O PS entregou esta tarde, no Tribunal da Horta, a sua lista de candidatos às eleições legislativas de Outubro pelo círculo eleitoral do Faial.
Os dois primeiros nomes já eram conhecidos há várias semanas, e o terceiro lugar – atribuído a Alzira Silva – também não trouxe surpresas. Assim sendo, o candidato número quatro foi a novidade socialista neste momento da pré-campanha. Mário Silva, empresário de 46 anos, surge na qualidade de independente como o ocupante do último lugar efectivo na lista socialista pelo Faial.
Recorde-se que este empresário integrou a lista social-democrata nas últimas eleições autárquicas, sendo suplente da bancada laranja na Assembleia Municipal da Horta. Mário Silva já apresentou a sua renúncia a esse cargo, por entender ser essa a atitude coerente com o facto de abraçar agora este projecto. Questionado pelo Tribuna das Ilhas sobre a existência ou não de um convite para integrar a lista social-democrata, o empresário refere que esse convite não existiu.
Mário Silva explica que tomou a “opção pessoal” de aceitar o desafio lançado pelo PS por estar perante uma lista composta por pessoas “jovens, descomprometidas e descomplexadas”.
Sobre o programa eleitoral socialista, o candidato garante que irá contribuir na mesma lógica com que tem pautado a sua vida pública até agora, procurando “a defesa intransigente do Faial”.
Mário Silva já presidiu a Mesa do Comércio da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH), altura em que se bateu activamente contra a possibilidade de adopção de um modelo assente em plataformas logísticas para o transporte de mercadorias nos Açores. Essa postura do empresário levou, recorde-se, à sua demissão, depois dos sucessivos lapsos relacionados com a emissão de um parecer da CCIH sobre este assunto. Mário Silva não gostou da forma como a Direcção da instituição, então liderada por Ângelo Duarte, conduziu o processo e bateu com a porta.
Em relação ao resto da lista socialista, esta é, como já se sabia, encabeçada por Ana Luís, economista de 36 anos que actualmente preside ao Conselho de Administração da SPRHI. Ana Luís foi, de resto, candidata a deputada nas últimas legislativas, ocupando então o terceiro lugar da lista. Luís chegou a ser eleita, após a desistência de Fernando Menezes (que então era o cabeça-de-lista), mas mal chegou a ocupar a sua cadeira no hemiciclo, já que foi nomeada para o Conselho de Administração da SPRHI.
O segundo lugar é ocupado pelo professor Lúcio Rodrigues, de 32 anos, que actualmente exerce as funções de deputado. Rodrigues, presidente de Junta de Freguesia da Praia do Almoxarife, ocupou em 2008 o sexto lugar da lista socialista pelo Faial, acabando por chegar ao hemiciclo após as sucessivas desistências.
A jornalista Alzira Silva, de 57 anos, que também exerce actualmente as funções de deputada, é a terceira da lista rosa. Em 2008 Alzira também já figurava na lista do PS, em quarto lugar.
Dos oito candidatos suplentes, surge em primeiro lugar a jurista Vera Lacerda, de 32 anos, que integra pela primeira vez uma lista ao parlamento regional. No entanto, Lacerda foi a última candidata do PS/Faial às legislativas nacionais, em 2011, não tendo, no entanto, sido eleita.
O número dois dos candidatos suplentes é o professor Victor Rui Dores, de 54 anos, independente, que já integrava a lista em 2008. O também independente Luís Prieto, jurista de 46 anos, surge em terceiro lugar na lista de suplentes, seguido por Vera Escobar (26 anos, economista), Luís Rego (38 anos, engenheiro agrícola) e Carla Nunes (33 anos, técnica administrativa), todos eles independentes.
O relações públicas Luís Costa, de 39 anos, é o sétimo da lista, finalizada por João Garcia, técnico administrativo de 44 anos.
Com oito novos candidatos em relação a 2008, a lista apresenta uma renovação de 67%. A média de idades é de 40 anos, sendo portanto uma lista mais jovem que a última, onde a média etária rondava os 43 anos.
Sobre a lista que encabeça, Ana Luís classifica-a como “dinâmica, motivada, com força para trabalhar pelo Faial”. A candidata salienta a existência de pessoas “de várias idades, vários sectores de actividade e várias freguesias”. Quanto a objectivos no Faial, Luís frisa que passam apenas por ganhar as eleições, escusando-se a tecer comentários sobre o número de deputados que o PS prevê eleger na ilha Azul.
