O palco principal da Semana do Mar 2013 vai contar com José Malhoa, FF e tributo a Michael Jackson, que se juntam assim aos já confirmados UHF. O programa da maior festa do Faial, que se realiza de 4 a 11 de agosto, foi apresentado esta manhã pelo presidente da Câmara Municipal da Horta. João Castro frisou a aposta na “prata da casa” para o principal palco da festa e, na vertente náutica, destacou a presença de mais de mil desportistas. Feira Gastronómica, Expomar, Feira Regional de Artesanato e Feira do Livro mantêm-se, assim como os palcos para o folcore e para as filarmónicas.

Na apresentação da Semana do Mar 2013, João Castro destacou a antecipação na preparação do evento, que arrancou logo após a edição de 2012. O autarca frisou o facto da festa ter “muito Mar”, como é habitual, salientando a 25.ª edição da Atlantis Cup. Para além da Vela de Cruzeiro, marcam presença a vela ligeira, a canoagem (com a realização do Campeonato Regional), a pesca, os botes baleeiros, os mini-veleiros, entre outras modalidades.
No palco principal, metade das atuações está a cargo da prata da casa: Alexandre Gualdino, Desbunda+1 e, como já é tradição, a Orquestra de Música Ligeira da Câmara Municipal da Horta figuram no cartaz. Destaque para a atuação da Banda de Sopros do Faial, criada com músicos das filarmónicas da ilha para comemorar o 10.º aniversário da reabertura do Teatro Faialense, que marca presença no palco principal, a par dos grupos regionais Só Forró e Fadalistas.
No palco da Avenida estarão os grupos folclóricos e de cantares da ilha, e ainda convidados de outras paragens, com a presença de grupos da Beira Baixa, de Viana do Castelo e de Taiwan.
Uma novidade no programa deste ano é a tentativa de estabelecer o recorde do Guiness de maior número de pessoas a bailhar chamarrita em simultâneo, agendada para o último dia da festa.
No Largo do Infante estará, como habitualmente, o palco reservado às filarmónicas, com atuações das bandas locais.
A Feira Gastronómica volta a realizar-se, com destaque para o peixe e a carne dos Açores, bem como a Expomar e a Feira Regional de Artesanato, na Marina. A Biblioteca Pública acolhe, como é habitual, a Festa do Livro.
Também o Corso Etnográfico se mantém, realizando-se no primeiro domingo de festa, novidade introduzida em 2012.
A Semana do Mar 2013 está orçada em cerca de 200 mil euros, menos 50 mil que em 2012. A verba que diz respeito aos cofres da autarquia é, no entanto, a mesma que no ano passado: cerca de 150 mil euros. Em tempos de crise, João Castro destaca o trabalho dos recursos humano da autarquia e o esforço dos voluntários que se envolvem na Semana do Mar: “a Semana do Mar vive daquilo que cada um tem para dar e isso cria nas pessoas uma relação afetiva com o evento”, disse.
A finalizar a apresentação do programa escutou-se pela primeira vez a marcha oficial da Semana do Mar 2013, interpretada por Liliana Bulcão, com letra de Victor Rui Dores e música de Fernando Goulart.
O Conselho de Ilha do Faial está contra a saída de especialidades do Hospital da Horta (HH), no âmbito da reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS). Os conselheiros reuniram na passada sexta-feira e elaboraram uma deliberação onde semostram “globalmente contra” a saída de valências como a Urologia ou a Unidade de Cuidados Intensivos, considerando-as “fundamentais”.
O documento refere ainda que qualquer restruturação o HH deve passar pela manutenção das atuais valências e ainda pelo reforço de outras, que integram a orgânica desta unidade hospitalar mas estão fragilizadas.
No debate do assunto, Luís Garcia voltou a dizer que a proposta do Governo Regional é “um retrocesso” e apontou o dedo ao Executivo por a ter elaborado sem ouvir o Conselho de Administração do HH. O deputado regional do PSD manifestou-se preocupado também com o que poderá acontecer ao Centro de Saúde da Horta e pediu a criação de uma “frente comum” em defesa do Faial.
