
As instalações deixadas vagas pela Radionaval da Horta irão acolher a Escola de Marítimos dos Açores, como confirmou o secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga, no verão passado.
O Plano Estratégico da ANA – Aeroportos de Portugal até 2017 não contempla a ampliação da pista do Aeroporto da Horta nem a construção de áreas de segurança, denominadas RESA, naquela infra-estrutura. A informação foi divulgada pelo secretário regional do Turismo e Transportes esta semana e motivou a reação da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH), que esta manhã, em conferência de imprensa, deu conta da sua preocupação em relação a este assunto, para o qual está a tentar sensibilizar não apenas os Executivos nacional e regional mas também a Vinci Airports, entidade proprietária da ANA.
Humberto Goulart lembra que a pista do Aeroporto da Horta é a única em Portugal que não cumpre com os standards previstos no Anexo XIV do Código Aeroportuário ICAO, definido pela Organização da Aviação Civil Internacional, por não dispor de áreas de segurança de fim de pista (RESA), “situação que se arrasta desde 1999”.
O presidente da CCIH lembra ainda que a ampliação da pista do Aeroporto da Horta é “um investimento estruturante para o desenvolvimento económico e turístico”, não só do Faial mas do Triângulo e de toda a Região.
Nesse sentido, os empresários pedem ao Governo Regional que pressione o Governo da República para a inclusão no Plano Estratégico da ANA destes investimentos. A CCIH já deu conta das suas preocupações não apenas aos dois Executivos mas também à Vinci Airports, que em setembro passado adquiriu a gestora portuguesa dos aeroportos.
Em conversa com os jornalistas, Carlos Morais, da Direção da CCIH, lembrou que a ausência de áreas de segurança de fim de pista condiciona a operação dos aviões maiores. Para o empresário, mais do que a ampliação da pista, que implicaria um crescimento de cerca de 500 metros, importa garantir a construção dessas áreas, que pressupõe um aumento de 90 metros para cada lado: “será uma obra de alguns milhões, mas a vida de uma pessoa não tem preço”, entende Carlos Morais, para quem esta lacuna pode abrir porta, no futuro, para que aviões de maior porte como os A319 e A320 deixem de voar para o Faial e, como consequência, a ilha deixe de ter ligações diretas com o continente, o que prejudicaria grandemente as atividades económicas, com destaque para o Turismo.