A lista foi entregue no Tribunal da Horta pelo mandatário do PS/Açores para o Faial, Genuíno Madruga. O pescador, conhecido pelas suas duas viagens de circum-navegação em solitário, destaca o apoio dado pela governação socialista aos homens do mar. “Creio que Vasco Cordeiro deve ser o presidente do nosso Governo Regional”, frisou, entendendo que, num cenário de crise económica como o actual, não é prudente “entrar em situações menos seguras”. Para Madruga, Vasco Cordeiro tem “provas dadas” na governação e será “a chave-mestra para que os açorianos possam viver nestas ilhas com esperança”.
Em relação ao Faial, o pescador dá razão às vozes que dizem que a ilha tem sido um pouco esquecida pelo Governo Regional. No entanto, entende que nos últimos tempos “há novidades importantes”, como o novo terminal marítimo de passageiros e toda a requalificação da frente marítima da Horta. A este respeito, Genuíno deixa um aviso à lista pela qual dá a cara: “esperamos que o novo Governo dê continuidade à obra”, disse.
A falta de médicos no Serviço de Ortopedia do Hospital da Horta voltou esta semana à baila, com os deputados do PSD/Faial a enviar novo requerimento à Assembleia Regional sobre este assunto.
Recorde-se que, há alguns meses, Luís Garcia e Jorge Costa Pereira já tinham pedido satisfações ao Governo Regional sobre o aumento das listas de espera para a cirurgia daquela especialidade entre Março de 2011 e Março de 2012, ma ordem dos 432%, chamando a atenção para a redução do número e especialistas residentes de três para um. Na ocasião, a tutela referiu que o aumento da lista de espera estava relacionado com o aumento do número de consultas realizadas. No entanto, garantiu o arranque de um plano de recuperação de listas de espera nos três hospitais da Região, de forma a inverter a situação.
Actualmente, no entanto, o Hospital da Horta continua apenas com um residente na especialidade de Ortopedia. Segundo o deputado Luís Garcia, este tem realizado apenas urgências e foi até “impedido de gozar férias”. A situação “levou mesmo à interrupção das cirurgias programadas e das primeiras consultas em Ortopedia, o que naturalmente deverá estar a contribuir ainda mais para o crescimento das listas de espera daquele hospital”, refere Luís Garcia.
De acordo com Conceição Nascimento, presidente do Conselho de Administração do Hospital da Horta, o serviço de Ortopedia desta unidade está, efectivamente, reduzido a um médico desde o passado mês de Junho. A falta de ortopedistas no Hospital da Horta tem sido colmatada, ao longo deste ano, com o recurso a um protocolo com o Hospital da Póvoa do Varzim, que faz deslocar ocasionalmente um especialista ao Faial. No entanto, de acordo com a responsável, essa deslocação foi impossibilitada nos últimos meses, o que fez com que o Conselho de Administração optasse por impedir o único médico residente no serviço de Ortopedia de gozar férias no período em que o previa fazer. Segundo Conceição Nascimento, o médico terá férias em Setembro, período durante o qual será substituído por um colega de Ponta Delgada.
O Hospital da Horta está a tentar dotar os seus quadros de pessoal de mais um residente especialista em Ortopedia. Para tal, está a tentar celebrar um contrato com o Hospital da Póvoa, que no entanto ainda não aprovou a cedência de um dos seus médicos.
Conceição Nascimento desmente, no entanto, que não estejam a ser realizadas cirurgias programadas. De acordo com a responsável, o que acontece é que, com apenas um médico disponível, o serviço de ortopedia tem apenas um dia por semana reservado ao bloco operatório. Também as primeiras consultas, garante, continuam a realizar-se, ao ritmo possível.
Com 43 anos, Graça Silveira, docente no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, é a aposta do CDS-PP/Açores para subir a votação num dos círculos eleitorais mais difíceis para os populares da Região. A professora encabeça a lista do CDS-PP pelo Faial e, depois de uma votação que não chegou aos 300 votos em 2008, espera fazer o seu partido chegar aos dois dígitos na ilha Azul.
