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12
junho

“Lisboa, escuta: os Açores estão em luta!”

Escrito por  José Andrade
Publicado em Hugo Rombeiro

Esta palavra de ordem ecoou em todas as nove ilhas dos três distritos autónomos do arquipélago dos Açores ao longo do ano pós-revolucionário de 1975.

Segundo os sete jornais diários das capitais distritais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, de janeiro a dezembro terão ocorrido cerca de quatro dezenas de manifestações populares nas ruas açorianas – catorze em S. Miguel, cinco na Terceira, Faial e Pico, duas em Santa Maria, Graciosa e S. Jorge, uma nas Flores e Corvo – naturalmente com dimensões diferentes e politicamente com motivações distintas: umas contra a governação nacional ou a favor da administração regional, outras anticomunistas ou anti separatistas, outras ainda por razões laborais ou corporativas.

A manifestação popular mais representativa e consequente invadiu a cidade de Ponta Delgada no dia 6 de junho, com demissão imediata do governador civil Borges Coutinho, e terá contribuído para obrigar ou acelerar a resolução concreta de problemas pendentes entre Lisboa e os Açores. Mas, entretanto, 35 personalidades alegadamente implicadas na sua organização não autorizada foram detidas em S. Miguel e inquiridas na Terceira.

Antes, a 25 de abril, os três distritos elegeram cinco deputados do PPD (Mota Amaral, Américo Viveiros, José Manuel Bettencourt, Ruben Raposo e Germano Domingos) e um do PS (Jaime Gama) para defesa dos interesses açorianos na Assembleia Constituinte.

Depois, a 26 de agosto, entra em funções a Junta Administrativa e de Desenvolvimento Regional dos Açores, presidida pelo governador militar Altino de Magalhães e constituída por seis vogais dos distritos autónomos de Ponta Delgada (Jácome Correia e Henrique de Aguiar), de Angra do Heroísmo (Borges de Carvalho, depois substituído por Álvaro Monjardino, e Leonildo Vargas) e da Horta (Pacheco de Almeida e Martins Goulart).

Por um lado, reclamava-se a independência. Primeiro o MAPA (Movimento para a Autodeterminação do Povo Açoriano) e, depois e sobretudo, a FLA (Frente de Libertação dos Açores), em parceria com o “Comité Açoriano 75” junto da diáspora norte-americana, tanto anunciavam um governo na clandestinidade e um exército de libertação como lançavam um ultimato ao governo português. E, entretanto, ocorriam assaltos às sedes comunistas ou explodiam engenhos nas socialistas.

Por outro lado, preparava-se a autonomia. As organizações distritais do PPD, do PS e até do CDS, como antes o “Grupo dos Onze” e depois a própria Junta Regional, apresentavam os seus projetos de Estatuto para a Autonomia dos Açores, que culminariam nos contestados trabalhos da Oitava Comissão da Assembleia Constituinte.

De Lisboa chegavam os dirigentes partidários Pinto Balsemão, Magalhães Mota, Miller Guerra, Freitas do Amaral; em Lisboa ficavam o presidente Costa Gomes e o primeiro-ministro Vasco Gonçalves; por Lisboa rebentavam o 11 de março e o 25 de novembro.

Afinal, 1975 foi um ano interessante e importante na política açoriana, de transição dos três distritos para a região autónoma, que vale a pena recordar ou conhecer no segundo volume da trilogia “Anos Decisivos”.

LANÇAMENTO NO FAIAL

Chama-se exatamente 1975: INDEPENDÊNCIA? – O “verão quente” nos Açores e tem prefácio de Álvaro Monjardino este meu novo livro que a Letras Lavadas Edições apresenta, hoje mesmo, ao público faialense.

O seu lançamento ocorre neste dia 5 de junho, às 18 horas, na sala de exposições do Museu da Horta, evocando o simbolismo do local que até há 40 anos sedeou os serviços do Governo Civil e da Junta Geral do Distrito Autónomo da Horta.

Esta sessão aberta ao público em geral é presidida pelo diretor do museu Luís Menezes e inclui uma breve tertúlia de memórias políticas com a participação de dois protagonistas locais de 1975 – Fernando Dutra de Sousa (então presidente da Câmara Municipal da Horta) e António Simas Santos (então presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico) – com moderação do diretor do jornal Incentivo, Rui Gonçalves.

Estão todos convidados!

 

 

 

 

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