Em resposta, Lúcio Rodrigues lembrou que a reestruturação do SRS foi “uma promessa eleitoral”. Em relação à proposta do Governo, o deputado socialista entende que é “um documento sensível e exigente, que, no entanto, não está fechado”.
Por sua vez o presidente da Câmara Municipal da Horta lembrou que, aquando do lançamento da primeira pedra do Bloco C do HH, o então secretário regional da Saúde garantiu que não seriam reduzidas especialidades naquela unidade hospitalar, devendo, sim, haver um reforço. Por isso João Castro considera este documento “uma surpresa”.
Para o presidente da Assembleia Municipal, Jorge Costa Pereira, o mais importante é o “claro consenso” que se está a formar à volta da defesa do HH.
Este Conselho de Ilha ficou marcado também pela análise da situação socioeconómica do Faial, com Guilherme Pinto a apresentar dados estatísticos que permitem identificar as principais dificuldades da ilha. O presidente do Conselho de Ilha começou por falar dos números do desemprego: entre o início de 2012 e maio de 2013 o número de pessoas inscritas no Centro de Emprego aumentou em 272, fixando-se agora nos 1026 indivíduos.
Também o número de inscritos no Rendimento Social de Inserção preocupa os conselheiros, principalmente pelo facto da maioria estar inscrita há mais de um ano. O facto de existirem muitos jovens entre os inscritos, bem como indivíduos com habilitações superiores, é outra das preocupações.
Há, no entanto, indicadores onde o Faial contraria a tendência negativa regional, como é o caso do Turismo, que no primeiro trimestre deste ano caiu 8% na Região, tendo crescido no Faial 8%.
Para Carlos Morais, representante da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, este crescimento não é, no entanto, sinal de que não existem preocupações no setor, já que os principais mercados emissores estão a decrescer. Sobre a situação socioeconómica da ilha, o conselheiro entende que está a existir um esvaziamento que o poder político não tem sido capaz de contrariar e aponta o dedo ao setor público por não pagar a tempo e horas aos fornecedores, muitos deles empresas locais que têm nesses atrasos uma das causas para as suas dificuldades. Esta posição foi corroborada por João Decq Motta e também por Luís Garcia, que alertou para o facto das instituições sociais da ilha estarem “aflitas e a ficar sem capacidade de resposta”.
O deputado refletiu sobre o leite entregue em fábrica, entendendo que é necessário aumentar o preço pago aos produtores. Também o setor da Pesca, que assistiu a uma diminuição de 55% do peixe entregue em lota no primeiro trimestre de 2013, por oposição ao ano anterior, preocupa Garcia, que entende que as condições atmosféricas adversas não são a única causa para o problema.
No debate o setor agrícola foi o que registou opiniões mais divergentes. José Agostinho, responsável pela Cooperativa Agrícola de Laticínios do Faial, não entende que o leite esteja a ser pago a um preço demasiado baixo, referindo que uma exploração de 25 vacas pode representar 20 mil litros de leite por mês, o que significa um rendimento de 5 mil euros. No entanto, António Ávila, da Associação de Agricultores da Ilha do Faial, lembrou que há uma série de despesas com os fatores de produção que devem ser tidas em conta, entendendo que é preciso “desmistificar a ideia de que a agricultura é dinheiro fácil”.
A situação do Hotel Horta, que vai engrossar em 26 pessoas os números do desemprego, também foi trazida em debate, com João Decq Motta a pedir uma maior fiscalização do Governo Regional sobre os apoios concedidos às empresas. O sindicalista lembrou que, há alguns anos, o hotel recebeu 1,2 milhões de euros do Executivo para obras de remodelação. Para Decq Motta, apoios como este têm de ter como contrapartidas o garante de postos de trabalho.
Na altura de apontar o dedo aos responsáveis, Lúcio Rodrigues pôs as culpas na República, referindo que a pesada carga fiscal está a fazer diminuir o consumo, e disse que o “Governo Regional não pode fazer nada” quanto a isso. Costa Pereira não gostou e lembrou que todos têm culpas no cartório, incluindo o Governo Regional, dando como exemplo o facto do Hospital da Horta dever seis milhões de euros a fornecedores da ilha do Faial.
A proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS), atualmente em discussão pública, uniu as forças políticas representadas na vereação da Câmara Municipal da Horta (CMH) no repúdio à saída de especialidades do Hospital da Horta (HH). Na última reunião da CMH, na tarde de ontem, foram aprovadas por unanimidade uma proposta de deliberação da autarquia e um voto de recomendação dos vereadores do PSD sobre esta matéria.
Na proposta de deliberação, apresentada pelo presidente da CMH, a autarquia destaca o “importante papel” do HH na Região, quer pelo facto de servir não apenas o Faial mas também Pico, Flores e Corvo, quer pela “qualidade da intervenção” realizada pelos profissionais que ali trabalham, e defende que não devem ser eliminadas quaisquer valências.
A autarquia propõe ao Governo Regional que os utentes deslocados de São Jorge “utilizem preferencialmente o HH”, tendo em conta a proximidade entre as ilhas. João Castro entende que isso permite rentabilizar o investimento realizado no HH, bem como os investimentos em curso ao nível dos transportes marítimos no Triângulo, “reduzindo os custos com deslocações e promovendo uma maior acessibilidade aos cuidados de saúde no respeito por uma política de saúde de proximidade ao utente e às suas famílias”.
Também os vereadores do PSD não querem ver encerradas a Oncologia, a Urologia, a Pneumologia ou a Unidade de Cuidados Intensivos e estão preocupados com o condicionamento da câmara hiperbárica.
Os social-democratas recordam ainda as várias especialidades que, apesar de não serem referenciadas como a extinguir, funcionam “de forma precária”. É o caso da Nefrologia, sem titular e com a Unidade de Diálise a funcionar de forma provisória; da Ortopedia, com apenas um especialista o que faz aumentar as listas de espera de consulta de cirurgia ortopédica; ou a Ginecologia, sem especialista.
O PSD lembra que o HH é o principal empregador da ilha, com 500 profissionais, e considera também que a saída de especialidades do Faial vai levar à necessidade de deslocação de muitos utentes para outras ilhas, provocando não só o “desenraizamento das suas casas” mas também custos acrescidos para o SRS e para os doentes.
Nesta reunião foi analisado o projeto de declaração de imóveis em ruínas, para efeito tributário a aplicar em 2014, da responsabilidade da empresa municipal Urborta. No âmbito deste projeto foram identificados 112 imóveis em ruínas na ilha do Faial. As freguesias com mais imóveis identificados foram Capelo e Cedros, ambas com 16. Por outro lado, as freguesias com menos imóveis identificados foram o Salão (com zero), a Praia do Almoxarife e a Feteira (ambas com dois). Esta lista será agora encaminhada à Assembleia Municipal.
A intervenção no bairro Mouzinho de Albuquerque, nas Angústias, cujo empreendimento contempla a preparação da zona para eventual posterior implementação do saneamento básico, será alvo de suspensão do prazo de conclusão. De acordo com o presidente da CMH, a existência de vários erros e omissões no projeto motivou esta necessidade. Os vereadores decidiram, no entanto, limitar a suspensão do prazo a um período de 30 dias.
A vereação aprovou por unanimidade alterações às normas de funcionamento e utilização das hortas comunitárias, de modo a alargar a abrangência da medida. De acordo com João Castro, o projeto neste momento em operacionalização, resultante de um protocolo entre autarquia, Governo Regional e Serviço de Ação Social, está limitado a pessoas que reúnam determinados requisitos, como o facto de serem beneficiárias do Rendimento Social de Inserção. Agora, os terrenos disponíveis podem ser cedidos a qualquer pessoa, de acordo com as suas necessidades. A autarquia está a preparar um conjunto de 99 talhões, sendo que de momento estão já disponíveis cerca de 50, na zona industrial de Santa Bárbara.
A CMH aprovou ainda nesta reunião o protocolo de cooperação desportiva com o Clube Automóvel do Faial para 2013, no valor de 11600 euros.
