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30
junho

O apocalipse da Câmara do Comércio da Horta

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em EDITORIAL

A conferência de imprensa dada na semana passada pelo Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta em que expôs os motivos que o levaram à sua demissão, mostrou quão dificilmente se conseguirá erguer esta Instituição centenária.

Impotente e conformado, deixou-se derrotar pelas circunstâncias e pelos números.

Quando tomou posse, acreditava que era possível fazer renascer a CCIH, recuperá-la financeiramente e chamar os associados a participar mais ativamente na vida e nos destinos da Instituição. Ao fim de dois anos, concluiu que tal tarefa não era viável. O afastamento e o desinteresse visível, de há muitos anos a esta parte, entre os associados e a Câmara do Comércio e a prática de atos de gestão de forma irresponsável, mostram que o fim está ali ao virar da esquina.

E não se pode imputar a culpa a este ou a outro Governo Regional, pois foram eles que, ao longo dos anos, conseguiram segurar financeiramente esta entidade, nomeadamente através da celebração de protocolos de apoios de diversa índole.
Ao invés, a responsabilidade, essa sim, terá que ser assacada, única e exclusivamente, às diversas direções da Câmara do Comércio, pois como diz o velho ditado popular “a culpa não pode morrer solteira”. É verdade, há que apurar como é que uma Instituição tão pequena, de parcos recursos financeiros, conseguiu acumular ao longo de um período recente uma dívida superior a um milhão de euros.

Os seus associados têm o dever e a obrigação de exigir já, hoje, a realização de uma auditoria independente às contas dos mandatos de cada direção com vista ao apuramento de eventuais responsabilidades, quer financeiras, quer criminais.

A dívida gigantesca que a CCIH tem presentemente fragiliza-a e descredibiliza-a perante as restantes Câmaras do Comércio, perante os seus fornecedores e associados, perante os sindicatos e o Governo Regional. Qualquer posição que tome, no futuro, em defesa dos interessas das suas ilhas de intervenção, é sempre ofuscada por este continuo mau governo das suas finanças.

O seu atual esvaziamento decorre, mais uma vez, não por culpa do Governo Regional, mas sim por incapacidade das sucessivas direções em conseguirem ter mais receitas, de diversificarem as suas fontes de rendimentos e, com isso, segurarem os seus quadros, o seu capital humano, que são, no fundo, a sua mais-valia.

Não pode ser o Governo Regional a assegurar o financiamento da Câmara do Comércio na sua plenitude, deve ser uma entidade parceira, mas não assumir o seu sustento, pois isso écompetência de cada direção eleita.

A delapidação desta Instituição, a acumulação de sucessivos prejuízos e de dívidas, exigem uma investigação profunda e apuramento dos seus responsáveis, pois quem assume este tipo de cargos não pode pensar que a sua gestão não é escrutinada. Há que encontrar os responsáveis pelo facto da Câmara do Comércio e Indústria da Horta ter chegado a este ponto.

As eleições estão marcadas para o dia 31 de agosto do presente ano, mas não vislumbro luz ao fundo do túnel, não encontro solução para este estado calamitoso a que a CCIH chegou, a menos que um mecenas, como que por magia, tome as rédeas da entidade ou os Faialenses, como já demonstraram por diversas vezes ao longo da sua história, não queiram deixar morrer esta entidade centenária. Se assim não for, a falência estará próxima e com ela a perda de poder reivindicativo da ilha do Faial no contexto regional.

João Paulo Pereira
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