Assumidamente orgulhosa do seu percurso académico, a candidata diz não ser, nem pretender ser, uma profissional da política. Militante do CDS-PP desde 2007, Graça Silveira quer mudar o estigma que existe em relação à ideologia de direita.
Residente na Terceira, onde trabalha, não acredita que esse facto vá jogar contra si nestas eleições.
Defensora da criação de um projecto de desenvolvimento integrado para toda a Região, rejeita as “medidas avulsas” que, na sua óptica, têm marcado o governo das ilhas. Graça entende que é preciso encontrar o potencial de cada ilha para que juntas possam fazer um arquipélago mais desenvolvido. No Faial, esse potencial é, entende, a situação geoestratégica.
Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a candidata popular, que falou do desafio que é liderar a lista do CDS-PP no Faial, e explicou a sua visão de futuro para a Região.
Eu nunca fui uma pessoa da política. Sempre fui uma académica, cientista… Há cinco anos, quando o Artur Lima decidiu candidatar-se à presidência do CDS-PP, fez-me o convite para integrar o projecto dele. Já antes tinha participado por duas vezes com o CDS-PP como independente e, como nunca fui pessoa de ficar em cima do muro, aceitei. Filiei-me no partido e comecei a fazer parte deste projecto.
Entretanto, como vivia na Terceira, comecei por participar de uma forma modesta. O Artur relaciona-se muito bem com a Academia; com as pessoas com formação superior. Há políticos que se sentem incomodados quando têm de falar com doutorados ou professores. O Artur não. Se precisava de saber algo sobre agricultura; se tinha uma questão que não percebia no âmbito da discussão de determinado dossier, telefonava-me, reuníamos… Essa participação foi começando a ser mais assídua e nas últimas eleições do CDS fui eleita para presidir o Conselho Económico e Social, que é o órgão do partido que prepara os diferentes dossiers. Quando chegaram as legislativas, o Artur desafiou-me. Sabemos que o círculo eleitoral do Faial é um dos mais difíceis para o CDS.
Enquanto cidadã, incomoda-me o facto das pessoas estarem adormecidas, quase que anestesiadas, em relação à vida pública. Já quase não têm vontade de se colocarem contra; de serem um contra poder… E os cidadãos sempre tiveram essa função; a de se revoltar, de pedir explicações.
Há uma expressão muito antiga que diz que reis fracos fazem fracas as suas fortes gentes, e penso que é o que se está a passar agora. Isto acaba por ser um ciclo vicioso. As pessoas estão desanimadas e demitem-se da vida pública e ao fazê-lo estão a deixar espaço para que a mediocridade se instale. Foi nesta perspectiva que achei que tinha que intervir na política se queria fazer a diferença.
Não. O meu pai sempre me disse que a nossa casa não é onde nós residimos. É onde nós vivemos. E eu continuo sempre a vir ao Faial. As pessoas vêem-me menos porque, desde que fui mãe, quando venho para cá aproveito para que a minha filha possa passar o máximo de tempo possível com os avós. Mas a maior parte dos faialenses conhece-me.
Sinto que tenho uma vantagem, que é o facto de ser de uma nova geração e, além disso, mantenho-me jovem porque estou sempre a conviver com “malta” entre os 18 e os 25 anos na faculdade. Isso é importante para nos mantermos jovens, mesmo em termos das novas tecnologias, das novas tendências… Mas sou suficientemente “velha” , digamos assim, para conhecer o Faial e entender as suas dinâmicas. Tenho um passado e um presente do Faial, e isso é uma mais-valia para mim.
O primeiro distanciamento que me fez mudar a minha perspectiva de como via os Açores e Portugal foram os cinco anos em que vivi na Holanda. O facto de ter vivido num país do norte da Europa, onde as coisas acontecem como acho que devem acontecer, mudou-me. Numa fase inicial temos saudades e achamos que a outra cultura é péssima, mas depois começamos a perceber as coisas boas que essa cultura tem. Essa foi a primeira vez que fui capaz de fazer uma análise crítica em relação à minha pátria mãe. E nessa altura cheguei à conclusão de que os Açores eram muito mais especiais que Portugal. Eu tinha vivido até aos 18 anos a rezar todos os dias para ir para Lisboa, mas, pela primeira vez, percebi que os Açores, num contexto mundial, são muitíssimo mais interessantes que Portugal. Comecei a sentir-me açoriana antes de me sentir portuguesa.
