Os candidatos do PSD pelo Faial às eleições de Outubro visitaram esta manhã as queijarias “O Morro” e “José Fernando Cunha”. De acordo com Carlos Ferreira, número três da lista laranja, esta visita permitiu constatar, mais uma vez, como a “burocracia excessiva nos processos de licenciamento dos empreendimentos” faz com que colocá-los de pé seja um processo demasiado moroso. “A maior parte dos empresários tem referido que aguardou dois anos pelo processo de licenciamento, não por demora na realização das diligências necessárias mas porque a burocracia administrativa está a funcionar como um factor de inibição do empreendedorismo e da criação de novos empregos e investimentos, no Faial e na Região”, refere o candidato.
Carlos Ferreira dá o exemplo de um empresário faialense que fez um investimento importante para adquirir os equipamentos necessários à implementação de um centro de inspecções para automóveis, “que nunca conseguiu abrir porque o Governo Regional não abriu o concurso que a legislação obriga para o efeito”. “Isto está a prejudicar este empresário, a inviabilizar a criação de postos de trabalho e a favorecer monopólios que acabam por ser prejudiciais aos consumidores”, alerta o candidato, para quem é essencial “reduzir a burocracia administrativa”, de forma a “apoiar os empreendedores e transformar os serviços da administração pública em pólos facilitadores do empreendedorismo, permitindo a criação de emprego e de riqueza no Faial e nos Açores, permitindo fixar os nossos jovens e encontrar novas alternativas para todas as pessoas que querem trabalhar e neste momento não conseguem”.
Uma medida importante para alcançar estes objectivos é, para Ferreira, o programa de apoio aos jovens empresários que o PSD pretende implementar, que passará pelo “pagamento do salário do jovem empreendedor durante dois anos, após a aprovação do seu investimento”. Carlos Ferreira explica que este será um “apoio importante para a criação de novos negócios, para a consolidação destas empresas, de forma a que, posteriormente, estas possam gerar empregos adicionais, consolidar a sua posição no mercado e contribuir para a economia local e regional”. O candidato lembra, a este respeito, que “uma das grandes apostas do PSD para a próxima legislatura” é precisamente a criação de “um novo ciclo de prosperidade económica” nos Açores. “É disso que necessitamos neste momento”, remata.
No passado sábado a Associação de Desportos da Ilha do Faial (ADIF) celebrou a passagem das suas bodas de ouro, num jantar comemorativo onde foram homenageados diversos atletas das modalidades de atletismo e voleibol, aquelas que actualmente a associação alberga.
Fundada a 14 de Agosto de 1962, então pelo Sporting Clube da Horta, pelo Angústias Atlético Clube e pelo Fayal Sport Club, a ADIF está este ano a celebrar 50 anos de actividade. No seu discurso, o presidente da associação destacou o trabalho de atletas, técnicos, dirigentes, directores, clubes, juízes e árbitros ao longo destes anos.
Eduardo Gomes não deixou, no entanto, de chamar a atenção para os condicionalismos que limitam a evolução das modalidades da ADIF na ilha. Em relação ao atletismo, Eduardo Gomes lembra que a ilha não possui qualquer infra-estrutura para receber provas ou onde os atletas possam praticar devidamente. O presidente lembra que o Estádio Mário Lino, prometido mas entretanto esquecido, seria dotado dessas condições. Com ou sem estádio, Eduardo Gomes entende que é essencial que a ilha seja dotada de um pista de atletismo e zona de lançamentos em condições para poder desenvolver a modalidade. Apesar das infra-estruturas deficitárias, o presidente mantém o compromisso em continuar a procurar bons resultados.
Já no voleibol, Eduardo Gomes reconhece a melhoria das condições para a prática da modalidade, com o aparecimento de novos espaços. No entanto, lembra que a solicitação para esses espaços tem aumento, com a proliferação das modalidades indoor. Assim, as equipas de voleibol faialenses têm muitas vezes de sujeitar-se a treinos em “horários impraticáveis”.
Apesar das dificuldades, o presidente tem os olhos postos no futuro e promete trabalhar para continuar a dinamizar as modalidades da ADIF. Um sinal de modernidade é a apresentação de um novo logotipo, que é ainda um projecto, mas que pretende voltar a imagem da associação para o futuro.
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo marcou presença nesta celebração. Mostrando estar atento ao discurso do presidente da ADIF, Fernando Mota garantiu a disponibilidade da federação para colaborar na procura de soluções no sentido de dotar os atletas faialenses de condições para praticarem a modalidade. “Em tempos de crise temos de nos unir mais”, disse, deixando uma palavra de apreço aos vários atletas da ADIF que foi conhecendo nas competições nacionais.
Quem o diz é o director regional do Desporto, referindo que 9,6% da população açoriana é portadora de uma licença desportiva. Representando o Executivo regional no aniversário da ADIF, António Gomes destacou o papel das 49 associações desportivas e dos cerca de 250 clubes da Região na dinamização do desporto.
