Os trabalhos da sessão legislativa de fevereiro da Assembleia Regional arrancaram na manhã de hoje com uma interpelação ao Governo sobre o setor da Saúde, da responsabilidade do grupo parlamentar do CDS-PP.
O líder parlamentar dos populares açorianos classificou as reformas do Serviço Regional de Saúde (SRS) como “redondos falhanços”, alguns dos quais responsáveis pelo endividamento do sistema, como a SAUDAÇOR ou os hospitais EPE, que “vivem na falência técnica e não pagam a fornecedores”.
Sobre as reformas da responsabilidade do atual secretário regional, Artur Lima entende que renegam “os fundamentos basilares da Autonomia, limitando-se a mandar aplicar nos Açores normativos legais e, pior, regulamentares, adoptados pela República”. “O principal contributo da governação socialista para o SRS foi aumentar escandalosamente a dívida, por má opção e má gestão, que se tem refletido na diminuição da qualidade dos serviços prestados”, considera o deputado.
Nesta lógica, Lima quis saber qual a dívida total atual do SRS e quais os encargos futuros assumidos. O deputado pediu também a Luís Cabral que dissesse quanto se gastou até hoje no combate às listas de espera cirúrgicas e quantos são os doentes nessas listas nos hospitais da Região.
O CDS aponta também o dedo à alteração das regras de deslocação de especialistas às ilhas sem hospital, entendendo que esta “prejudicou os doentes”, ao diminuir a frequência de deslocações, aumentando o tempo de espera e obrigando doentes a deslocarem-se para serem tratados.
Também a alteração dos incentivos à fixação de clínicos em áreas carenciadas merece a crítica dos populares, que estão também preocupados com o que consideram ser “o manhoso plano de reestruturação da saúde”, por isso querem saber que serviços de saúde vão encerrar nas Unidades de Saúde de Ilha.
O CDS quer também saber “qual o montante de taxas moderadoras já cobradas” na Região e qual o montante investido no Centro de Radioterapia dos Açores, bem como por que razão “não está ainda a ser comparticipada a vacina contra a meningite pneumocócica, conforme proposta do CDS-PP” apresentada na Assembleia.
Na resposta, o secretário regional da tutela não trouxe nenhuns dos números solicitados pelo CDS. Luís Cabral acusou a oposição de criar todo um “enquadramento mediático” em antecipação aos debates parlamentares sobre a Saúde e de querer “transmitir a ideia de que está tudo mal no setor da Saúde”. “Em vez de apenas dar conta do que está mal, queremos dar conta do muito que se tem feito”, referiu o governante, destacando, entre outras coisas a reorganização das unidades de saúde para uma melhor utilização dos recursos.
Luís Cabral informou os deputados que as compras centralizadas de material de consumo clínico e medicamentos permitiram uma “poupança superior a 500 mil euros anuais, só nos três hospitais da Região”.
Quanto às deslocações de especialistas, o governante explicou que “passam a ser feitas em função das listas de espera para cada especialidade e não em função de uma programação anual”. Nesta lógica, Cabral informou que está a ser preparado “um processo de gestão centralizada de marcação de consultas e de deslocações”.
O secretário reitera que os incentivos criados para a fixação de médicos vão dar frutos e está otimista na sua contribuição para a redução das listas de espera cirúrgicas, que, admitiu, são a “principal dor de cabeça” da gestão da Saúde na Região. Também para diminuir as listas, Luís Cabral explicou que os hospitais vão desenvolver “planos para dar resposta às pequenas cirurgias que não precisam de anestesiologistas e que estão a engrossar a lista de espera”.
As listas de espera para cirurgias na Região foram um dos temas que mais destaque revê neste debate. O secretário regional não quis apresentar números por considerar que os disponíveis não eram suficientemente consistentes, mas Luís Maurício, do PSD, lembrou os números divulgados pelo governante no programa Grande Plano, da RTP/Açores, onde Cabral disse que as listas ascendiam a cerca de 9400 pessoas na Região, sendo que 600 estão afetas ao Hospital da Horta.
A questão foi colocada pela deputada do BE, Zuraida Soares. Em resposta, Luís Cabral garantiu que a Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital da Horta não encerrará, reconhecendo no entanto que esta funciona com condicionantes, nomeadamente o facto de só existir um médico desta especialidade na Região. A única alteração prevista para a UCI/Horta, diz o governante, é a sua aproximação, em termos de espaço, do Serviço de Urgência.