Dentro dos Açores, o facto de viver na Terceira fez-me perceber que há diferenças. Os faialenses são muito mais urbanos, mais cosmopolitas, flexíveis e virados para outras culturas. Têm também uma capacidade crítica interessante. Sinto que ultimamente há uma tendência para anular os faialenses, nessa sua tendência de criticar, como se as suas críticas fossem fúteis, que não são.
Acho também que os faialenses têm de perceber que, para além de todas estas características que fazem de nós um povo tão especial, existem necessidades básicas. O Faial tem muito pouco investimento privado, e tem também pouco investimento em sectores base, investimento esse que, durante muito tempo, foi compensado pela vizinhança do Pico, ilha com grande produção.
Neste momento temos de investir no sector primário com uma perspectiva diferente. Acho que a agricultura deve ser inovada e não repetida. Para isso, temos de prestar atenção às mais-valias que temos: temos uma pastagem fantástica, as características da nossa carne e do nosso leite são peculiares, já que são ricos, por exemplo, em anti-oxidantes… Precisamos da malta que se formou em zootecnias, em agronomias e agro-indústrias. Precisamos que eles façam um investimento, não no sector público porque este tem pouco para oferecer nestas áreas, mas no seu próprio negócio. É importante que as pessoas saiam do paradigma de que um negócio é uma coisa para nos tornarmos ricos. Não é. Um negócio é um modo de vida.
Por não ser uma profissional da política tenho tendência a fugir da promessa fácil. O compromisso do CDS-PP sempre foi fazer, mais do que prometer. Apesar de sermos um partido de minoria não somos o clássico partido de oposição. Não estivemos no Parlamento a votar contra porque a oposição tem de ser contra ou a enumerar exaustivamente o que está mal. Sempre nos preocupámos em procurar soluções para problemas reais, em apresentar propostas bem fundamentadas e lutar para aprová-las. Algumas delas são bastante inovadoras. Um das nossas primeiras propostas foi o COMPAMID, o cheque medicamento que não existia em Portugal. E o CDS fê-lo aprovar, como tem feito aprovar muitas coisas.
O CDS já provou que é um partido votado a governar. Apresentamos propostas para mudar as coisas e resolver situações. Temos actualmente 8% dos deputados do Parlamento Regional e apresentamos mais de 20% das propostas, todas exequíveis.
Uma das principais preocupações do Faial é o problema dos transportes, que é gravíssimo. Neste momento o comércio no Triângulo está altamente estrangulado devido a uma má política de transportes. O CDS bate-se há anos pelo que acredita ser a solução mais eficiente, que é o avião mini cargueiro, que permitiria transportar produtos dentro das ilhas e das ilhas para o continente. Finalmente, conseguimos que fosse aprovado um projecto de estudo de viabilidade económica.
Não vou dizer que vou fazer a obra X, Y ou Z, porque isso é inconsequente. Eu não acredito nas medidas avulsas. Acredito que uma boa governação passa por uma boa visão dos Açores. Em que é que o Faial é bom? Em que é que temos de investir? Tem de haver um plano, uma estratégia para implementar essa visão de desenvolvimento.
As medidas avulsas caracterizam o tipo de governação que temos tido, que é quase contabilístico. Gastar um bocadinho de dinheiro ali, outro bocadinho de dinheiro acolá, sem uma visão, não é uma atitude promotora de desenvolvimento.
É fundamental pensar os Açores como um todo e ver como é que cada ilha pode contribuir para esse desenvolvimento. Nesta lógica, penso que ao Faial cabe rentabilizar a sua posição geoestratégica. Seja isso numa plataforma do mar, numa plataforma das comunicações… É uma mais-valia que o Faial tem e não pode deixar de aproveitar. Um projecto de desenvolvimento dos Açores tem de fazer do Faial a ilha central em termos geoestratégicos.
O facto de, nas alturas da campanha, as pessoas caírem na falácia de fazer promessas e houve imensas promessas em relação ao Faial que nunca foram cumpridas. O Governo está mal, ao prometer e não cumprir, mas os faialenses têm de ser proactivos; têm de mostrar que não estão satisfeitos e eleger pessoas para os representar que sejam aguerridas e que mostrem que isto não está certo e que é preciso investir no Faial.
