Com a eleição há quase dois anos de um deputado do PAN – Pessoas Animais Natureza, à Assembleia da República abriram-se as portas a candidaturas por este partido aos diversos órgãos do país.
Na região, nas últimas eleições à Assembleia Legislativa Regional, também o Faial teve um candidato pelo PAN.
Agora há novo acto eleitoral e observei por isso, com muito interesse, a candidatura do PAN Faial e Hugo Rombeiro à CMH.
Eu, como democrata, e por acreditar que efectivamente hoje em dia, as estruturas partidárias ainda são as melhor organizadas para fazer chegar preocupações e ideias aos centros de decisão, fico agradado com esta mobilização em torno de projectos políticos. Vejo com menos agrado quando a estes lhes faltam objectividade na identificação de problemas, quando não se pronunciam sobre aquilo que é da esfera do município – neste acto eleitoral – e este se alheia das suas responsabilidades, quando nas intervenções são pouco concretos no plano de acção a adoptar e sobretudo por estas preocupações serem, vistas por mim, uma novidade no perfil de alguns dos partidários.
Assim, e atentando à apresentação da candidatura, dizia Hugo Rombeiro que havia “muita coisa triste por este Faial” em jeito de remate à problemática dos “cães famintos abandonados na Caldeira e os muitos bezerros criados em currais de porcos”!
Relativamente a esta “problemática”, não me parece que seja prática corrente nesta terra alguém ter vacas em currais de porcos, também não me parece que o facto de ter ocorrido, pelo menos uma vez, o abandono de cães recém-nascidos na caldeira, e de isso ser preocupante, se possa elevar a ocorrência à categoria de calamidade!
De resto, não acrescentou nada acerca do que propunha acionar na jurisdição do município, à exceção de retirar processos da gaveta e começar a passar coimas.
Nem uma palavra acerca da veterinária municipal que não se move um centímetro na direção da aplicação da legislação, também de si muito interessante, que entrará em vigor em 2022.
Nada sobre estratégias para lidar com animais errantes… a não ser aumentar os gatos vadios para eliminar as ratazanas que roem o milho.
Nada sobre colocar a CMH a fazer campanhas de esterilização de animais…
Em contraponto, ouvi recentemente, uma cidadã a queixar-se que lhe haviam raptado o gato, porque estava fora de casa, e que teria que pagar o resgate se quisesse ver o bicho de novo… o resgate era nada mais nada menos que a factura do veterinário, porque o mesmo havia sido esterilizado compulsivamente!
Também li algumas coisas sobre a estratégia que deveríamos adoptar, aquando da visita de qualquer politico, que seria no sentido de pedir espaços de convívio e zonas que promovessem a circulação de pessoas nas ruas. Em contraponto, nem uma única linha acerca do orçamento participativo, e a não implementação do projecto vencedor, que iria pedonalizar uma rua em Porto Pim.
Pergunto-me se este “novo amor” do candidato é genuíno… é ou foi sócio, voluntário, dirigente de alguma associação de defesa dos animais, de defesa ambiental… sei lá, tem ao menos o cartão de “amigo do Parque Natural”?
Não que o gesto de se tornar sócio de uma qualquer associação seja a maior demonstração de altruísmo, mas a realidade é que poderia funcionar como panaceia, e providenciar um certo alívio moral…