Arrancam esta noite os 10 dias de festa no mar e em terra que compõem a Semana do Mar. Para convidar todos os velejadores que por esta altura nos visitam a participar na maior festa do Faial, a Câmara Municipal da Horta (CMH) procedeu à distribuição de hortênsias e programas a todos os iates que estão na Marina, acompanhados de um queijo Moledo para fazer as delícias dos homens do mar.
Este acto é, de resto, uma tradição que já faz parte da festa e, como explica o presidente da CMH, é um “acto simbólico de convidar todos os que estão relacionados com o mar a participarem no grande evento náutico da Semana do Mar, que tem na sua origem exactamente a recepção de uma regata”.
Sobre a festa que agora começa, João Castro diz estar “agradavelmente surpreendido pelo que se conseguiu programar para a Semana do Mar face à conjuntura com que nos deparamos”. Em tempos de crise esta é uma Semana do Mar de contenção, no entanto o autarca garante que foi possível reunir “um programa bastante vasto”: “vamos ter muito mar e muita festa em terra. Estão reunidos os ingredientes para, apesar destes tempos, podermos fazer uma homenagem ao mar e tirar também o partido social e económico que a Semana do Mar nos traz”, refere.
Da terceira Assembleia Geral do Castelo Branco Sport Clube (CBSC) com vista à eleição de novos órgãos sociais, na passada quarta-feira, voltou a não sair fumo branco.
Depois do apelo lançado aos sócios pelos presidentes da Assembleia Geral e da Direcção, para que se mobilizassem para formar uma lista que gerisse o destino do clube por mais um ano, a última reunião foi mais participada que as anteriores, com cerca de duas dezenas de sócios a marcar presença.
Apesar de não ter ainda aparecido nenhuma lista, alguns sócios disponibilizaram-se para tentar avançar com uma proposta, pelo que foi marcada uma nova Assembleia Geral, para quarta-feira, dia 8, onde será feita nova tentativa de resolver a situação.
Recorde-se que os órgãos sociais ainda em funções não estão disponíveis para mais um mandato e, face ao não aparecimento de novas listas, o clube corre o risco de ser dissolvido. Se isso acontecer, o seu património será entregue à Assembleia de Freguesia de Castelo Branco.
À beira de completar 80 anos, o CBSC reune neste momento 144 atletas, nas modalidades de voleibol e atletismo, possui uma sede social própria e não apresenta passivo financeiro.
Foi inaugurado no passado sábado, dia 28 de Julho, o novo terminal marítimo de passageiros do Porto da Horta, empreendimento que representa a primeira fase da obra de requalificação e reordenamento da frente marítima da cidade, que compreendeu as intervenções a norte na baía.
Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Fernando Nascimento, presidente da Portos dos Açores (PA), sobre as mudanças que o novo empreendimento vai trazer e sobre a segunda fase desta empreitada, que compreenderá as intervenções a sul da baía. Com o projecto em fase de conclusão, a segunda fase não tem, no entanto, data para arrancar.

De acordo com o presidente da PA, o novo terminal marítimo de passageiros da Horta traz “um reordenamento significativo” do porto. Para Fernando Nascimento, a grande vantagem desta obra é permitir “uma separação entre o porto de mercadorias e o porto de passageiros”.
“A infra-estrutura vai criar excelentes condições para todos os que nos visitam e aqui circulam”, frisa Nascimento. E não são poucos. No domingo, primeiro dia de funcionamento do novo terminal, circularam 2459 passageiros. A ligação entre as ilhas do Triângulo é, de resto, a mais movimentada na Região no que diz respeito ao transporte marítimo de passageiros, com cerca de 400 mil pessoas movimentadas anualmente.
Uma das novidades deste terminal é o facto de estar equipado com rampas roll-on/roll-off, com as quais estarão também equipados os novos navios de transporte de passageiros do Triângulo, cuja entrada em funcionamento, inicialmente prevista para o final de 2013, deverá acontecer em 2012, como referiu o presidente do Governo Regional, Carlos César, no discurso de inauguração desta obra.