O director regional destacou principalmente a formação das crianças e jovens, referindo que 42% dos jovens açorianos entre os 8 e os 18 anos são portadores de uma licença desportiva, e chamou também a atenção para o aumento da formação de técnicos e de árbitros.
Em tempos de crise, António Gomes entende que é necessário “rentabilizar ao máximo cada cêntimo que vai para o Desporto”, frisando que “ponderação e rigor” são palavras chave para a gestão dessas verbas.
Coube ao presidente da Câmara Municipal da Horta anunciar que a ADIF será uma das instituições homenageadas na sessão solene do Dia da Cidade, que se assinala a 4 de Julho. João Castro destacou a importância da associação para a competição local e para a representação do Faial no contexto regional e nacional. O autarca deixou uma palavra de estímulo aos atletas, considerando-os “um orgulho” para todos os faialenses.
O potencial geológico dos Açores é enorme e muito diversificado. A região conta com mais de cem geosítios, sendo que grande parte deles se localiza em zonas rurais. De acordo com Carla Viveiros, do Geoparque Açores, o geoturismo tem um papel muito importante no desenvolvimento dessas zonas. Falando esta manhã durante uma apresentação sobre o potencial do geoturismo nos Açores na 11.ª Conferência Europeia de Geoparques, Carla Viveiros fez uma breve descrição desse potencial, que pode trazer à Região muitos visitantes interessados em geoturismo. Para além das paisagens geológicas em todas as ilhas, a geologia está presente nos edifícios, onde é utilizada a rocha basáltica das ilhas, nas manifestações secundárias de vulcanismo, de que são exemplos as águas termais, e até em alguns produtos de consumo, como é o caso dos vinhos do Pico, cuja qualidade está associada ao solo vulcânico onde são produzidos, ou até da joelharia feita com pedras de basalto. Neste cenário, os Açores têm condições para captar cada vez mais geoturistas.
Desenvolver as zonas rurais para potenciar um desenvolvimento mais harmonioso da Região não é, no entanto, a única virtude do geoturismo nos Açores. Carla Viveiros lembrou também que o geoturismo contribui para o combate à sazonalidade e para o aumento da estadia média do visitante no arquipélago, dois dos principais desafios do turismo na Região. Além disso, frisou também as parcerias já criadas entre o Geoparque e as empresas locais, que lhes permite também tirar dividendos desta dinâmica.
Na tarde de ontem o Geoparque Açores esteve em destaque num dos painéis da 11.ª Conferência Europeia de Geoparques, que decorre em Arouca. Na ocasião, Eva Lima, do geoparque açoriano, fez uma breve descrição dos programas educativos dinamizados por esta instituição. Tratam-se de conteúdos disponibilizados on-line, no site do Geoparque Açores, que se destinam a ajudar os professores a ensinar os alunos sobre a geologia dos locais onde vivem.
Entretanto, está já a ser preparado um livro sobre os vulcões dos Açores, destinado a crianças entre os 5 e os 8 anos, bem como um livro com desenhos para colorir destinado a crianças mais pequenas.
Além disto, o Geoparque Açores criou um jogo educacional, adaptado aos vários níveis de ensino das escolas açorianas, que pretende aguçar a curiosidade dos mais novos pelos sítios de interesse geológico. Viagens de campo e geosafaris completam o leque de actividades destinadas a ensinar as crianças e jovens a interpretar a paisagem geológica à sua volta.
Segundo Eva Lima, o grande desafio do Geoparque Açores na vertente educacional é, precisamente, ajudar as crianças açorianas a interpretar as paisagens geológicas, de modo a que ganhem curiosidade e peçam aos pais e professores para visitar os geosítios da sua zona.
A iniciativa açoriana mereceu a aprovação dos representantes de outros geoparques que assistiam à palestra, e houve até quem sugerisse que os materiais pedagógicos referidos fossem disponibilizados em inglês aos filhos dos visitantes. Eva Lima explicou que esse é um objectivo do Geoparque Açores, que, no entanto, está concentrado, primeiramente, em sensibilizar as crianças açorianas.
Já na manhã de hoje, Eva Lima deu a conhecer as ferramentas de comunicação utilizadas pelo Geoparque Açores, como mapas, folhetos ou postais, entre outras. Na ocasião, explicou que um dos objectivos da associação é editar mapas geológicos pormenorizados de todas as ilhas. Neste momento, está a ser preparado o do Faial.
Mais do que ferramentas para preservação do património geológico, os geoparques podem ser ferramentas preciosas no combate à crise económica que se instalou na Europa. A ideia foi deixada ontem por Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, que participou, através de uma mensagem gravada em vídeo, na 11.ª Conferência Europeia de Geoparques, que decorre em Arouca.
