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21
julho

Lembrando Raquel Welch

Escrito por  Victor Rui Dores
Publicado em Victor Rui Dores
A hoje septuagenária Raquel Welch foi responsável por manchas suspeitas nos lençóis da minha adolescência…
Sex-symbol nos anos 60 e 70 do século passado, padrão de beleza completa e absoluta, a actriz norte-americana era o corpo escultural, o olhar provocante, a voz sussurrada, o desejo que explodia em delícias… Sobrava-lhe em quadris o que lhe faltava em talento… Os seus bikinis (ousadíssimos) fizeram história: logo num dos seus primeiros filmes, “Mil Séculos Antes de Cristo” (1966), aquela pecinha de vestuário passaria a ser o seu registo de marca. E tudo isto numa época em que o movimento hippie atingia o seu auge nos Estados Unidos da América, o feminismo radical fazia frisson nalguns países da Europa, e surgiam modelos como aTwiggy e outras jovens magríssimas, mirradas, sem carnes e sem curvas…
Em idade transitiva, eu vi todos os filmes de Raquel Welch. Sempre fascinado por ela e com o coração a bater a 24 imagens por segundo… Apreciava outras actrizes, igualmente sensuais: a deslumbrante Brigite Bardot, o charme discreto de Catherine Deneuve, os olhos felinos de Jaqueline Bisset, ou a bond-girl UrsulaAndress… Mas quando a protagonista era Raquel Welch, essa “força da natureza”, eu via uma, duas e três vezes o mesmo filme! 
O cinema era, então, uma experiência, de sonho, uma entrada no reino da fantasia… Entregando-me às cinefilias, aprendi, na minha pequena ilha, a descobrir e a inventar o mundo. Saía dos filmes reconciliado com a vida, mesmo quando o real da rua me devolvia o sentido da realidade. Vivia, feliz, nessa doce quimera. E, muitas vezes em sessões duplas, “papava” todos os géneros de filmes: animação, musical, western, aventura, comédia, drama, guerra, policial, ficção, suspense… 
Raquel Welch haveria de mostrar e demonstrar que não tinha só um corpo para dar ao grande público. A crítica acabou por lhe dar créditos com as suas prestações nos filmes “Hannie Caulder” (1971) e “Os 3 Mosqueteiros” (1973). À beleza, à simpatia e ao sexappeal, Raquel acrescentava verdadeiro talento. Alheia a sensacionalismos, ela soube sempre cuidar da sua imagem pública, e nunca deixou de ser uma mulher moderna e uma atriz sofisticada. Até aos dias de hoje.
Não, não esquecerei a formosa e mui esplendorosa Raquel Welch.
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