Meios projectos não servem para coisa nenhuma, servem apenas para apresentar obra feita em momentos eleitorais. As pessoas têm de ter essa consciência, participar na vida pública, saber como as coisas se passam e pôr os pés à parede para defender a sua dama. O Faial precisa de uma representação que defenda a sua dama.
O CDS acha que, mais do que obra de betão, as políticas de transporte são fundamentais. Ainda há pouco tempo, sobre essa questão, fiz questão de perguntar quais eram, efectivamente, as condicionantes da pista da Horta actualmente. Pelo que percebi, são poucos os aviões que não podem aterrar aqui. O problema é sempre a questão da carga; o rácio passageiros/carga comercial. O mais importante é sair desse paradigma de ter aviões que funcionem em sistemas mistos, com os passageiros a pagarem o preço de ser necessário deslocar cargas comerciais nos aviões. O mini cargueiro é a solução de que necessitamos.
Não digo que não seria bom ampliar a pista do Aeroporto, mas os dinheiros públicos devem ser geridos como gerimos a nossa casa. Eu posso achar que precisava de um jacuzzi e de ampliar a minha casa de banho para o dobro. Mas se estou com dificuldades económicas não o vou fazer.
No momento em que aeroporto da Horta precisar de obras mais profundas, aí sim penso que deveria pensar-se na ampliação. Mas ampliar o aeroporto numa altura em que há muitas prioridades e pouco dinheiro, em que é preciso gerar emprego no Faial e investir nos sectores básicos para não ficarmos dependentes de importações, acho que a ampliação da pista do aeroporto da Horta não é uma prioridade. E é isso que digo, mesmo que não traga votos.
Leia esta entrevista completa na Edição do Tribuna das Ilhas de 17 de Agosto de 2012
Decorreu esta manhã, na Fábrica da Baleia de Porto Pim, a apresentação do Inventário do Património Baleeiro Imóvel dos Açores. Esta apresentação esteve a cargo de Filipe Porteiro, presidente do Observatório do Mar dos Açores (OMA), que foi a entidade responsável pela realização deste inventário, no âmbito de um protocolo de cooperação com o Governo Regional dos Açores.
O trabalho, coordenado por Márcia Dutra, contou com vários colaboradores, entre eles uma equipa de arquitectos e um fotógrafo. De acordo com Filipe Porteiro, numa fase inicial foi feita a inventariação da documentação história e fotográfica existente, tendo também sido consultados alguns trabalhos já realizados no âmbito desta temática. Só depois desta primeira fase é que a equipa do OMA partiu para o terreno. Nesta segunda etapa, foram realizadas viagens a todas as ilhas dos Açores.
No total, foram inventariados 186 itens. Desses, 24 estão na ilha do Faial. A ilha com mais património baleeiro imóvel inventariado é, como seria de esperar, o Pico, com 43 registos.
De acordo com o director regional da Cultura, a conclusão deste inventário não significa que o projecto tenha chegado ao fim. Para Jorge Bruno, abre-se agora oportunidade para uma nova fase do projecto, que consistirá na edição de roteiros culturais sobre a baleação. A ideia, segundo explicou à comunicação social, é editar cinco roteiros, trabalho que será feito, novamente, a partir de um protocolo com o OMA.
Para além de contribuir para a preservação da memória histórica açoriana e para a sua divulgação às novas gerações, esta iniciativa trará também dividendos na área do turismo cultural pois, segundo diz o director regional, a temática da baleação é a mais apetecida dos turistas. Um reflexo disso é o facto do Museu dos Baleeiros, no Pico, ser o mais visitado da Região.
Este inventário irá também motivar políticas de conservação e, possivelmente, a reabilitação de alguns dos imóveis, que poderão servir para novas utilizações, à semelhança do que foi feito com a Fábrica da Baleia de Porto Pim, hoje transformada em museu.
Esta tarde, às 18h00, larga da Horta com destino à cidade francesa de Sables D’Olonne a segunda etapa da regata Les Sables/Les Açores/Les Sables, disputada em barcos da classe Mini, de 6,5 metros, e em solitário.
Depois do desafio que consistiu a primeira etapa, devido às condições meteorológicas bastante adversas, os velejadores vão agora percorrer novamente as 1270 milhas náuticas até França.