Para Durão Barroso, a dinâmica criada pela rede europeia de geoparques é “um sucesso” que importa continuar a fomentar, principalmente nos tempos que correm, onde os objectivos que orientam o funcionamento dos geoparques são cada vez mais cruciais. O presidente da Comissão Europeia salientou o papel destas instituições para o crescimento da economia, uma vez que, para além do reforço da coesão territorial que promovem, são catalisadores do turismo e importantes criadores de emprego.
Durão Barroso destacou o concelho anfitrião desta conferência, Arouca, como um “bom exemplo” do papel que pode ter um geoparque na economia local. De resto, basta percorrer algumas ruas de Arouca para perceber que esta se orgulha do seu património geológico e quer mostrá-lo aos turistas. O geoparque é uma presença de destaque, que se reflecte, por exemplo, nas rotundas onde foram construídas estátuas referentes ao património geológico e na forma como foi feita a interpretação desse património, tornado fácil de conhecer aos que visitam Arouca. A própria organização da conferência é um exemplo de como o geoparque contribui para a dinâmica económica local: os empresários locais ligados ao artesanato e à gastronomia estão envolvidos, graças a uma exposição montada em simultâneo com o evento. As unidades de turismo do município e arredores estão esgotadas com os participantes, que ocupam também os restaurantes. Até a escola está envolvida, não apenas através da cedência do espaço para albergar a conferência, mas também através da participação dos alunos, na cerimónia de abertura, ajudando a orientar os participantes pelo recinto ou a servir os almoços, tarefa dos formandos de hotelaria e de serviço de mesa.
Também Nikolas Zouros, coordenador da rede europeia de geoparques, destacou esta capacidade de trazer dinâmica a várias áreas de actividade como uma grande vantagem dos geoparques. Num cenário de crise económica, a União Europeia traçou uma estratégia de futuro com vista a um crescimento inteligente, inclusivo e sustentável. Para Zouros, a prova de que os geoparques estão no bom caminho para ajudar a combater a crise é o facto dessas três características terem, desde o início, sido assumidas como pilares destas instituições.
O coordenador da rede europeia entende que a grande mais-valia do conceito “geoparque” é o facto de olhar para o local onde se insere de uma forma integrada, aliando ciência, cultura, economia e sociedade.
Destacando a componente educativa dos geoparques, Zouros apelidou-os de “salas de aula ao ar livre”, importantes para passar aos mais jovens as informações necessárias para lidarem com um planeta em mudança e para o aprenderem a proteger.
No entanto, o destaque do seu discurso foi para o contributo dos geoparques para um desenvolvimento sustentável. Neste ponto, destacou o geoturismo como forma de dar visibilidade a locais que de outro modo estariam esquecidos. Para tal, salienta, o geoparque tem um papel importante ao ajudar o turista a interpretar o património geológico e, consequentemente, a reconhecer-lhe importância e interesse. A partir daqui, garante, há um manancial de oportunidades a explorar: geocruzeiros, geohotéis e georestaurantes com verdadeira geocomida, como é o caso do cozido das Furnas dos Açores.
Esta ideia de que os geoparques trazem retorno económico também mereceu destaque de Hervé Passamar, director da Agência para o Desenvolvimento e Valorização do Património, na França. Segundo ele, a actividade turística ligada à preservação do património geológico tem um grande impacto na criação de emprego, quer por via directa (funcionários dos geoparques e museus, guias, entre outros), quer por via indirecta (na restauração, na hotelaria, etc.). Na França o retorno financeiro do património é “20 vezes superior” ao investimento público nele despendido, referiu.
Passamar alertou ainda para o facto deste tipo de turismo ser procurado por pessoas com maior poder económico, que viajam em qualquer altura do ano, o que permite combater a sazonalidade que, recorde-se, é um dos principais problemas no turismo açoriano.
Ao Tribuna das Ilhas, o presidente do Geoparque Açores destacou a pertinência desta reflexão no actual cenário de crise. José Leonardo Silva entende que “o emprego precisa de novas ideias” e por isso nada melhor do que temáticas novas para o fomentar. Nesse sentido, o Geoparque Açores - conceito novo na Região – poderá gerar novos empregos, principalmente em áreas especializadas como a geologia, mas também no turismo e em todas as actividades relacionadas com o acompanhamento dos visitantes do geoparque.
José Leonardo entende mesmo que esse “empurrão” ao emprego pode ir mais além e dá o exemplo de Arouca, onde o geoparque provocou uma grande dinamização das unidades de turismo rural, o que levou à recuperação de vários imóveis. Se isso acontecer nos Açores, explica, pode ser um contributo para a galvanização do emprego na construção civil, sector actualmente muito fragilizado.
Hoje o destaque vai para o encerramento da conferência, onde se ficará a saber se o Geoparque Açores passará a fazer parte da rede europeia de geoparques.