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15
outubro

A Geração dos 3 a 5 mil euros, ou mais!...

Escrito por  Paulo Oliveira

 No último artigo, falei da geração dos “Faz-Tudo” de hoje, que, em vez de nos governarem e desenrascarem, nos enrascam, governando-se a si próprios... e muito bem.

Curiosamente, muitos foram aqueles que se identificaram com o artigo, e que também “sofrem” a acção destes “Faz-Tudo”, que são a causa do estado em que se encontra a ilha do Faial.

Mas vamos ao artigo de hoje, que versa outra (ou talvez a mesma, quem sabe?) geração: a Geração daqueles que ganham (abusivamente), qualquer coisita, como, 3 mil, 5 mil, ou mais... euros mensais.

Não tenho nada contra quem muito trabalha, muito produz, e muito aufere, fruto do seu trabalho honesto, numa sociedade aberta, livre, justa, equilibrada, transparente e equitativa.

O mesmo já não posso dizer daqueles que, debaixo do “umbrella” do partido, ganham demais, produzem de menos, e ainda se queixam do esforço que é chegar ao fim do mês com alguns cêntimos na algibeira.

Sim, porque isto do ganhar e poupar, tem muito que se lhe diga, pois quem se habitua a ganhar demais, também facilmente adquire o hábito de gastar demais, e depressa se esquece donde veio, tal é o deslumbramento do destino para onde vai...

Claro que o “barrete” nunca nos serve, e olhamos distraidamente para o lado, como se não fosse connosco..., até que alguém mais afoito nos aponta o dedo e, descaradamente, nos coloca a albarda em cima...que até nos assenta que nem uma luva.

Mas mesmo assim, hoje em dia, chegámos ao tempo em que, mesmo quando se apontam a dedo os culpados, os abusadores, os que se abotoam indevidamente com aquilo que não lhes pertence..., e se desmarcaram em plena praça pública, os mesmos encolhem os ombros, erguem a cabeça por cima da indecência, e ultrapassam os erros..., para glória própria e dos seus pares, encobrindo-se todos com o mesmo pano.

Hoje, chegou-se ao descaramento de se considerar normal e corrente esta... geração, cujo status levita sobre um povo, que alimenta essa desenfreada ascensão politica, egocêntrica  e doentia.

TESTE RÁPIDO

Se o leitor mantém a dúvida de saber se este artigo lhe é dedicado, ou se se enquadra nesta dita “geração” dos 3 a 5 mil euros, terei todo o gosto em esclarecê-lo.

Assim, e com três perguntinhas apenas, espero que aceite este desafio.

1ª Pergunta: Ganha 3 mil ou mais euros?

2ª Pergunta: Exerce profissionalmente a sua habilitação literária?

3ª Pergunta: Atingiu o lugar que ocupa por concurso?

Já está, não custou nada, e diga lá..., se não foi desconcertantemente fácil?

Eis o Resultado: se as suas respostas foram SIM, NÃO, NÃO, então, está de parabéns.

Não há dúvidas: Pertence à nova Geração dos 3 a 5 mil euros!

Se a sua resposta foi diferente, tranquilize-se, ainda não pertence a esta geração... inútil!

Inútil, desde logo porque esteve a estudar... para nada! O título de Dr. ou Engº apenas fica bem nos cartões de visita, na placa da porta do escritório, ou então para ser chamado(a) em alta voz... Que pena, tantos sacrifícios dos seus pais..., para nada, sem qualquer utilidade.

Se não atingiu o lugar que ocupa por concurso ou sufrágio universal, então... foi por convite, cunha ou pela cor dos olhos, pelo palminho de cara... ou nalguma alcofa, que me escuso de comentar!

Auferir 3 a 5 mil euros ou mais... apenas com estes “requisitos” é demais, pois certamente o leitor não pensa que, sinceramente, o que faz (ou o que não faz... e devia fazer) vale, mesmo, essa choruda quantia que, todos os meses leva para casa, “roubada” a todos nós, os trabalhadores.

Se ainda tem dúvidas, ou se se sente ofendido, então aconselho a fazer um auto-exame do que dá em troca de tão generosa retribuição..., e não vale fazer batota, não pense que o que dá é “super valioso e único”, pois “mercadoria” dessa, é  o que não falta... na esquina!

Seria desejável um estudo sociológico a esta “fauna”, no sentido de identificar os “vícios” desta nova geração, nomeadamente:

-       Quantos telemóveis tiveram nos últimos 12 meses;

-       Quantas vezes almoçam / jantam nos restaurantes, por mês;

-       Qual o padrão da sua habitação?

-       Qual o modelo, versão e ano de fabrico do seu carro?

-       Quais e quantos são os seus destinos de férias, por ano?

-       Quais as marcas que conhecem, vestem e calçam?

Daria certamente um estudo interessantíssimo, com publicação garantida nas disputadas revistas da imprensa “cor de rosa”, que alimentam o sonho de muitos(as) aspirantes a pertencerem a esta geração “rosa choque”.

Claro que agora, com os cortes de 5 a 15%, e se considerar que vale mais do que agora passará a receber, será uma boa oportunidade de virar as costas a esta “bela teta”, deixar o emprego / “tacho” do partido, e procurar trabalho, sem rede (leia-se, sem cunhas...) nesta sociedade civil aberta e testar, definitivamente, se efectivamente tem “unhas para tocar viola”, ou, se preferir, se tem aptidão para alguma coisa..., na tentativa de deixar de ouvir baixinho que é “boy” ou “girl” do partido do poder...

TRABALHADOR(A)

Por outro lado, se a sua resposta foi NÃO, SIM, SIM, então resta-lhe a consolação de ser enquadrado no extenso escalão dos(as) “Trabalhadores”, daqueles(as) que cumprem os seguintes requisitos:

1º Ganham menos de 3 mil euros, mais vulgarmente abaixo dos mil euros;

2º Exercem a profissão em função da sua habilitação literária ou profissional;

3º Alcançaram o pequeno lugar que ocupam, depois de muitas candidaturas a numerosos concursos, e de muitas mais entrevistas a lugares onde... os que ganhavam eram, inevitavelmente, os irmãos, filhos, sobrinhos e afilhados... dos que já lá estavam.

Sendo “Trabalhador(a)” então está condenado a trabalhar, honesta e arduamente, para garantir a sobrevivência da sua família, e ainda os luxos da geração dos 3 a 5 mil euros... e mais.

Cabe-lhe a si trabalhar, para sustentar os vícios de quem nunca trabalhou, e que, por isso, nunca há-de descobrir “por onde a formiga mija”, como se dizia antigamente.

Esta é uma “pescadinha de rabo na boca”, cujo ciclo, alguém, um dia, há-de romper.

Para nossa própria sobrevivência, espera-se que tal aconteça muito proximamente!

 

                                                                                 Contributos, para

                                                                              Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

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