No passado dia 12 de maio a Delegação de Braga da Associação Portuguesa de Deficientes (APD Braga/Pingo Doce), equipa onde atua o faialense Sílvio Nogueira, venceu a Taça de Portugal de Basquetebol em cadeira de rodas, ao vencer a APD Sintra por 58-47.
Agora a equipa está concentrada no Campeonato Nacional, cuja conquista está cada vez mais próxima. No passado dia 18 a APD Braga/Pingo Doce voltou a bater a APD Sintra (45-69), desta feita em jogo da fase de playoffs do campeonato. Este sábado os bracarenses recebem a equipa de Sintra e, se vencerem, seguem na luta pela conquista deste campeonato, onde participam 10 equipas do continente e da Madeira.
Há medida que a sua ligação ao desporto adaptado se foi fortalecendo, Sílvio foi desenvolvendo a ideia de trazer ao Faial um pouco do que faz, de modo a sensibilizar a população da sua ilha para a importância do desporto adaptado. Foi assim que nasceu um projeto que visa trazer à ilha a equipa da APD Braga/Pingo Doce, para realizar jogos, workshops e formações que contribuam para a divulgação do desporto adaptado na ilha.
O treinador do atleta, Ricardo Veira, apoia a ideia que vai ao encontro dos objetivos da APD Braga/Pingo Doce: “queremos levar o desporto adaptado a todo o país, daí que esta ideia seja uma mais-valia para a ilha mas também para nós”, refere Ricardo.
Ricardo Vieira reconhece, no entanto, que a falta de apoios torna difícil pôr de pé estes projetos. Ora, é precisamente foi precisamente na falta de apoios que este projeto esbarrou.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 24 de maio de 2013, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
O Espírito Santo mobiliza centenas de pessoas um pouco por toda a ilha do Faial, onde a devoção ao Divino está extremamente enraizada. Desde o Domingo de Pentecostes e até ao Domingo da Trindade, os Impérios e irmandades da ilha festejam com especial fervor, cumprindo todas as solenidades associadas e esse culto.
Uma das tradições do Espírito Santo é o cortejo entre o Império ou a casa do imperador e as igrejas. Esta tradição pode, no entanto, estar em risco. É que o licenciamento de qualquer atividade na via pública que implique condicionamento do trânsito, seja essa via da responsabilidade da Câmara Municipal ou do Governo Regional, requer a emissão de um parecer da Polícia de Segurança Pública (PSP) onde esta especifique os requisitos necessários à segurança da referida atividade.
De acordo com o subintendente Carlos Ferreira, comandante da PSP da Horta, a entidade policial entende que, para garantir a segurança do cortejo, este deve ser acompanhado por um agente. Ora, para fazer face ao grande número de cortejos que se fazem nesta altura (só no passado fim de semana a PSP da Horta contou com 18 pedidos de parecer), é necessário mobilizar agentes que estariam em período de folga, ficando esses custos a cargo da entidade organizadora do cortejo. Essa mobilização, num feriado, implica o pagamento de 53 euros. Para os Impérios, sem grandes receitas próprias, é muito difícil fazer face a essa situação.
No Capelo, os três Impérios da freguesia optaram por deixar cair a tradição, transportando as coroas de carro e organizando o cortejo apenas no adro da igreja.
De acordo com Mário Lemos, do Império da Santíssima Trindade, este “não tem disponibilidades económicas para fazer face às despesas”. O historiador teme que situações como esta levem ao fim de tradições como os foliões. Estes, recorde-se, eram noutros tempos responsáveis por animar os arraiais, mas com o surgimento das filarmónicas foram elas a assumir essa função, ficando os foliões circunscritos ao cortejo e aos momentos a ele associados.
Mário Lemos critica o que considera ser a falta de sensibilidade das entidades responsáveis e lembra outras situações de ocupação da via pública onde não marcam presença polícias, como é o caso das peregrinações dos romeiros, em São Miguel.
Para evitar que a tradição dos cortejos se perca, os responsáveis pelo Império da Santíssima Trindade estão a preparar um abaixo-assinado, no qual querem envolver todos os impérios da ilha, para fazer chegar o alerta à Assembleia Regional e à deputada eleita pelo Faial à Assembleia da República.
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