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20
dezembro

General sem tropas

Escrito por  Rui Martins
Publicado em Rui Martins

No seguimento da aprovação por unanimidade, na Assembleia Legislativa Regional, de um voto de protesto ao que se considerou ser uma gestão lesiva dos interesses da região (escusado será dizer do Faial também), por parte do IMAR, estalou o verniz!
Como se costuma dizer,” zangam-se as comadres, sabem-se as verdades”.
Foi então publicada uma entrevista a Hélder Silva, concedida ao Correio dos Açores e publicada na edição do 15 de Dezembro último. Nesta entrevista, o homem do momento, mostra o que o move na sua gestão de repartição pública...
Diz ele então: “Tudo isso é muito simples. O Governo pretende que eu implemente um programa na base da amizade e confiança.” Aqui, percebe-se que por uma questão de seriedade, boa gestão e não comprometimento da instituição que preside, não há papelinho, não há trabalhinho. Deixa antever também que o governo dos seus camaradas, não é de confiar… Certo.
Depois acrescenta: “(…)como é um novo programa, eu na verdade tenho que elaborar um novo processo. E, portanto, ao abrigo do novo programa, eu tenho de lançar concursos públicos para contratar estas ou outras pessoas (…)”. Sério sim senhor! É pena que tenha demorado onze meses a perceber que tinha que resolver os contratos em Dezembro de 2016, altura em que acabou o programa anterior (2014/2016). Mais, o novo programa de trabalho já está aprovado, mas agora pretende contratar quem quiser, e depois ir buscar o financiamento devido ao Fundo Europeu dos Assuntos Marinhos e Pescas (FEAMP).
Mas então o que é que está aqui em causa? O programa em causa (de recolha de dados da pesca) é ou não é financiado na totalidade pelo FEAMP? Quem é que continuou a trabalhar nessas recolhas a partir de Janeiro de 2017 e desenhou o novo programa, não foram os mesmos que já estavam? Não são estes investigadores, Faialenses há mais de 20 anos, os responsáveis pelo bem-sucedido financiamento anterior e pelo programa actual? É legitimo pôr em causa a estabilidade destas pessoas porque o IMAR não tem ainda protocolado com o Governo eventuais mais-valias não candidatáveis ao FEAMP (Overheads)? É a comissão do IMAR que está em causa? A região, o Faial e o prestigio do IMAR também não ficam prejudicados?
Ainda acrescenta, e bem, nesta entrevista: “Esta é uma obrigação nacional e é uma obrigação da Região. A Região está obrigada a ter este programa a funcionar. Percebeu?”
Eu não sei se percebi… A Região está obrigada, mas o IMAR, ao deixar-se incluir na portaria 63/2016 que regulou o programa nacional de recolha de dados da pesca (PNRD), e que deposita em exclusivo no IMAR a legitimidade para “ir buscar” financiamento ao FEAMP, deixou-se assumir como responsável pela execução dos programas.
O pior é que o problema do IMAR não se resume ao PNRD. O problema do IMAR está numa falta de vontade de ser o principal captador de investigadores para a região e nomeadamente, o que a mim particularmente me preocupa, para o Faial. O IMAR, há muito deixou de ser interessante para novos investigadores se fixarem no Faial. O facto de os investigadores afectos ao IMAR se debaterem com problemas para executar verbas que lhes foram atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é o próximo problema emergente.
Os restantes investigadores, que não estão no PNRD, que não têm propriamente contrato, esses é que serão realmente os prejudicados com o tal anunciado encerramento. O que acontecerá a esses, vão para casa, não é?
Não se constrói uma casa sozinho. Não vale tudo para ganhar uma luta de feudos e sobretudo não se é General sem tropas.
E por agora resta-me desejar a todos quantos trabalham para manter este semanário a circular, e a todos os seus leitores, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

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