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02
março

A Delta e as migalhas evangélicas

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral

Até se fossem às dúzias (mais barato) para uma só ilha não nos causavam qualquer estranheza.
Mas compreendemos as queixas das restante oito, mormente o Faial, e em especial agora com os voos semanais da Companhia norte-americana Delta, de New York para Ponta Delgada, São Miguel, Açores.
Repetimos cinco por extenso para não haver dúvidas…
É que, segundo ouvimos, a cidade micaelense está a dar preocupações por já não haver camas disponíveis, por tanta gente que diariamente é despejada no aeroporto da Nordela, pelos voos da Sata, Tap e low cost.
Que a Ilha Verde esteja a tirar devido partido, assaz bem visível no Turismo, achamos bem, mas que não seja à custa das demais Ilhas, aliás também açorianas e filhas de Deus.
Por sinal, vem a propósito passagem do Evangelho de São Marcos (7.24-30) sobre o diálogo entre Jesus e a mulher pagã que pede a cura da filhinha, possessa pelo demónio:
“ Deixa primeiro que os filhos estejam saciados pois não está certo que se pegue no pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos”.
Ela, porém, replicou-Lhe: “Senhor: também os cachorinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas das crianças”…
E Jesus terminou:
“Por essa palavra que disseste podes ir; o demónio saiu da tua filha”:
Na verdade, uma sempre oportuna lição que desejaríamos entendida e fosse posta em prática, a começar pelos cinco voos da Delta.
Naturalmente adentro do tão apregoado desenvolvimento harmónico das 9 (nove) Ilhas, acrescentamos: trabalhando para o mesmo saco.
Em conversa, um dia destes com um amigo terceirense, também discordante dos voos em questão, avançou com sua douta opinião, dizendo que dois deveriam ser destinados às Lajes e um para o Faial .
E à dúvida sobre a discutida dimensão da pista (1.600 m), disse-nos que nem seria problema.
Mesmo que fosse, julgo haver solução: o voo da Delta viria para as Lajes, onde os respectivos passageiros, todos do Triângulo, embarcariam sem demora na Sata para a Horta, não pernoitando em Ponta Delgada ou na Terceira, o que já era menos mal.
Quanto às migalhas evangélicas que encabeçam este escrito, volto a frisar que se trata de assunto a que o Governo Regional não poderá deixar de lhe dar a devida atenção, tanto mais que são oito das nove ilhas a merecer serem olhadas com justiça, aliás, como o foi a pagã síro-fenissia pelo próprio Deus do Universo.
E como faialense, muito embora ache que a via rápida, de milhões de euros, com dezenas de altas ravinas (umas de cem metros) atravessando São Miguel quase de ponta a ponta, mesmo sendo velha aspiração, não tem qualquer comparação com as migalhas a gastar no aumento dumas cinco centenas de metros da Pista do Aeroporto da Horta.

À margem
Registamos com agrado os dados estatísticos revelados na edição do “Tribuna das Ilhas” de 9 do corrente mês, no artigo de Devin Gomes, sob o título “Aeroporto da Horta II – (Turismo), aliás muito oportuno numa altura em que a Ryanair irá fazer um voo semanal para uma das ilhas do Triângulo.
Segundo o articulista, realizaram-se em 2017 de Lisboa para a Horta e v.v. 652 voos com 79.649 passageiros (74%), para o Pico e v.v. 254 com 29.378 passageiros, 70%, ambos com boas taxas de ocupação.
E também se a Delta vier a distribuir os 5 voos semanais, referidos no nosso escrito, será uma estatística que não deixará de ser tida em devida consideração.
A propósito, recorde-se que no tempo dos Clippers, a Pan América escolheu o porto da Horta, naturalmente devido à privilegiada situação geográfica da abrigada baía do Canal.
E contra a expectativa o número de passageiros embarcados para Lisboa e da capital vindos para o Faial compensou o custo da passagem pela Horta.

 

DR

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