Fernando Nascimento lembra que este novo terminal da Horta será complementado com o novo terminal na Madalena do Pico, onde está a ser realizado um investimento de mais de 20 milhões de euros, que terá uma gare de passageiros semelhante à do Faial. “Vamos ter um serviço de qualidade e modernidade que vai revolucionar o transporte de passageiros” nestas ilhas, diz.
A segurança do novo terminal também será reforçada, através de uma rede de videovigilância. Fernando Nascimento explica que o Código ISPS (Código Internacional para protecção de Navios e Instalações Portuárias) recomenda “restrições” à circulação de pessoas no porto. “No entanto nós sabemos que há uma ligação muito grande entre o porto e a cidade, e é difícil não permitirmos ao acesso”, explica o responsável. Nesse sentido, a PA pretende permitir a circulação no novo molhe, restringido apenas o acesso à zona dos passageiros. Assim, os faialenses vão poder passear na parte superior do molhe, até farol.
A cota de serviço da bacia do novo porto foi um dos aspectos que mais polémicas levantou no processo de execução da obra, tendo surgido algumas dúvidas sobre a atracagem de navios de maior porte. Neste momento, como explica Fernando Nascimento, a cota de serviço é -6,00 ZH, o que permite a operação de todos os barcos de transporte de passageiros que normalmente operam na Horta.
No entanto, de acordo com o responsável, será feita uma nova operação de dragagem na bacia para que a cota de serviço passe a -8,5. Nascimento explica que “a nova política de transportes e a encomenda dos novos navios com rampas à poupa” fez com que fosse necessário “adaptar o projecto” para aumentar a cota de serviço.
Essa intervenção deveria estar concluída em conjunto com o resto da obra, no entanto um chumbo do Tribunal de Contas obrigou a um novo concurso público, o que atrasou o processo. A empreitada já está, no entanto, adjudicada, e Fernando Nascimento diz que a dragagem deve arrancar “durante os próximos meses”.
A não atracagem do Santorini no porto novo na noite da passada segunda-feira motivou dúvidas quanto à possibilidade do navio ali operar. No entanto, a Atlanticoline já tinha emitido um comunicado onde explicava que só na quarta-feira, dia 1, se iniciariam as operações no novo terminal, como veio a acontecer. Ao Tribuna das Ilhas Fernando Nascimento explicou que a autorização necessária a que o Santorini mudasse de ponto de atracagem “demorou um pouco mais”. Além disso, reforça, o facto de toda a operação de bagagens e passageiros ser muito diferente no novo terminal fez com que fosse decidido fazer a primeira experiência durante o dia.
Com a primeira fase da empreitada de requalificação e reordenamento da frente marítima da cidade da Horta concluída, as atenções centram-se na segunda, que contempla as intervenções a sul.
Sobre esta segunda fase, Fernando Nascimento não avança datas: “gostaria imenso que a segunda fase arrancasse o mais rápido possível, mas essa calendarização é imposta pelo Governo Regional”, explica.
O presidente da PA garante que o projecto “está praticamente concluído”, devendo mesmo ficar terminado até ao final do ano.
No entanto, fonte do gabinete da secretária regional da Economia explicou ao Tribuna das Ilhas que, tendo em conta a proximidade das eleições legislativas regionais, que se realizam em Outubro, “o mais natural é que seja o próximo Governo” a lançar o concurso da obra, apesar de já estarem a ser “preparados os procedimentos nesse sentido”, tendo em conta o avanço da execução do projecto.
De acordo com Fernando Nascimento, a segunda fase desta empreitada contempla, entre outras coisas, a reformulação do espaço reservado aos operadores marítimo-turísticos: “os pré-fabricados desaparecem e vão surgir estruturas físicas por baixo do Peter, com instalações sanitárias, balneários e um auditório comum a todas as empresas”, explica. Estas empresas passarão a ter também um local próprio para embarque e desembarque.
