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29
julho

Padre Francisco Vitorino de VasconcelosNascido na freguesia da Lom (1912-1991) Sacerdote e professor

Escrito por 
Publicado em José Trigueiro

 Nascido na freguesia da Lomba, concelho de Lajes das Flores, a 2 de Julho de 1912, era filho de António Vitorino Vasconcelos e de Maria Tomásia de Vasconcelos, ele agricultor e ela doméstica, sendo descendente de uma família de nobres tradições históricas da ilha das Flores.

 Completou o Ensino Primário na escola da sua freguesia natal e viria a ingressar no Seminário de Angra do Heroísmo em Outubro de 1927, onde foi um aluno brilhante, sobretudo na área das ciências geográfico-naturais.

Em 20 de Junho de 1937 foi ordenado sacerdote na Sé Catedral da Angra do Heroísmo.

Nesse mesmo ano, depois de celebrar a Missa Nova na freguesia da Lomba, foi nomeado Prefeito do Seminário de Angra do Heroísmo, onde passou a leccionar.

Acabaria por ser nomeado vigário cooperador da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Angra do Heroísmo em 1940, cargo que viria a exercer durante alguns anos, acumulando-o com as actividades de professor que tinha no Seminário.

Assim, durante 21 anos, e até 1962, leccionou no Seminário de Angra, tendo sido professor emérito de Físico-Químicas e de Ciências Naturais.

Era deste modo um investigador de grande capacidade e conhecimentos, dedicando a essas actividades um dinamismo invulgar que muito contribuiu para o enriquecimento da sua cultura.

 Para desenvolver toda essa actividade, possuía uma excelente biblioteca, bem como um telescópio e outros equipamentos indispensáveis aos seus estudos. Usava esses instrumentos nas suas investigações e na observação periódica dos astros.

            Com esses estudos melhorava os seus conhecimentos e cultura, para assim os transmitir aos alunos e às demais pessoas que com ele conversavam sobre esses temas. Tinha especial predilecção pelo ensino.

            Também desenvolveu importante estudo das actividades fotográficas e de diapositivos, as quais foram realizadas durante vários anos como entretenimento nas suas horas vagas.

Apesar de ter voz monótona na sua forma de expor, preparava muito bem as aulas que dava, dominando com profundidade a matéria que se propunha transmitir. Era também um bom orador, tendo sido, sobretudo quando jovem, muito solicitado para proferir importantes sermões, os quais eram, de igual modo, inteligente e cuidadosamente preparados.

Em Junho de 1962, depois de intensa e utilíssima actividade ligada ao ensino, foi colocado como ouvidor e pároco da Matriz de Santa Cruz das Flores onde, apesar de cansado e doente, assumiu ainda o serviço sacerdotal da paróquia da Caveira e do lugar da Fazenda de Santa Cruz.

            Para além disso, passou a leccionar no Externato da Vila, nomeadamente as disciplinas de Físico-Químicas e Ciências Naturais, tendo-se recusado a exercer as funções de Director, cargo que foi exercido pelo Padre José Alves Trigueiro, certamente devido ao muito trabalho que então tinha a seu cargo. Contudo, fazia parte dos seus órgãos directivos. O Externato havia sido fundado em 1959 sob a orientação da Diocese de Angra, quando era pároco da referida Vila o Padre Maurício de Freitas, natural de Lajes das Flores, que foi o seu primeiro Director. O Externato, que acabou por ser transformado no Ensino Oficial, é hoje a “Escola Padre Maurício António de Freitas”, que ele, quando ali paroquiou, ajudou a manter e a evoluir  para ensino oficial da ilha.

 Durante a sua vida viajou por várias vezes em visitas de estudo e de recreio, praticamente por todos os países da Europa Ocidental, tendo passado por Lourdes e pela Feira Internacional de Bruxelas. Refira-se que, face à sua cultura e ao seu espírito curioso, sempre na ânsia de aumentar os seus conhecimentos, era um grande apreciador de certames dessa natureza.

Visitou também por várias vezes os EUA e o Canadá, países onde tinha familiares e amigos que o receberam com muita consideração e estima. Também aí foi convidado a proferir conferências e sermões.

Mas, para efectuar mais viagens, conhecer novas sociedades e aumentar a sua cultura, realizou, durante algumas das suas férias, viagens como capelão do navio de passageiros “Uige”, da Companhia Colonial de Navegação, tendo então visitado vários países de África, da América do Sul e da América Central, nele prestando os respectivos serviços sacerdotais e proferido conferências e homilias.

Era obstinado, mas inteligente e comunicativo, mostrando-se sempre disposto ou mesmo entusiasmado nos ensinamentos que a sua elevada cultura lhe permitia transmitir. Fazia-o discreta e habilmente, mesmo nas ocasiões em que entendia serem esses ensinamentos úteis ou necessários, sem que tivessem de lhos pedir. Bastava-lhe compreender que o seu interlocutor os desejava receber ou que os desconhecia e que os mesmos lhe poderiam ser úteis. Nós próprios passámos por situações dessa natureza quando, por diversas vezes, desfrutámos da sua amável companhia, pelo que pudemos também testemunhar esse seu gosto pelo ensino.

 Era, por conseguinte, um excelente conversador, conforme o pude constatar em diversas ocasiões.

Envelhecido pela idade e pela doença, em 15 de Agosto de 1987 fixou-se em Angra do Heroísmo, onde passou a residir humildemente em casa de um sobrinho, Rui Reis, que foi sargento do Exército. Aí veio a falecer com 79 anos de idade em 10 de Dezembro de 1991.

Segundo a opinião de Monsenhor Dr. Francisco Caetano Tomás, foi uma injustiça a Diocese de Angra não o ter enviado a Roma licenciar-se, quando ele acabou o seu curso do Seminário, face às sua inteligência e à sua capacidade vocacional para o Ensino.

            Mesmo assim, como Padre viveu, essencialmente, para servir e ensinar, prestando assim relevantes serviços à Igreja Católica, à instrução e à cultura e, designadamente, às populações que com ele conviveram, em face da sua vocação obsessiva para o encino.

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 BIBLIOGRAFIA:

- Jornal “A União” de 11-12-1991.

  - “Jornal do Ocidente” de 10-5-1992.

  “Padres das Flores” (Subsídios Históricos), págs. 75 a 78.

 

 

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