Na próxima terça-feira, dia 11 de fevereiro, o auditório do Teatro Faialense recebe, pelas 21h00, o lançamento do livro A Escola do Magistério Primário da Horta – Para a História da Educação nos Açores. Da autoria de Delfina Porto e António Soares, trata-se do primeiro livro editado pela Universidade Sénior do Faial, com a chancela da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta. A cerimónia de lançamento conta com a presença do secretário regional da Educação, Ciência e Cultura, Luiz Fagundes Duarte.
Para assinalar o lançamento da obra, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a professora Maria Simas Cardoso, última diretora da Escola do Magistério Primário da Horta (EMPH).
Criada em 1945, a EMPH foi responsável pela formação de quase mil professores até ao seu encerramento, em 1989, tendo sido a última escola da Região a fechar portas.
O livro que será agora lançado, com uma primeira tiragem de 200 exemplares, apresenta uma visão histórica da formação de professores de ensino primário, com a documentação da história e das memórias da EMPH. Desta forma, a EMPH torna-se na única escola de Magistério Primário dos Açores a estar documentada em livro.
Esta obra apresenta, entre outras coisas, um levantamento de todas as referências à EMPH na imprensa faialense. O destaque, no entanto, vai para os testemunhos de antigos alunos que foram reunidos no livro, que é também um meio de partilha das histórias de vida de alguns dos docentes formados naquela instituição. Para este trabalho, em muito contribuiu a última diretora da EMPH, a professora Maria Simas Cardoso.
Uma das figuras incontornáveis da EMPH é a Maria Simas Cardoso. A professora, formada na casa, lecionou na EMPH durante 20 anos, ministrando as disciplinas de Didática Especial, Legislação e Administração Escolar. Em 1978 passou a exercer também as funções de diretora da escola, cargo que desempenhou até ao seu encerramento, em 1989. Com a extinção da EMPH, Maria Simas tornou-se responsável pelo Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP), o que lhe permitiu negociar a extensão do ensino da Universidade Aberta à Horta.
A “universidade das ilhas de baixo”, como se chamava, por vezes, à EMPH, acolhia principalmente alunos do Faial, do Pico, das Flores e de São Jorge, no entanto recebeu pessoas vindas de outras ilhas e até do continente. Nos seus 44 anos de funcionamento a EMPH formou 957 professores, mais de 80% dos quais do sexto feminino. Enquanto liderou a instituição, Maria Simas sentia grande preocupação em acolher as jovens que vinham de outras ilhas: “a minha preocupação era encaminhá-las. Procurava familiarizá-las com o meio, alertá-las para alguns perigos… Recebemos também alguns do continente, quando houve grande afluência às escolas do Magistério. Vinham de Viana do Castelo, do Alentejo, de muitos locais. E aí as minhas preocupações redobravam”, conta.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 07.02.2014 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário
O mau tempo que ontem assolou o arquipélago não trouxe consequências de maior para a ilha do Faial, apesar do vento tempestuoso que se fez sentir, com rajadas a atingirem mais de 120 quilómetros por hora. No entanto, foram poucas as consequências dignas de registo, de acordo com o comandante dos Bombeiros Voluntários faialenses.
Ao Tribuna das Ilhas Álvaro Melo explicou que a única situação que levantou alguma preocupação ocorreu no pavilhão da Escola Manuel de Arriaga, em cuja cobertura o vento causou alguns danos, obrigando mesmo ao seu encerramento. Todavia, a situação já está resolvida e o comandante dos bombeiros já autorizou mesmo a reabertura do espaço.
A Casa de Infância de Santo António (CISA) classificou-se em segundo lugar no concurso de âmbito nacional “Pilhão vai à Escola”, que premeia os estabelecimentos de ensino pela recolha de pilhas e baterias usadas. Como resultado desta prestação, a CISA recebeu dois computadores, que foram entregues esta terça-feira por Eurico Cordeiro, diretor-geral da Ecopilhas, empresa responsável pelo concurso, numa cerimónia que contou ainda com a presença de Hugo Pacheco, presidente do Conselho de Administração da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores.
A CISA recolheu 38 mil pilhas, tendo sido, de entre as cerca de 1600 escolas participantes, a segunda que mais recolheu. No entanto, Eurico Cordeiro chamou a atenção para o facto de, atendendo à dimensão da ilha do Faial, a CISA ter sido a escola que mais pilhas recolheu por habitante. Considerando que cada pessoa consome, em média, 10 pilhas por ano, o responsável concluiu que esta comunidade escolar conseguiu recolher cerca de 25% das pilhas consumidas pelos faialenses no ano em questão. Para Eurico Cordeiro, trata-se de um “resultado brilhante”, alcançado em grande parte graças às professoras da instituição: “a grande dinâmica começa nas professoras e só depois se estende aos pais e às crianças”, considerou.