A rampa onde neste momento estão os botes baleeiros será substituída por um pavilhão para as referidas embarcações e por uma estrutura de apoio ao Clube Naval da Horta, equipada com instalações sanitárias e balneários. A actual gare de passageiros desaparece e parte dela será transformada numa zona pedonal.
No sítio onde neste momento está o parque de embarcações ficará a zona de apoio aos mega-iates. O parque de embarcações ficará no actual plano inclinado, que vai ser nivelado para receber os barcos varados para reparações e pinturas. Serão também criadas pequenas estruturas de apoio aos iates nesse local.
Fernando Nascimento explica que a execução da segunda fase da obra permitirá deslocar algumas das embarcações que habitualmente estão na marina da Horta para o núcleo de pescas ou para o espaço dos mega-iates, o que permitirá desafogar o hotel flutuante faialense, que se vê a braços com uma falta de espaço que já é crónica. Além disso o presidente da PA garante que serão criados novos lugares para amarração de iates, apesar de não apontar ainda um número.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 03.08.2012, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
Depois de vencer, em 2011, a segunda edição do concurso LABJOVEM, na categoria de Literatura, o faialense Flávio Silva lançou na noite da passada quarta-feira, no Bar do Teatro Faialense, a obra A Besta, que surge assim como a terceira publicação da Colecção LABJOVEM.
O livro, editado pela Direcção Regional da Cultura, conta a história de Amadeu Pamplona, “um traficante de ouro cujo negócio se encontra em fase de declínio. Para recuperar a fortuna de outros tempos, engenha um plano insólito que vai desafiar os costumes populares e lançar a sua família para um futuro incerto”. A história de Amadeu Pamplona cruza-se com a própria história dos Açores, com a evocação da Batalha da Salga, na Terceira, e até com a história de Portugal, com as referências ao rei D. Sebastião.
De acordo com Victor Rui Dores, a quem coube a apresentação da obra, A Besta é “uma narrativa bem carpinteirada” que contribui para “a revitalização da história local”. Destacando a “estória coesa e consistente” que o autor urdiu, Rui Dores chamou a atenção para a boa utilização da linguagem arcaica, que, entende, revela um “grande trabalho de pesquisa”.
Foi com os olhos postos em Marco Silva, cineasta irmão do autor, que Victor Rui Dores chamou a atenção para o “potencial cinematográfico” de A Besta, rematando a sua análise à obra com a frase: “Temos escritor!”.
Flávio, que assina Fraga da Silva, tem 29 anos a reside actualmente na China, onde está a concluir a licenciatura em mandarim pela Nanjing University. Referindo-se ao escritor como parte de uma geração “para a qual a globalização não tem segredos”, Rui Dores reflectiu sobre o papel dos Açores para os jovens açorianos que andam por outras paragens e que, como Flávio, encontram na sua terra de origem “um espaço de reflexão e criatividade”
O concurso LABJOVEM é promovido pela Associação Cultural Burra de Milho e pretende ser uma “plataforma para novos criadores nos Açores, alicerçada em dois vectores: a produção e a difusão vocacionada para a contemporaneidade”. Nesta iniciativa a Associação conta com a colaboração da Direcção Regional da Cultura, representada no lançamento do livro de Flávio Silva pelo director regional. Jorge Bruno destacou este concurso como um bom exemplo de sinergia entre cultura e juventude (tendo em conta que a Direcção Regional da Juventude é também parceira da Burra da Milho neste projecto).
Para o director regional, esta é uma oportunidade para apoiar “os jovens emergentes” no domínio da criação literária, que têm aqui uma forma de verem as suas obras publicadas.
Para além de Flávio Silva, também outros faialenses estiveram em destaque na edição de 2011 do Labjovem. No domínio das artes cénicas, Lia Goulart venceu o concurso com o trabalho “A Volta ao Corpo Humano em 40 minutos” e na categoria Ilustração e BD Marco Silva foi o terceiro seleccionado com a banda desenhada “O Aquário”. Quanto aos projectos de vídeo, Luís Bicudo foi o vencedor com o filme “A Banana do Pico”.
