Imprimir esta página
17
novembro

(Des)Alinhados

Escrito por  Carlos Ferreira
Publicado em Carlos Ferreira

Se queremos que o Faial se desenvolva, as forças vivas desta ilha têm que estar alinhadas na fundamentação e defesa dos necessários investimentos.
Ao olhar para outras ilhas, verificamos que os seus atores políticos e a sociedade civil se unem em torno de um objetivo comum. Mostram-se unidos e são reivindicativos.
No Faial, pelo contrário, alguns responsáveis políticos e outros de instituições relevantes para esta ilha, manifestam dúvidas, demonstram reticências ou optam por dizer que “não está feito porque a culpa é deste ou daquele”.
Ainda na semana passada, a comissão de economia do parlamento regional ouviu o 1.º subscritor da petição pela melhoria das condições de operacionalidade do aeroporto da Horta, num momento que considero importante, por dois motivos que gostaria de destacar:
- Em primeiro lugar, porque a participação dos cidadãos na vida política e nas decisões que influenciam o desenvolvimento das nossas ilhas tem que ser incentivada e aprofundada, e uma petição assinada por 2.529 pessoas constitui um importante instrumento de participação democrática e autonómica;
- Em segundo lugar, porque com a manifestação fora da Assembleia Regional e a petição entregue posteriormente no parlamento, os faialenses voltaram a colocar na ordem do dia e na agenda política, a questão da ampliação da pista e da melhoria das condições de operacionalidade do aeroporto da Horta.
Na audição realizada e declarações públicas que se seguiram, o 1.º peticionário mostrou-se bem preparado e convicto dos argumentos apresentados, mas infelizmente nem todos se mostraram alinhados na defesa deste investimento, o que na minha opinião é um erro estratégico e que poderá custar-nos caro a médio prazo.
Este é um processo que está envolvido em anos e anos de promessas que continuam por cumprir; e é também um processo que deveria ter sido incluído no caderno de encargos de privatização da ANA e não foi.
Perante esta história de anos e anos de promessas, por um lado, e não inclusão no processo de privatização da ANA, por outro, alguns atores políticos continuam a assentar a sua ação e declarações públicas na atribuição de culpas pelo que aconteceu no passado, ao invés de se pensar no que queremos para o futuro e na estratégia para o conseguir.
É um erro!
É certo que não podemos esquecer quem prometeu e não cumpriu. E no caso do Faial, são mais as promessas do que as concretizações, em especial se considerarmos na promessa o seu prazo de cumprimento.
É verdade também que a não integração das obras do aeroporto da Horta no caderno de privatização da ANA foi um erro, que dificulta a concretização dos investimentos.
Mas a realidade é que, se houver vontade política, o investimento será realizado.
Assim, ao invés de estarmos repetidamente a recuperar argumentos para dizer que a falta de investimentos é culpa deste ou daquele, eventualmente para não termos que confrontar as chefias partidárias regionais com os seus próprios incumprimentos com esta ilha, o que temos é que, de uma vez por todas, dizer a toda a gente que não nos conformamos, que não desistimos, e que queremos que olhem para o Faial com respeito e verdadeiro compromisso.
Esta posição de defesa determinada do Faial não pode limitar-se ao aeroporto. Tem que se estender à variante, ao porto e a todos os investimentos fulcrais para a nossa ilha.
E em relação às taxas de execução das verbas inscritas no plano regional, que já classifiquei de “reduzidas” nos órgãos próprios e também neste semanário, entendo que o argumento de que “também são baixas noutras ilhas” não nos serve, não resolve os nossos problemas e não promove o desenvolvimento desta ilha.
Temos que perceber, de uma vez por todas, a importância de estarmos alinhados na defesa dos investimentos fundamentais para o futuro do Faial.

Lido 365 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários