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16
fevereiro

Dependências, o pódio indesejado em que os Açores lideram

Escrito por  Carlos Ferreira
Publicado em Carlos Ferreira

Quantos de nós não têm um familiar ou amigo perdido no mundo da droga?
E algum de nós não tem na toxicodependência um dos receios maiores quanto ao futuro dos seus filhos?
A droga é, sem dúvida, um dos maiores inimigos da nossa sociedade. Mas os Açores continuam a esperar – e desesperar – por uma verdadeira estratégia regional de prevenção e combate às dependências.
O relatório oficial respeitante ao panorama de Portugal ao nível das drogas foi conhecido esta semana e, mais uma vez, traça um quadro negro da realidade dos Açores em matéria de dependências.
Segundo o Relatório Anual 2016 – A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência, os Açores e o Norte são as regiões do país com maiores prevalências de consumo recente de qualquer droga na população.
Ao nível das variações face ao relatório anterior, enquanto se destaca positivamente uma diminuição do consumo de cannabis no Alentejo, verifica-se um aumento dos consumos de cocaína e de ecstasy nos Açores e na Madeira. Na verdade, os Açores apresentam as maiores prevalências de consumo mais recente destas substâncias (cocaína e ecstasy).
O documento salienta também as subidas das prevalências de consumo recente de novas substâncias psicoativas em várias regiões, em particular nos Açores.
O consumo recente de novas substâncias psicoativas é bem mais prevalecente nos Açores do que no resto do país. A Madeira, que é também apontada pelas elevadas taxas apresentadas, tem um nível nove vezes inferior ao índice registado nos Açores no intervalo dos 15 aos 74 anos.
O relatório destaca ainda os Açores “com as prevalências de consumo mais elevadas de anfetaminas/metanfetaminas, de alucinogénios, de Novas Substâncias Psicoativas e de tranquilizantes/sedativos não prescritos”.
No âmbito judicial, a maior taxa de condenados por tráfico de droga, por cada mil habitantes, regista-se também nos Açores.
Esta é uma matéria em que a nossa região lidera a nível nacional, pelos piores motivos. Um pódio indesejado que teimamos em ocupar, como confirma o relatório que descreve a situação das drogas em Portugal.
Um quadro verdadeiramente negro, que se junta a outros dados, como o pódio no abandono escolar precoce ou na percentagem de famílias que dependem do rendimento social de inserção para sobreviver!!!
Perante tudo isto, o Governo continua a não implementar uma estratégia regional de prevenção e combate às dependências e prossegue num caminho sem rumo.
Em 2008, criou uma direção regional dedicada a este tremendo problema social; em 2012, com a eleição de Vasco Cordeiro para Presidente do Governo, aquela direção regional foi extinta; em 2016, a mesma direção regional foi ressuscitada…
Este percurso titubeante deixa numa situação de grande fragilidade aqueles que no terreno, travam diariamente um combate difícil contra as dependências, polícias, magistrados, profissionais de saúde e de ação social, professores, muitos outros profissionais e, acima de tudo, muitos pais e mães que não podem ser abandonados à sua sorte.
A toxicodependência é um flagelo social gravíssimo em todo o mundo e também nos Açores. Este é o sentimento de quem trabalha na área ou se confronta de algum modo com o fenómeno, e os dados estatísticos traduzem-no em números inequívocos.
Aguarda-se que o governo deixe de fazer anúncios de mera propaganda, que conclua o estudo recomendado pelo parlamento regional e implemente com urgência uma verdadeira estratégia regional de prevenção e combate às dependências.


12 de fevereiro de 2018

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