Até se fossem às dúzias (mais barato) para uma só ilha não nos causavam qualquer estranheza.
Mas compreendemos as queixas das restante oito, mormente o Faial, e em especial agora com os voos semanais da Companhia norte-americana Delta, de New York para Ponta Delgada, São Miguel, Açores.
Repetimos cinco por extenso para não haver dúvidas…
É que, segundo ouvimos, a cidade micaelense está a dar preocupações por já não haver camas disponíveis, por tanta gente que diariamente é despejada no aeroporto da Nordela, pelos voos da Sata, Tap e low cost.
Que a Ilha Verde esteja a tirar devido partido, assaz bem visível no Turismo, achamos bem, mas que não seja à custa das demais Ilhas, aliás também açorianas e filhas de Deus.
Por sinal, vem a propósito passagem do Evangelho de São Marcos (7.24-30) sobre o diálogo entre Jesus e a mulher pagã que pede a cura da filhinha, possessa pelo demónio:
“ Deixa primeiro que os filhos estejam saciados pois não está certo que se pegue no pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos”.
Ela, porém, replicou-Lhe: “Senhor: também os cachorinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas das crianças”…
E Jesus terminou:
“Por essa palavra que disseste podes ir; o demónio saiu da tua filha”:
Na verdade, uma sempre oportuna lição que desejaríamos entendida e fosse posta em prática, a começar pelos cinco voos da Delta.
Naturalmente adentro do tão apregoado desenvolvimento harmónico das 9 (nove) Ilhas, acrescentamos: trabalhando para o mesmo saco.
Em conversa, um dia destes com um amigo terceirense, também discordante dos voos em questão, avançou com sua douta opinião, dizendo que dois deveriam ser destinados às Lajes e um para o Faial .
E à dúvida sobre a discutida dimensão da pista (1.600 m), disse-nos que nem seria problema.
Mesmo que fosse, julgo haver solução: o voo da Delta viria para as Lajes, onde os respectivos passageiros, todos do Triângulo, embarcariam sem demora na Sata para a Horta, não pernoitando em Ponta Delgada ou na Terceira, o que já era menos mal.
Quanto às migalhas evangélicas que encabeçam este escrito, volto a frisar que se trata de assunto a que o Governo Regional não poderá deixar de lhe dar a devida atenção, tanto mais que são oito das nove ilhas a merecer serem olhadas com justiça, aliás, como o foi a pagã síro-fenissia pelo próprio Deus do Universo.
E como faialense, muito embora ache que a via rápida, de milhões de euros, com dezenas de altas ravinas (umas de cem metros) atravessando São Miguel quase de ponta a ponta, mesmo sendo velha aspiração, não tem qualquer comparação com as migalhas a gastar no aumento dumas cinco centenas de metros da Pista do Aeroporto da Horta.
À margem
Registamos com agrado os dados estatísticos revelados na edição do “Tribuna das Ilhas” de 9 do corrente mês, no artigo de Devin Gomes, sob o título “Aeroporto da Horta II – (Turismo), aliás muito oportuno numa altura em que a Ryanair irá fazer um voo semanal para uma das ilhas do Triângulo.
Segundo o articulista, realizaram-se em 2017 de Lisboa para a Horta e v.v. 652 voos com 79.649 passageiros (74%), para o Pico e v.v. 254 com 29.378 passageiros, 70%, ambos com boas taxas de ocupação.
E também se a Delta vier a distribuir os 5 voos semanais, referidos no nosso escrito, será uma estatística que não deixará de ser tida em devida consideração.
A propósito, recorde-se que no tempo dos Clippers, a Pan América escolheu o porto da Horta, naturalmente devido à privilegiada situação geográfica da abrigada baía do Canal.
E contra a expectativa o número de passageiros embarcados para Lisboa e da capital vindos para o Faial compensou o custo da passagem pela Horta.

DR