Hoje, 9 de julho assinala-se o 15.º aniversário do sismo que abalou o Faial em 1998. Nesse dia, José Manuel Souto Gonçalves agarrou na câmara fotográfica e foi percorrer a ilha para perceber a dimensão do acontecimento. Quinze anos depois, o jornalista recupera algumas das fotografias que tirou e partilha-as com o público na exposição “O Faial Ruiu”. Esta é inaugurada esta noite, às 21h00, na sede da Junta de Freguesia de Castelo Branco, onde estará patente ao público até 31 de julho, das 09h00 às 12h00 e das 13h00 às 16h00. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Souto Gonçalves, sobre o dia em que as imagens foram recolhidas e sobre o gosto pela fotografia que o jornalista cultiva desde sempre.
Eram 5h19 da manhã do dia 9 de julho quando os faialenses acordaram em sobressalto, sacudidos por um sismo de 5,8 graus de magnitude na escala de Richter e com epicentro a 16 quilómetros da cidade da Horta. Sentido no Faial, no Pico e em São Jorge, foi na ilha azul que causou mais impacto: morreram oito pessoas, muitas ficaram feridas e a destruição mudou por completo a face da ilha.
“Como se a minha casa fosse um cesto de vimes, um gigante parecia ter-lhe pegado pelas asas, chocalhando-o para saber o que estava lá dentro!”. É assim que Souto Gonçalves descreve a sensação que o acordou naquela madrugada. Exemplo de que o jornalismo é, mais do que uma profissão, um modo de vida, saiu da sua casa, em Castelo Branco, saltou no carro e foi, como fazem os jornalistas, “à procura do que acontecera”, a mão guiada por instinto ao botão do rádio, de onde vieram as primeiras informações. “Estava longe de imaginar o que se passava”, confessa. À passagem nos Flamengos chegou-lhe a sensação de que algo terrível tinha acontecido. Na cidade, entrou na redação do Telégrafo, diário em que trabalhava na altura, agarrou a câmara fotográfica e um punhado de rolos (esse artefacto que, no apogeu do digital, nos parece saído de uma expedição arqueológica) e saiu rumo ao norte da ilha. No lugar do pendura, o bispo D. António, que estava no Faial e a quem Souto Gonçalves deu boleia até à Ribeirinha.
“Numa volta à ilha dolorosa, cada curva, cada lomba, cada casa, cada rosto confirmavam que nascera antes da alvorada um dos mais trágicos dias” da história do Faial. De câmara em punho e enquanto não se lhe acabaram os rolos, Souto captou “as imagens de uma ilha dilacerada, incrédula, de braços caídos”. Fez mais de cem fotografias.
“Atendendo ao que fui vendo, perdi um pouco o ímpeto inicial de fazer a reportagem”, confessa, tal a desolação que encontrou na viagem. “Passei na Ribeirinha quando a estrada ainda estava intransitável, e para ir para lá da zona da igreja tive de passar por cima das pedras”, recorda.
Entre as imagens que mais o impressionaram, Souto recorda a chegada à Igreja do Salão: “vi-a completamente desaparecida, como se tivesse implodido. Uma senhora disse-me que no domingo anterior tinha havido primeira comunhão ou comunhão solene e a igreja estava apinhada de gente. Pus-me a imaginar, se o sismo tivesse acontecido nessa altura, a desgraça que tinha sido”, conta.
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Arranca hoje, na Horta, a sessão plenária de julho da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Os trabalhos iniciam-se com um debate de urgência, apresentado pelo CDS-PP, pelo PPM e pelo BE, sobre o funcionamento, transparência e isenção da Administração Pública.
Para esta semana prevê-se a discussão de vários projetos de resolução, visando a actualização do acréscimo ao salário mínimo nacional e o complemento regional de pensão (apresentado pelo BE), a criação do canal Parlamento/Açores (do PPM) e ainda o Acordo de Comércio Livre com a Tailândia (do PSD).
Serão também apresentados vários projetos de decretos legislativos regionais, um dos quais visa a adaptação à Região do Código do Trabalho e é da iniciativa do BE. A representação parlamentar bloquista traz a plenário propostas de alteração ao Estatuto do Ensino Particular, Cooperativo e Solidário e ao Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário.
Entre as propostas do Governo, destaque para o decreto legislativo regional que regula para 2013 a calendarização do processamento do subsídio de férias e das prestações correspondentes ao 14.º mês e equivalentes.
Será também reapreciado o decreto sobre o regime jurídico aplicável às novas substâncias psicoactivas.

O potencial da Igreja de São Francisco para palco de concertos, pelas impressionantes condições acústicas do espaço, já não é novidade para os faialenses, que já tiveram oportunidade de assistir à exibição de vários músicos naquele local. Ora, a professora de ballet Aline Despres decidiu levar esse potencial mais longe e concebeu um espetáculo de dança para aquele espaço, apresentado ao público no passado dia 3 de julho.

O espetáculo “O Corcunda de Notre Dame” assinalou o encerramento do ano letivo no Conservatório Regional da Horta e juntou os cerca de 50 alunos das classes de ballet daquela instituição, que têm entre 5 e 19 anos.