No jantar de entrega de prémios relativos à primeira etapa, que decorreu no passado domingo, ficou claro o entusiasmo dos participantes em relação a esta regata que, na sua quarta edição, assume uma posição cada vez mais sólida no mundo da vela, o que deixa antever a possibilidade do Faial crescer ainda mais enquanto destino de provas oceânicas. Para tal, no entanto, a ilha precisa de uma Marina maior.
Dos 38 barcos que partiram de Sables d’Olonne no passado dia 29 de Julho, 29 chegaram ao Faial. Ventos inconstantes em direcção e intensidade fizeram a vida negra aos velejadores, que demoraram bastante tempo a chegar ao Faial. O primeiro a concluir a etapa chegou ao Faial no final da tarde de terça-feira, 7 de Agosto, e o último entrou na baía da Horta na madrugada do passado sábado.
A entrega dos prémios desta primeira etapa decorreu na rampa da antiga Fábrica da Baleia de Porto Pim, espaço simbólico da relação entre os faialenses e o mar. Nos barcos de série, o primeiro classificado foi Justine Mettraux, com o barco “TeamWork”, que partilhou o pódio com Aymeric Belloir, aos comandos de “Tout le monde chante contre le Cancer”, e Ian Lipinski, com Althing. Já nos protótipos, Aymeric Chappellier, com “La Tortue de L'aquarium la Rochelle”, foi o primeiro classificado, tendo mesmo sido o primeiro barco a chegar ao Faial. Ainda nos protótipos, o segundo lugar foi para Giancarlo Pedote, a bordo de “Prysmian” e o terceiro para Milan Kolacek, com “Follow Me”.
Nesta prova participam velejadores franceses, belgas, italianos, suíços, húngaros, checos, neozelandeses, australianos, ingleses, turcos e alemães. Em comum têm a satisfação pela forma como a regata está a correr, apesar das dificuldades, e o agrado pelo acolhimento que receberam no Faial.
Quem o diz é Stéphane Tournade, vereador da Câmara Municipal de Sables. Para o autarca, o facto da sua cidade ter uma grande experiência na organização de eventos náuticos (é de Sables, por exemplo, que parte a Vendée Globe, uma das mais prestigiadas regatas a nível internacional), faz com que tenha muita coisa para ensinar ao Faial, que começa agora a dar os primeiros passos sólidos nesta área. No entanto, sublinha, Sables d’Olonne também tem muito que aprender com o Faial. Essa aprendizagem, explica, está relacionada com a observação de como funciona a equipa da Marina da Horta, liderada por Armando Castro. Stéphane não poupa elogios à eficiência da equipa faialense na recepção de velejadores de todo o mundo, durante o ano inteiro, seja de dia ou de noite. Para além desta eficiência, o vereador entende também que a hospitalidade que os homens do mar encontram no Faial é singular.
Também o presidente da Câmara Municipal da Horta está satisfeito com a consolidação da relação de amizade com Sables d’Olonne. João Castro entende que o sucesso desta regata é um reflexo da capacidade que a ilha tem de potenciar esta vertente da economia do mar, relacionada com os eventos náuticos. Lembrando que esta regata é um dos maiores eventos náuticos realizados em Portugal, o autarca destaca o trabalho conjunto que tem sido feito por várias entidades para potenciar a vocação náutica da cidade da Horta.
De acordo com Armando Castro, responsável pela Marina da Horta, o interesse pelo Faial no âmbito das regatas oceânicas é crescente, e têm havido vários contactos de outras classes para a possibilidade de realização de provas que passem por aqui. O potencial da ilha é grande e, com as condições adequadas, poderia despertar o interesse das classes de 60 pés ou dos multicascos de 50 pés. No entanto, numa Marina de reduzidas dimensões que sofre de sobrelotação crónica há vários anos, é impossível sequer equacionar essa possibilidade.
Com a localização geoestratégica do Faial, a hospitalidade das suas gentes, tão elogiada pelos velejadores, e a eficiência dos recursos humanos ligados à sua Marina, por diversas vezes reconhecida, fica a faltar a melhoria das infra-estruturas para que se possam dar passos mais ambiciosos para fazer do Faial uma referência da vela oceânica internacional.