O responsável da Ecopilhas salientou que as pilhas usadas são uma das grandes preocupações, já que são facilmente atiradas para o lixo comum, no entanto possuem componentes, como o mercúrio ou o chumbo, extramente prejudiciais para o ambiente.
Para Rosa Dart, presidente da Direção da CISA, esta distinção é mais um motivo de orgulho e vem mostrar que o esforço colocado na educação ambiental das crianças da instituição está a dar frutos. Aos mais novos, a responsável pediu empenho para mais um ano de recolha, apontando como objetivo para este ano letivo alcançar o primeiro lugar neste concurso.
Desde 2005, ano em que iniciou a recolha de pilhas e baterias usadas nos Açores, a Ecopilhas recuperou e reciclou mais de 2,5 milhões de unidades de unidades deste tipo de resíduo.
A Ecopilhas, Sociedade Gestora de Resíduos de Pilhas e Acumuladores, é uma empresa sem fins lucrativos constituída pelos principais produtores e importadores de pilhas e acumuladores que operam no mercado português. Tem como função principal assegurar o funcionamento do Sistema Integrado de Pilhas e Acumuladores Usados, gerindo um conjunto de operações que asseguram a recolha seletiva, armazenagem temporária, triagem e reciclagem das pilhas e acumuladores portáteis e industriais usados.
Desde que entrou em funcionamento, em 2004, a Ecopilhas já assegurou a recolha e envio para reciclagem de mais de 150 milhões de pilhas e acumuladores portáteis.
Os amantes da observação de aves (birdwatching) experimentam, nestes meses de inverno, a época alta da atividade nos Açores, altura em que chegam às ilhas muitas espécies vindas da Europa ou da América, que passam pelo arquipélago nas suas rotas migratórias. De entre as inúmeras atividades associadas ao turismo de natureza que se podem praticar nos Açores, o birdwatching é uma das que se destaca pelo facto da sua época alta coincidir com a época baixa do turismo dito convencional. Em algumas ilhas do arquipélago, com mais potencialidades para a observação de aves (como é o caso das Flores e do Corvo), este é já um nicho turístico de grande expressão. No Faial, tem vindo a crescer e, apesar de cativar principalmente os visitantes, a observação de aves está a ganhar adeptos entre os locais.
No passado sábado, o Parque Natural do Faial organizou uma sessão de birdwatching para assinalar o Dia Internacional das Zonas Húmidas e o Dia Nacional do Vigilante da Natureza, que se celebram a 2 de fevereiro. Tribuna das Ilhas acompanhou a sessão.

Diz o ditado que “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Para os amantes do birdwatching, no entanto, a verdade é precisamente o contrário. Os pássaros querem-se em liberdade, já que esta atividade consiste na observação de aves no seu habitat natural.
Com a possibilidade de observar regularmente mais de 200 espécies, entre endémicas e migratórias, o arquipélago dos Açores apresenta grande potencial para a prática desta atividade, cujos aficionados constituem já um nicho de mercado no setor do turismo digno de atenção. No Corvo, a mais pequena ilha do arquipélago, chegam já grupos de 30 a 40 pessoas, nos meses de inverno, especialmente para observar espécies acidentais americanas que ocorrem nesta altura.

A sessão de birdwatching promovida pelo Parque Natural do Faial juntou praticantes habituais desta atividade com amantes da natureza que experimentaram pela primeira vez a observação de aves, com as orientações do vigilante da natureza Dejalme Vargas. Num passeio a pé entre a praia de Porto Pim e o porto da Horta, foi possível observar, por exemplo, maçaricos galelos e pilritos. Entre os observadores deste grupo está André Vieira, cuja facilidade em identificar as espécies denuncia o facto de já não ser caloiro nestas andanças. Ao lado, de binóculos em punho, o filho varre a paisagem para encontrar os pássaros, com a ajuda do pai. Também ele já tomou o gosto por esta atividade. “Na Escola Secundária, fiz um workshop sobre birdwatching, gostei e continuei a praticar. Depois fiz uma pausa, mas no Natal o meu filho recebeu uns binóculos e quis começar a fazer”, conta André, para quem o birdwatching é uma atividade de família e faz parte da rotina do fim-de-semana: “aos sábados costumo fazer a costa da Lajinha e às vezes vou aos charcos de Pedro Miguel”, conta. Nos seus percursos já vai encontrando outros observadores, no entanto, como explica, continuam a ser, na sua maioria, estrangeiros.

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