As eleições autárquicas do passado domingo ditaram um novo panorama político na ilha do Faial.
Se há quatro anos o Partido Socialista conseguiu vencer as eleições para a Câmara Municipal da Horta, atingiu a maioria absoluta na Assembleia Muni-cipal e venceu ainda oito das treze freguesias desta ilha, em 2017 os faialenses tomaram decisões muito diferentes.
Ao fim de 28 anos no poder, o Partido Socialista mantém a governação da Câmara Municipal da Horta, o que deve ser salientado, competindo-me, na qualidade de candidato – que sempre assumi neste espaço de opinião – felicitar os vencedores e desejar os maiores êxitos na condução dos destinos da autarquia, com a premissa de que os sucessos do município são também os sucessos de todos os munícipes.
Neste ponto, é de elementar justiça destacar ainda que a maior diferença de votos nas eleições para a Câmara (120) ocorreu na freguesia de Castelo Branco, pelo que, na minha opinião, sai reforçado o vice-presidente da câmara e anterior presidente daquela junta de freguesia.
Relativamente à Assembleia Municipal da Horta, a vitória da coligaçãoAcreditar no Faial, suportada pelo Partido Social Democrata e pelo Partido Popular, introduz um quadro diferente daquele que se verificou no último mandato e obrigará o Partido Socialista do Faial a uma postura de diálogo.
A excelente equipa liderada por Teresa Faria Ribeiro elegeu diretamente 10 dos 21 mandatos em disputa, situação que, associada à presença na assembleia dos presidentes de junta de freguesia, coloca os partidos que formaram a candidatura Acreditar no Faial em condição privilegiada para cumprir de forma adequada as nobres funções daquele órgão.
No que concerne às juntas de freguesia, em que o cenário resultante das eleições de 2013 consistia em oito juntas governadas pelo Partido Socialista e cinco para a coligação então apresentada, o ato eleitoral do passado dia 1 de outubro determinou uma inversão de panorama. À manutenção das juntas de freguesia da Praia do Norte, Cedros, Salão, Feteira e Matriz, a coligação Acreditar no Faial adicionou as conquistas em Pedro Miguel, Flamengose Angústias, uma vitória inequívoca das oito candidaturas em apreço.
Relativamente a estas oito freguesias, há muitos aspetos a realçar, podendo referir-se, por exemplo, o facto de sete destes cabeças de lista serem novidade face a 2013 e, no caso das Angústias, relembrar que data de 1985 a última vitória do Partido Social Democrata.
Todas as Candidaturas são importantes.
Já o tinha declarado e volto a repetir após os resultados eleitorais: todas as candidaturas são importantes e devem ser valorizadas.
Quantos mais projetos eleitorais emergirem, maior é a capacidade de escolha dos eleitores, maior é o incentivo à reflexão e, potencialmente, maior será o número de pessoas envolvidas diretamente nas candidaturas, o que é saudável para a democracia.
Não é fácil ser candidato. O cidadão que é um excelente empresário, se for candidato, já não é assim tão bom; o professor por todos admirado, se for candidato, passa a ter muitos defeitos; o melhor cozinheiro, se for candidato, já não cozinha assim tão bem…
Ser candidato é, por isso e cada vez mais, o exercício corajoso de um ato de cidadania e de sentido de dever para com a comunidade.
Assim, para concluir esta análise às eleições autárquicas de 2017, felicito todas as candidaturase todos os candidatos que deram corpo aos projetos eleitorais, permitindo aos cidadãos fazer as suas escolhas.