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16
fevereiro

Recuando no tempo

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral

Com a Maria João na Paz de Deus, e continuando a viver na Terceira, a ilha dos bailinhos, às dezenas, e não podendo dançar, resta-me recuar no tempo até meados do século passado, onde ainda estava no Faial.
Na juventude, foram mais no Grémio Artista e nos Empregados do Comércio, menos.
Mas deixadas as sopas paternas e a tropa, eis-me na Agência do Banco de Portugal.
Entre os colegas, o veterano senhor Barros que andara pelos Brasis, não escondendo saudades do jogo da bola.
Sócio respeitável do “Amor da Pátria”, insistiu advogar minha entrada na prestigiosa Sociedade.
Semanas não seriam passadas, quando na rua Direita, sou abordado por um jovem paquete com vestimenta a preceito: entregou-me uma carta, completando com visível agrado seu Parabém.
Após este breve intróito, vou ao tema do escrito recordativo da animada época carnavalesca que se vivia na cidade da Horta: bailes assaz animados no “Grémio Artista”, e “Amor da Pátria”, os assaltos em casas particulares ou também grupos de mascarados percorrendo as ruas citadinas em visita a casais amigos.
Sem esquecer sobretudo a 2.ª Feira de Carnaval no “Amor da Pátria”, fazendo jus às suas magníficas salas, únicas nos Açores: mais de uma dezena de variados grupos, desfilavam no Salão principal, apresentando sugestivos números que causavam a admiração dos numerosos associados que enchiam as mesas em redor.
Um ano houve, em que ficou célebre o “Ovo”, característico automóvel a circular no centro da grande Sala, ladeado dos elementos do grupo, aliás, terá sido mesmo o êxito da noite.
E falando da 2.ª Feira, no “Amor da Pátria” não poderia deixar de lembrar a saudosa Maria Albertina cujos grupos eram sempre aguardados com natural expectativa, jamais frustrada.
Quanto às fantasias, as de Maria Isabel, sempre viradas para figuras históricas, tornaram-se inesquecíveis.
Mas não eram só os adultos que se divertiam, pois a gente miúda tinha as matinées.
Julgo ter a benevolência dos leitores ao falar nesta coluna de fantasias da autoria da Maria João, para o filho e neta, a saber:
Constantino: jogador do Fayal Sport, com o nº10 do pai; médico como o tio Humberto e toureiro, não fosse de descendência terceirense.
Maria João: borboleta em que se esmerou na difícil vestimenta, de tal maneira que se não voou, pelo menos foi deveras aplaudida no Salão a transbordar de crianças a exibirem, também com agrado geral, lindas fantasias.
Resta-me merecida referência à tradicional ornamentação da enorme Sala, quer às pinturas de Estela Brum e de Leonel Carreiro, quer à mancheia de serpentinas de mestre António que, às centenas, partindo do Centenário lustre por ele criado, se espalhavam por todos os lados, em autêntico multicolor festival.

 

Um dos muito grupos exibindo-se no “Amor da Pátria”

DR

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