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22
maio

A europa e a nossa diáspora

Escrito por  Sofia Ribeiro
Publicado em Sofia Ribeiro

Aproveitando que esta crónica sai na semana do Senhor Santo Cristo dos Milagres em que a ilha de S. Miguel acolhe centenas de emigrantes açorianos nos Estados Unidos da América e no Canadá, apresto-me a abordar o estado das relações da União Europeia e estes dois países e a importância estratégica que a nossa Região detém nesse contexto.

A América do Norte e a União Europeia assumem, nos dias de hoje, um importante papel mundial na prossecução dos mais elementares direitos fundamentais, tais como a liberdade, a segurança, a equidade, a educação e o trabalho, entre outros. As suas políticas regulam e condicionam a acção de outros países cuja defesa dos direitos humanos deixa muito a desejar, o que justifica, por si só, que se fortaleçam os relacionamentos bilaterais transatlânticos. Na maioria das vezes somos tentados a priorizar os efeitos da diplomacia nessa regulação, mas não devemos esquecer os impactos sociais directos e indirectos das decisões políticas, económicas e financeiras tomadas em ambos os lados do Atlântico. No que concerne aos tratados de comércio e de investimento em negociação com o Canadá (CETA - já concluído) e os EUA (TTIP, em negociação), há que ter em consideração que estes podem contribuir para o restabelecimento do equilíbrio económico e social, numa era em que assistimos à crescente capacidade económica e financeira de países do Oriente onde a exploração do trabalho (inclusivé o infantil) é uma constante.

Muito se tem dito e escrito acerca destes tratados, sobretudo do TTIP, pela sua dimensão. Há vários pontos de grande sensibilidade para a UE que estamos a trabalhar no Parlamento Europeu (dos quais se destacam as questões higino-sanitárias e da protecção da saúde humana e animal, bem como os produtos de origem ou de indicação geográfica protegidas, que foram ultrapassadas com o Canadá), mas não podemos olvidar a extrema importância de matérias relacionadas com a protecção e promoção do investimento, a circulação de trabalhadores e o aumento da capacidade de exportação, entre outros.

Para a nossa Região, para além destes acordos corporizarem o relacionamento próximo que temos com o Canadá e com os EUA (qual é o açoriano que não tem familiares emigrados num destes países?), permitem-nos investir ainda mais no mercado da saudade e podem contribuir para o nosso desenvolvimento económico também por via indirecta, caso venhamos a integrar efectivamente o projecto europeu Auto-estradas do Mar (o que poderá ser muito importante em especial para a Ilha Terceira, face ao problema que resulta da redução significativa de militares norte-americanos da Base das Lajes).

Os açorianos que vivem nos Estados Unidos e no Canadá muito têm contribuído para o nosso crescimento económico e social. Na crise em que nos encontramos (que pode ser agravada face ao termo das quotas leiteiras), esse apoio é ainda mais necessário. Na medida das suas possibilidades, os nossos emigrantes podem contribuir para um maior consumo dos nossos produtos e pela sua promoção nos países que os acolheram e/ou para a admissibilidade de produtos açorianos que encontram obstáculos à sua exportação (como é o caso de alguns dos nossos melhores queijos). Da minha parte, no Parlamento Europeu e em especial nas Delegações para as Relações com os EUA e com o Canadá, bem como no grupo TPN (Transatlantic Policy Network), a que pertenço, continuarei a lutar por melhores condições para a nossa terra e para as nossas gentes, encontrando-me sempre disponível para colaborar com todos (incluindo com os nossos emigrantes) para que juntos possamos alcançar esse objectivo. 

 

Boas Festas! 

 

www.sofiaribeiro.eu

 
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