O périplo das obras em exibição na Mostra Labjovem, nas áreas de Arquitectura, Design de Moda, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração e BD e Vídeo, chegou esta semana ao Faial. A Mostra estará patente ao público faialense na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça.
João Decq Motta é o cabeça-de-lista da CDU pelo Faial às legislativas regionais de Outubro. O anúncio foi feito na passada quarta-feira, na sede do partido, na Horta, pelo mandatário da candidatura, Luís Bruno.
João Decq Motta, 59 anos, destaca-se pela sua actividade sindical. É coordenador da União de Sindicatos da Horta e do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores. João sucede assim a José Decq Motta, que encabeçou a lista comunista pelo Faial em 2008.
O candidato comunista pretende ser o rosto no Faial de uma “ruptura política” com as políticas protagonizadas por PS, PSD e CDS-PP, partidos que, para João Decq Motta, criaram os actuais problemas do país e por isso não apresentarão as soluções.
No cenário político regional, o candidato aponta o dedo aos deputados eleitos na ilha pelo PS e pelo PSD: “os interesses da nossa ilha ficaram reduzidos ao limitado vocabulário de dois deputados que dizem sempre que sim e dois deputados que dizem sempre que não”, disse, frisando que “os faialenses estão fartos de ver a sua ilha ficar para trás, perdendo população, peso e importância” nos Açores.
“É tempo de mudar e eleger deputados que não devam favores a ninguém nem tenham medo de enfrentar seja quem for para cumprir a vontade de quem os elegeu”, disse.
João Decq Motta lembrou alguns investimentos importantes para o Faial “adiados há demasiado tempo”, como sejam a variante à cidade da Horta, o novo quartel de bombeiros, a melhoria das ligações marítimas no Triângulo, a expansão da Marina ou a ampliação da pista do aeroporto. O candidato entende que o PS não dará seguimento a estes investimentos, pois “sempre deu prioridade a outras ilhas”.
Sobre o PSD, João Decq Motta critica Berta Cabral por fazer promessas como se tivesse “uma varinha de condão”. O candidato questiona a capacidade da candidata laranja cumprir as suas promessas quando o Governo do seu partido na República “está a destruir o Estado, a atacar a Autonomia e a acabar com a nossa capacidade de investir”.
João Dec Motta lembra que a CDU tem “uma longa história nesta ilha”, tendo até elegido, em 2000, um deputado à Assembleia Regional. Agora, o candidato pede aos faialenses um novo voto de confiança, garantindo que a CDU vai continuar a defender aqueles “que são sempre sacrificados, explorados, empobrecidos e espoliados dos seus direitos”. “É preciso votar na CDU para ampliar essa luta e levá-la mais alto, mais longe e com mais força ao Parlamento Regional”, disse.
Para Aníbal Pires, coordenador do PCP nos Açores e primeiro candidato regional da CDU às eleições de Outubro, “a eleição de um deputado da CDU pelo Faial é a garantia de que este ciclo de continuada perda de importância do Faial no plano social, económico e político será invertido”.
Pires entende que a representação parlamentar da CDU, a seu cargo, na legislatura que está agora a chegar ao fim cumpriu aquilo a que se propôs e esteve ao lado dos trabalhadores. Tendo isso em conta, o candidato quer um reforço da votação para evitar maiorias absolutas. A este respeito, Aníbal Pires entende que a legislatura em que não houve maioria na Assembleia Regional foi a mais profícua em conquistas para o povo açoriano, como é o caso da remuneração compensatória e do diferencial fiscal, resultado de um maior diálogo entre os representantes políticos.
Pires lembrou também a legislatura 2000/2004, quando os faialenses elegeram um deputado da CDU: “os faialenses sabem como é diferente quando têm uma voz da CDU no parlamento regional”, frisou.
Sobre João Decq Motta, Aníbal Pires reconheceu-lhe a “liderança de muitas lutas travadas na defesa dos trabalhadores açorianos” e o facto de ser “um cidadão que pauta a sua vida em defesa do trabalho com direitos”.