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08
maio

Florentinos que se distinguiram - ADELAIDE DO ROSÁRIO ARMAS 1919-1983 Regente escolar

Escrito por  José Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro

Filha de António José Armas e de Maria José Armas, nasceu no Curato da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 13 de janeiro de 1914, ele agricultor e ela doméstica. Era irmã de Fernando José Armas, oficial baleeiro, de Helena do Carmo Armas, costureira de roupas de homem, e de Luís José Armas, inspector de jogos nos Casinos do Algarve, e teve outros irmãos, nomeadamente António Armas, que emigrou para a Califórnia, onde foi carpinteiro de embarcações.   

Na sua terra natal, Adelaide Armas fez o Ensino Primário, certamente com excelente qualidade, tal como já havia acontecido com a grande maioria dos irmãos. 

Depois desse ensino ficou por casa dedicada às lides domésticas, ao mesmo tempo que trabalhava no serviço de costura da irmã Helena que, na sua própria alfaiataria, era uma artista na confeção de roupas, designadamente em fatos de homem. 

Em data que não pudemos precisar, viajou para o Faial onde, depois de algumas aulas apropriadas, fez o exame para Regente Escolar a fim de trabalhar no ensino primário. Nesse tempo, esse cargo, que era menos exigente em matérias de instrução, era muito usado em escolas de pequenas localidades e de menores responsabilidades.

Começou por lecionar na escola da freguesia da Fazenda, em data que não pudemos obter. A seguir passou pela dos Morros, na vila das Lajes, e depois esteve, durante vários anos, na do lugar da Ponta da Fajã, onde acabou por fixar residência. Como se viu forçada a aposentar-se muito cedo, vivia muito pobremente, faltando-lhe ainda alguma compreensão de natureza social e familiar. Mais tarde, com vista a cuidar da irmã Helena, acabaria por regressar à sua terra natal, cedendo ao pedido que o irmão Luís lhe fizera, reconciliando-se assim com todos. Cuidou da irmã e esta fez-lhe testamento.

Uns tempos depois do falecimento da irmã, quando tudo lhe estava a correr bem na vida, gozando a sua aposentação e os rendimentos dos terrenos da família, visita os sobrinhos e demais familiares e amigos emigrados no Canadá e EUA. Encantada com a gentileza encontrada nessa sua demorada e gostosa visita, regressa pela Horta onde parecia ter renovado dez anos. Todavia, aí, ao passar na rua junto dos Correios, teve a infelicidade de sair do passeio – cedendo por gentileza o interior às pessoas com quem se cruzava – e de ser apanhada pela urbana de cidade que, ao passar atingiu-a com a traseira, motivando-lhe a queda e a fractura da bacia que, embora ela tivesse sido hospitalizada, lhe viria a ser fatal. Estava altamente descalcificada, afirmaram então os médicos. 

Assim, faleceu na cidade da Horta, a 11 de Março de 1983, onde os seus restos mortais foram sepultados no cemitério do Carmo, terminando abruptamente uma vida que só então lhe estava a proporcionar o conforto económico e social que quase sempre lhe faltara.   

Como adquirira hábitos de leitura junto da família, o seu passatempo favorito era a leitura, bem como a audição de rádio, sobretudo no tempo em que viveu isolada no lugar da Ponta da Fajã, onde divulgava e comentava amistosamente aquilo que mais a impressionava. 

Era muito prestável e bondosa, sempre pronta a ajudar os que dela careciam, saudando com simpatia as pessoas com quem se cruzava. A sua formação religiosa, embora menos activa do que a da irmã Helena, manteve a sua fé religiosa até ao fim da vida.

BIBL: “Processo de imposto sucessório” da R. F. de Lajes das Flores de 1983; “Trigueiro, José Arlindo Armas, Fazenda das Flores - Um Século de Sucesso (1900-2000)”, (2008), pp. 287, edição da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
 
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