Ao Tribuna das Ilhas, Aline Despres contou que após assistir a alguns concertos na Igreja de São Francisco ficou encantada com o potencial do espaço: “como o Corcunda de Notre Dame se passa numa catedral, pensei que o sítio era ótimo para cenário deste espectáculo”, disse.

O espetáculo excedeu as melhores expetativas e o público compareceu em massa. Aline confessa que gostaria de repeti-lo, para que mais pessoas possam assistir, no entanto lembra que é necessário um grande esforço para montar o cenário e ensaiar os cerca de 50 participantes, esforço esse que, reforça, só é alcançado graças à colaboração dos encarregados de educação.

Ontem, 4 de julho, assinalou-se o 180.º aniversário da elevação da Horta a cidade. A data foi celebrada, como é habitual, com uma sessão solene nos Paços do Concelho. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) e a presidente da Assembleia Regional exaltaram o passado da ilha do Faial e abordaram os desafios do futuro. Para João Castro, o mar é a área em que a Horta deve apostar.
Naquela que foi a sua última intervenção no dia de aniversário da cidade enquanto presidente da CMH, João Castro quis refletir sobre “o quanto o Faial progrediu” desde o sismo de 1998. O autarca recordou que, há cerca de dez anos, as preocupações centravam-se “na reabilitação do concelho”, com a reconstrução, a rede viária e de águas, a recolha de resíduos, os cuidados de saúde e as dinâmicas sociais a nortearem a atuação da autarquia. Hoje, a palavra de ordem já não é “reabilitar” mas sim “potenciar”, para “conceber e projetar um Faial moderno e de futuro”.
“O Faial deve reforçar a sua aposta cosmopolita, afirmando a sua actividade empresarial, tecnológica e empreendedora, fruto também das inúmeras ‘âncoras’ que possui pelo mundo, desde a sua diáspora até ao Clube das Mais Belas Baías, com as cidades-irmãs, agora também no Brasil, ou mesmo através das várias ligações náuticas”, entende o autarca. O mar é, de resto, a principal oportunidade que João Castro vislumbra no futuro do Faial. O presidente da CMH destaca a centralidade da ilha e o seu património histórico como as principais razões pelas quais o Faial deve estar na linha da frente de uma aposta na economia do mar.
Por sua vez, a presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores destacou o potencial do Faial enquanto “ponto de encontro” de culturas e línguas, explorado em vários momentos do seu passado e, nos nossos dias, pela projeção da Marina da Horta. Ana Luís entende que a Horta deve “ir buscar força” à herança dos seus antepassados para enfrentar os desafios do futuro.
Nesta sessão solene foram atribuídas medalhas douradas de bons serviços municipais a 13 funcionários da autarquia, pela passagem de 30 anos ao serviço da CMH.

Foram ainda agraciadas com a medalha de mérito municipal várias personalidades e instituições que se distinguiram pelos serviços prestados ao concelho e pela projeção do Faial na região, no país e no mundo. Assim, foram homenageados o Agrupamento 171 do Corpo Nacional de Escutas, a Associação de Desportos da Ilha do Faial, o Duo União Faialense, o Hospital da Horta, o Núcleo do Faial SOS Amamentação e o Queijo Ilha Azul. Quanto às personalidades, a medalha de mérito foi atribuída a Alberto Henrique Oliveira, ao Monsenhor António Manuel Saldanha, a Carlos Lobão, a Jácome Armas, a Manuel Silveira Goulart, a Melissa Bettencourt, a Orlando Rosa, a Rui Simas Vieira e a Sérgio Luís Paixão, este último a título póstumo.
A encerrar esta sessão solene atuou o grupo de guitarras Ecos do Fado.

O candidato do PS à Câmara Municipal da Horta (CMH) visitou esta terça-feira as obras da Creche dos Flamengos, da responsabilidade do Centro Comunitário do Divino Espírito Santo e esteve também no Centro de Noite, já a funcionar e com uma ocupação de 100%.
José Leonardo Silva felicitou a Direção do centro, “pela maneira como o tem gerido, no rumo certo, no sentido da ilha ficar com mais uma estrutura, neste caso a dar resposta ao apoio à infância”, uma das áreas em que o Faial apresenta mais carências.
O projeto que a lista socialista quer apresentar aos faialenses para os próximos quatro anos passa por “dar grande enfoque às questões sociais”. José Leonardo destaca o emprego e o apoio às famílias como prioridades e como tal promete “um reforço do Fundo de Emergência Social, apoios aos jovens a estudar no exterior e a criação de condições para que as pessoas melhorem os seus conhecimentos para se inserirem na sociedade faialense”. O candidato quer ainda melhorar a rede de ATL’s na ilha e reforçar o intercâmbio intergracional entre idosos e crianças.
A Creche dos Flamengos tem capacidade para 84 crianças e permitirá a criação de 20 postos de trabalho. A obra, de 1 milhão de euros, arrancou em junho do ano passado e espera-se que os trabalhos de construção civil fiquem concluídos ainda em julho. Entretanto, já decorre o concurso público para os arranjos exteriores. Esta é uma obra que conta com financiamento comunitário ao abrigo do Proconvergência.