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07
outubro

VASCO CORDEIRO ENTERRA AMPLIAÇÃO DA PISTA… E PS DO FAIAL APLAUDE!...

Escrito por  Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira

1. Volvidos todos estes anos tenho de reconhecer que o Partido Socialista e os vários governos regionais souberam com eficácia não só entreter e adiar com encenações bem montadas a sua promessa de ampliar a pista do Aeroporto da Horta, mas até mesmo quase a fazer esquecer na sua formulação primeira. Recorde-se a simplicidade e clareza daquilo que, em 2004, Carlos César prometeu, solenemente, na freguesia dos Flamengos: “caso a ANA e o Governo da República não se disponham a avançar com a obra de ampliação da pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional a eles se substituirá e fará essa obra”.
Esta afirmação, tal como foi dita e assumida, não permite dúvidas, nem interpretações diversas. E era sobre ela que o PS dos Açores teria de ser sempre confrontado. A habilidade da máquina de propaganda que está ao serviço daquele partido e do governo foi ter sido capaz, em diversos momentos, de nos colocar a todos a falar de outras coisas (posições do Governo da República, da ANA, da sua privatização) e ter nelas colocado o ónus de uma decisão que, a acontecer em sentido negativo, como veio a verificar-se, só tinha um resultado: a responsabilidade última ser sempre assumida pelo Governo Regional, nos exatos termos em que Carlos César a formulou e defendeu por mais do que uma vez, aliás!
Ainda em 2012, Vasco Cordeiro dizia, aqui na Horta, como candidato, que “Vamos apoiar o Governo da República na ampliação da pista”, podendo-se, já na altura, perguntar, no contexto do compromisso do PS em 2004, para que servia essa declaração, uma vez que os sucessivos governos da República (do PS e do PSD) e as sucessivas administrações da ANA nunca se mostraram disponíveis para assumirem sozinhos tal investimento.
Mas, agora, na passada semana, Vasco Cordeiro rasgou definitiva e completamente, pela leitura que faço das suas declarações, os compromissos com o Aeroporto da Horta. Disse ele que o “PS considera que a obra de ampliação do aeroporto da Horta devia ter estado no caderno de privatização da ANA” e sublinhou que “naquilo que depender de nós, como é o caso do projeto RISE, nós estaremos ao lado da SATA, no trabalho que ela está a desenvolver para melhorar a operacionalidade do aeroporto da Horta e servir melhor os Faialenses em acessibilidades aéreas”.
Ora, não pode haver entendimento diferente das suas palavras: a ampliação da pista “devia ter estado no caderno de privatização da ANA” e não está, pelo que “naquilo que depender de nós (PS)”, “melhorar a operacionalidade do aeroporto da Horta” resume-se a estar “ao lado da SATA” no projeto RISE!
Isto é: Vasco Cordeiro escolheu simbolicamente o comício do PS nos Flamengos do passado dia 1 de outubro para enterrar de vez a promessa do PS e de Carlos César de que “caso a ANA e o Governo da República não se disponham a avançar com a obra de ampliação da pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional a eles se substituirá e fará essa obra”.
E o mais estranho e patético de tudo foi ver muitos dos que em 2004 aplaudiram Carlos César a apresentar a solução para a ampliação da pista do nosso aeroporto, aplaudirem agora Vasco Cordeiro a enterrar esse compromisso!
Como me dizia, há dias, um militante, em tempos empenhado, do Partido Socialista: “não me revejo nesta geração que tomou conta do Partido. Não tem opinião própria, não tem princípios ideológicos e éticos e ninguém lhes liga a nível regional. Obedecem a tudo e só querem um lugar na administração ou na Assembleia. Para manter isso, são capazes de tudo!”
Até vender o Faial, a ilha que os viu nascer…concluo eu!
E assim continuará a ser enquanto os cidadãos eleitores do Faial o permitirem!
2. Há quatro anos, escrevi aqui, no Tribuna das Ilhas, o que se segue:
“… nos Açores há eleições. Nelas, os cidadãos são chamados ao exercício do seu poder máximo: o de escolher os seus governantes. E, como em qualquer escolha que tenhamos de fazer, para ser verdadeiramente consciente, ela deve ser sempre precedida de uma avaliação, pela qual os cidadãos fazem o balanço da ação daqueles a quem, há quatro anos, confiaram o poder.
Impõe-se, pois, avaliar a atividade do governo regional e o grau de cumprimento dos seus compromissos para com o Faial.
E as questões que importa, de imediato, colocar são simples: vivemos, hoje, melhor no Faial e nos Açores do que vivíamos há quatro anos? Temos hoje melhores perspetivas de futuro? O nosso comércio está melhor e mais consolidado? O nosso setor produtivo cresceu? Há mais oportunidades de emprego? Os nossos filhos que vão estudar para fora e que desejam regressar conseguem trabalho nas suas ilhas?
A resposta a todas estas questões é, infelizmente, “não”. Vivemos, hoje, no Faial e nos Açores, dramaticamente pior do que vivíamos há quatro anos! Porquê? Por causa da crise geral que afeta a Europa; por causa da profunda crise que assola Portugal, mas também porque o governo regional não encontrou as respostas capazes para enfrentar as dificuldades que nos são próprias. (…)
Por outro lado, importa, também, avaliar o cumprimento dos compromissos deste governo para com o Faial. A ampliação da pista do Aeroporto da Horta foi cumprida? A construção do Campo de Golfe do Faial concretizou-se? A 2ª fase da Variante à cidade da Horta avançou? A repavimentação das estradas do interior da ilha foi feita? As Termas do Varadouro foram reabilitadas? O Estádio Mário Lino foi construído? O Museu da Horta foi ampliado?
Tudo isto foi prometido há quatro anos e não foi cumprido.”
Escrevi isto em 2012 e podia escrever exatamente o mesmo hoje. Porquê? Porque tudo o que nessa altura eu aqui enumerava, infelizmente, continua hoje igual e sem concretização. E a essas promessas não cumpridas de 2008, somam-se as outras não cumpridas de 2012. E tem sido assim que este Governo trata o Faial, apesar de há 20 anos, com uma única interrupção, esta ilha ter sempre dado o seu apoio em eleições ao Partido Socialista!
E assim continuará a ser enquanto os cidadãos eleitores do Faial o permitirem!

03.10.2016

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