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13
abril

Movimento cívico faialense será modelo para outras ilhas

Escrito por  Carlos Ferreira
Publicado em Carlos Ferreira

1. O exemplo cívico do Grupo Aeroporto da Horta
O exemplo de participação cívica do Grupo Aeroporto da Horta começa a ser seguido noutras paragens do arquipélago. Segundo noticiou um jornal terceirense no passado dia 10, “está a nascer na ilha Terceira um movimento cívico semelhante ao criado na ilha do Faial para contestar as acessibilidades à ilha.”
Trabalhando muitas vezes debaixo de fogo cerrado quer de outras ilhas, quer também e infelizmente, de críticos da nossa própria ilha – porque a reflexão e a intervenção cívicas sempre foram encaradas como um perigo para os poderes instalados – o movimento cívico faialense não morreu. Começou por suscitar a curiosidade alheia (embora com desconfiança), viu ser-lhe vaticinada a sua extinção (inclusive com diligências nesse sentido feitas por figuras locais, que naturalmente não as assumem), mas manteve-se firme e continuou a trabalhar.
Numa época de crise de valores e numa sociedade em que é sempre mais fácil não reclamar, não reivindicar, não fazer nada, a determinação dos faialenses que estão na linha da frente do Grupo Aeroporto da Horta – daqueles que não cederam à tentação do aliciamento do poder – é um exemplo.

2. Os números da SATA perante o Faial
O comportamento do Presidente da SATA em relação ao Faial continua a ser, no mínimo, estranho e lamentável.
Em novembro de 2016, veio ao Faial apresentar dados parcelares que, no seu entender, justificavam a redução da oferta de voos para o Faial, diminuição que a SATA levou a cabo desde que ficou a viajar sozinha para o aeroporto da Horta.
Mais tarde, através da resposta a requerimento dos deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial, foi possível constatar que os dados estavam incompletos e que no contexto das rotas abrangidas pelas obrigações de serviço público, a rota da Horta apresentava taxas de ocupação elevadas, apesar das tarifas médias praticadas serem mais altas do que em rotas semelhantes. Ou seja, havia uma intenção de diminuir o número de voos para o Faial e procurou-se encontrar argumentos para sustentar essa decisão política, que já estava tomada.
Nos últimos dias, o Presidente da SATA voltou a apresentar dados que só ele conhece e que divergem dos números oficiais do Serviço Regional de Estatística, para declarar que o Faial tem mais voos e lugares do que aqueles de que precisa e, por isso, a SATA vai uma vez mais diminuir os voos para o Faial nas épocas em que mais são precisos.
Todos nos lembramos das dificuldades sentidas no último ano para entrar e sair do Faial. Todos sentimos as dificuldades de forma prática e concreta. A título de mero exemplo, ainda na terça-feira passada, tinha necessidade de viajar de manhã para outra ilha e não o pude fazer porque o voo estava cheio. Se isto acontece em abril, imaginemos como será o verão…
3. Incluir o aeroporto da Horta na renegociação do Estado com a ANA
Apresentámos na Assembleia Regional uma iniciativa parlamentar destinada a recomendar formalmente ao Governo da República a Inclusão da ampliação da pista do aeroporto da Horta na renegociação do contrato de concessão de serviço público aeroportuário nos aeroportos situados em Portugal continental e na Região Autónoma dos Açores.
Trata-se de uma medida que poderá merecer largo consenso - uma vez que outras estruturas políticas anunciaram iniciativas idênticas - e corrigir o erro da não inclusão do investimento no contrato celebrado em 2012.
Deste modo, damos mais um passo com vista à concretização da ampliação da pista do aeroporto da Horta.

10-04-2018

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